ERIKA TAMURA: Meu retorno ao Japão

Hoje é meu último dia no Brasil, retorno ao Japão, como sempre, com o coração na mão.

Adoro vir ao Brasil, me sinto revigorada. Mas o que acontece atualmente é que essa volta está sendo mais apreensiva do que tantas outras que já fiz. O motivo é a Coréia do Norte e o seu ditador.

Por incrível que pareça, eu escrevi sobre uma tentativa de ataque norte coreano em 2012!!! Isso mesmo, há 5 anos escrevi um artigo que se fosse publicado hoje, ninguém perceberia que escrevi há 5 anos.

Isso prova o quão obsessivo é o ditador norte coreano.

Desde 2012, a ONU tenta intervir para que tudo se mantenha no mais total controle pacifista, e agora, confesso que não faço a mínima ideia do que pode acontecer, afinal, do outro lado da ponta temos um presidente norte americano totalmente imprevisível nos seus atos, o Trump.

Quando me perguntam que dia eu retorno ao Japão, eu respondo: “Dia 27, se não tiver guerra!”. É uma brincadeira com um fundo de preocupação real.

Acredito que não vá haver nada de mais grave e que irei embarcar, mas em se tratando dos governantes empoderados do momento, não estou 100% segura disso.

Mas penso assim, não vou parar minha vida por causa disso, seja o que Deus quiser. O que de fato for acontecer, que aconteça… Vou encarar as consequências do meio onde estiver, e enfrentar o que vier, pois a vida segue.

Durante uma conversa com alguns políticos, soube que o Brasil mantém uma embaixada na Coréia do Norte, e me perguntei o por quê, realmente não entendia qual a necessidade de se gastar rios de dinheiro para a manutenção de uma embaixada numa área que não acrescenta em nada. Mas ouvi do próprio embaixador do Brasil no Japão, André Corrêa do Lago, uma justificativa que faz sentido. O embaixador explicou que, manter uma embaixada no território norte coreano, faz com que o Brasil tenha uma voz mais forte dentro da ONU, e se caso ocorrer algum conflito, o Brasil terá um respaldo a mais, pois poderá opinar e participar ativamente. Não é a toa que o Brasil é sempre o primeiro país a discursar na ONU, pois é considerado um país totalmente neutro, e que não tem relação com nenhum tipo de conflitos, quer seja sociais, quer seja religiosos.

Diante de toda essa instabilidade entre Estados Unidos, Coréia do Norte e Japão, as pessoas me perguntam se não é mais seguro eu não retornar ao Japão e ficar no Brasil mesmo, e eu respondo que, eu amo o Japão, e independente do que aconteça, estarei a disposição do Japão. Como ocorreu em 2011, logo após o tsunami, onde houve uma debandada para o Brasil, onde as pessoas, com medo da radiação voltaram ao Brasil. E todos me perguntavam, e você Erika? A minha resposta era a seguinte: O Japão me deu tudo o que tenho hoje, absolutamente tudo! E não falo de bens materiais não, eu falo de bagagem de vida! Toda a minha experiência profissional, ética, cultural, social… Eu aprendi no Japão, o país que me acolheu e me ensinou muita coisa, não acho justo que no momento em que o Japão mais necessita de ajuda, eu o abandono como ratos que abandonam navios que estão naufragando.

E o momento atual para mim é isso também, vou encarar o que for preciso. Confio no destino e não tenho medo.

Só não embarco para o Japão se o governo japonês me falar que estou atrapalhando.

Com esse sentimento, e essa visão, digo bye bye Brasil, até breve. Espero voltar logo, pois preciso do Brasil para me revitalizar!

 

ERIKA TAMURA

ERIKA TAMURA

nasceu em Araçatuba e há 18 anos mora no Japão, onde trabalha no Serviço de assistência aos brasileiros no Japão da Ong chamada Sabja

E-mail: erikasumida@hotmail.com
ERIKA TAMURA

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