ERIKA TAMURA: Marianne Nishihata no Japão

Conheci a Marianne por intermédio do jornalista Ewerthon Tobace, mas também já tinha ouvido falar dela pelo próprio editor do Jornal Nippak, Aldo Shiguti.

Marianne Nishihata, morou no Japão durante três anos, no período de 2002 a 2005, onde trabalhou na editora JBC, responsável pela publicação da revista Made in Japan e Jornal Tudo Bem. Portanto, já se passou mais de uma década que Marianne retornou ao Brasil, e nesse tempo muita coisa mudou em sua vida, vários projetos em mente, alguns realizados, novos rumos tomados, um livro lançado, enfim, a vida correu para todos nós, inclusive para Marianne.

E é depois de muitos anos e vários acontecimentos que ela retorna ao Japão, para um ciclo de palestras para os jovens brasileiros e japoneses. O intuito é compartilhar um pouco da sua experiência, ajudando os jovens a clarear as ideias, discutir sobre dúvidas sobre a carreira profissional, mostrar que os sonhos podem ser concretizados e com isso, despertar a consciência da comunidade brasileira na importância em ter um objetivo.

“O que você quer deixar de bom para o mundo?”. É assim que a Marianne inicia a palestra para os jovens. E enquanto a palestrante fala, vejo os olhos dos alunos brilhando, e isso é motivador. Eu adoro trabalhar com jovens e crianças, porque a resposta é imediata, não tem meio termo, não tem fingimento, é tudo real e objetivo. E se os olhinhos brilham, é porque o coração bate mais rápido e a cabeça está em pleno funcionamento a serviço das emoções.

O livro que Marianne escreveu, chama: Amor entre guerras, e é um romance verídico que conta a história de amor de um casal que resistiu a uma guerra, em todos os sentidos da palavra. Confesso que devorei o livro, mesmo não sendo a minha literatura preferida, gostei muito. Gosto de livros sobre política e biográficos, mas como leitura é meu hobby preferido, comecei a ler o livro da Marianne e fui até o final em um dia. Quero deixar aqui a minha admiração e os meus parabéns, imagino o quão difícil é escrever um livro,  a própria Marianne relatou que não foi fácil, mas precisou vencer as dificuldades para ter uma obra completa.

Um detalhe que me chamou a atenção, em uma das palestras na escola Opção, localizada em Ibaraki, uma aluna chamada Juliana, esperava ansiosa pela palestra, pois tem como sonho ser escritora. Foi emocionante ver a cena em que no final da palestra, Juliana pediu uma foto para tirar uma foto com a palestrante, onde foi prontamente atendida. Demos a ideia da aluna Juliana segurar o livro de Marianne para posar para a foto, onde Juliana surpreendentemente responde: “A próxima foto será com o meu livro!”. Lágrimas escorreram pelo rosto de todos, emocionou a todos, principalmente Marianne. E acho que é isso que vale a pena. N˜åo existe dinheiro no mundo que pague isso.

A palestra da Marianne foi totalmente gratuita, sem patrocínios, ela pagou do bolso as despesas, a ONG onde trabalho, apenas arcou com as despesas de transporte, mas somente com esse episódio da Juliana, a jornalista Marianne pode considerar a sua vinda ao Japão com um saldo super positivo. E aquela mesma pergunta que a palestrante fez no começo para os alunos, agora volta-se para ela, e a resposta? Está na atitude da Juliana, está nos olhos brilhantes dos alunos, está na empolgação dos professores…

Acredito que esse é o caminho para o futuro dos jovens da comunidade brasileira no Japão: acreditar nos sonhos. Sempre falo para os meus filhos para que sonhem alto, e depois façam com que esses sonhos virem metas para serem alcançadas. Eu vou estar sempre apoiando, ajudando, torcendo e fazendo o impossível para que tudo se concretize. Eles se sentem seguros.

Na minha opinião, a atitude da Marianne é no mínimo louvável. Sair do Brasil, com o intuito de retornar ao Japão para ajudar a comunidade brasileira, é para poucos. Por isso quem faz, tem que ter a sua atitude reconhecida.

Se Marianne tem algum arrependimento? Sim. O de não ter aprendido japonês enquanto morou no Japão. E essa é uma das dicas deixada por Marianne em sua palestra, aproveitar o tempo de vivência no Japão para aprender o idioma e a cultura local. Pois tudo que agrega, nunca é demais.

Na dedicatória do livro que a Marianne me deu, está a seguinte frase: “Erika, o casal Yamada e Ilma nunca desistiu de sua própria história.”.

Então por que você desistiria da sua?

 

 

ERIKA TAMURA

ERIKA TAMURA

nasceu em Araçatuba e há 18 anos mora no Japão, onde trabalha no Serviço de assistência aos brasileiros no Japão da Ong chamada Sabja

E-mail: erikasumida@hotmail.com
ERIKA TAMURA

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