ERIKA TAMURA: Manifestação do dia 15 de março

Domingo dia 15 de março de 2015, foi um domingo atípico para os brasileiros, muitos vestiram a sua camisa verde-amarela e foram às ruas demonstrar a sua indignação com a realidade política brasileira.

Achei muito válida, pois a adesão populacional, mostrou que uma grande quantidade do povo brasileiro está vendo o que está acontecendo sim, e está indignada sim!

Mas o que achei mais interessante, é que nunca se falou tanto em política como agora. Eu como sempre gostei de política, todas as vezes era considerada “a chata” das rodinhas de bate papo, pois os meus assuntos giravam em torno disso, e hoje é um assunto fácil de se discorrer. Muitos não sabem o que falam, falam coisas sem nexos e descabidas, mas o importante é que falam, e o tema das conversas ser política, já é um passo, pois tinha uma época que as pessoas mal sabiam o nome do governador, prefeito e até presidente. Hoje todos sabem! Nem que for para falar mal, mas sabem…

A única ressalva que faço: Será que todos da passeata estavam ali com o mesmo objetivo?

O que eu quero dizer é que para reivindicar que haja o fim da corrupção, alguns têm que mudar a mente corruptiva que os acompanha desde o berço, não adianta exigir políticos honestos se os reivindicantes não o são. As atitudes vêm de casa.

Quero o fim da corrupção! Beleza, eu também quero, mas exigir esse tipo de atitude por uma pessoa que tenta subornar o guarda, subornar o fiscal, que fatura nota, que burla as leis, que transgride regras, não faz de você uma pessoa melhor para exigir nada disso. Afinal são atitudes corruptas e tão ilícitas quanto as praticadas pelo governo em questão, o que muda é o grau de intensidade, o que para mim não muda em nada.

No Japão, não importa se o ladrão rouba uma moeda de \100 ou se rouba \1 milhão, importa é que ele roubou! E vai ser julgado pelo seu ato de roubar, a ilicitude está no ato e não no produto.

Recentemente duas ministras do governo atual no primeiro ministro japonês Shinzo Abe, foram pegas em atos considerados suspeitos e apontadas como corruptas, e sabem o que elas fizeram? Uma deu presentes para alguns amigos, durante uma festa, distribui saquês caríssimos, isso foi visto como tentativa de suborno e a outra foi pega distribuindo leques de sua campanha fora da época de campanha, e isso foi considerado crime eleitoral. As duas deixaram o cargo, pressionadas para que se demitissem, e isso decretou o fim da carreira pública de ambas. Corruptos no Japão não têm vez, não é somente a carreira pública que acaba, mas acaba tudo até a vida pessoal, pois os familiares passam a serem discriminados pela própria sociedade. Soube de um ex político japonês que teve seu nome envolvido em um escândalo de corrupção, onde seu filho foi estudar no exterior, pois estava sendo vítima de bullying na escola que frequentava, em consequência das atitudes do pai. E o Japão é assim, implacável e inflexível em muitos aspectos. Acredito que no Japão também haja corrupção, mas a descoberta e apuração dos fatos torna-se um escândalo moral diante o povo japonês.

Agora no Brasil, onde leis existem mas todos se apoiam em brechas para poder se safar, não pode ser um país sério. A mudança exigida é um círculo, onde os que estão no poder têm que dar exemplo para o seu povo, e o povo tem que ter condições para exigir.

Mas a realidade brasileira é o governo corrupto querendo que o povo seja honesto e pague seus impostos e o povo paga por obrigação mas se sentindo totalmente ludibriados, e a essa altura do campeonato, quem não for estruturalmente forte, estará propenso a ser corrompido ou no mínimo doido para ter uma boca para mamar nas tetas do governo.

Nós nos espelhamos em exemplos, e não em teorias. Os parâmetros têm que ser mudados, mas quem exige mudança tem que estar preparado para mudar também.

 

ERIKA TAMURA

ERIKA TAMURA

nasceu em Araçatuba e há 18 anos mora no Japão, onde trabalha no Serviço de assistência aos brasileiros no Japão da Ong chamada Sabja

E-mail: erikasumida@hotmail.com
ERIKA TAMURA

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