ERIKA TAMURA: Míssil norte coreano

Estou de volta ao Japão, depois de uns dias no Reino Unido.

Confesso que, estava com medo do retorno ao Japão. Ao mesmo tempo em que para mim, é muito reconfortante voltar ao Japão, nesse momento estava apreensiva, por conta das ameaças de ataque norte coreano.

O ditador da Coreia do Norte, parece não ter limites no que diz respeito a testes com bombas nucleares. E isso dá medo.

A Coreia do Norte é aqui do lado, e vem há muito tempo provocando o Japão.

Ninguém sabe ao certo o quanto de arsenal nuclear a Coreia do Norte possui, mas também não estamos a fim de tirar a prova disso.

Antes de eu ir viajar, o Japão foi surpreendido (mais uma vez) por um míssil norte coreano que atravessou o território japonês e caiu no mar. Foi a primeira vez que vi a mídia local alertando sobre um possível ataque. E isso na minha opinião, comprovou que o Japão não está assim tão bem preparado caso caia uma boa atômica no território japonês. Quando vi o alerta, já pensei: “Cadê o anti-míssil que o Japão disse ter? Cadê todo o poder das tropas do exército japonês em defender o território nacional?”. Pela primeira vez fiquei em dúvida do quão é eficiente a defesa do Japão.

Durante as notícias nas redes de televisão, a única coisa que me passava pela cabeça era, e agora? O que eu tenho que fazer?

Moro ao lado de uma base do exército americano (mas o exército japonês também utiliza) em Kanagawa, e pelo movimento dos aviões no espaço aéreo podemos medir a gravidade dos acontecimentos por aqui. Por exemplo, quando deu a enchente em Ibaraki, era helicóptero dia e noite.

Quando houve esse alerta de míssil norte coreano em território japonês, vários alarmes tocaram no celular, principalmente das pessoas que moram próximo da rota do míssil. Um susto e tanto!

No caso de uma invasão das tropas norte coreanas, o que devemos fazer? Quais as instruções devemos seguir? Na verdade, nem o próprio governo japonês sabe…

Os anúncios dos auto falantes das ruas, falavam para não sair de casa, ou ir para o abrigo mais próximo, mas isso é eficaz? Estamos falando de materiais radioativos!

Enquanto eu estava no Reino Unido, todos os jornais estampavam na capa a preocupação com os ataques da Coreia do Norte. Acho até que a Inglaterra fala mais desse assunto do que o próprio Japão. Talvez para evitar um pânico generalizado, não sei.

Li em um jornal britânico sobre um tremor de terra na Coreia do Norte, possivelmente por consequência dos testes com bomba de hidrogénio, que são infinitamente piores que as bombas atómicas que caíram em Hiroshima e Nagasaki.

As últimas notícias estão voltadas para os Estados Unidos que sofre com a passagem do furacão.

E eu ainda escuto pessoas falando que prefere passar por tudo isso no exterior a voltar para o Brasil e conviver com a violência interna. Olha, acho que uma coisa não tem nada a ver com outra. O problema do Brasil é a má administração, é a grande crise, é totalmente relacionado a política e economia. Os problemas no Japão são de ordens meteorológicas e ultimamente a insanidade de um ditador furioso e mimado de um país vizinho.

Então, nesse caso o comparativo não cabe, são situações totalmente ambíguas.

Vamos parar com a ideia de que eu prefiro isso a aquilo, por favor, o que o mundo precisa é de paz.

Precisamos de discernimento para tomarmos as decisões certas.

Sei bem como é isso, pois quando houve o tsunami no Japão em 2011, minhas dúvidas em relação ao futuro eram maiores que as minhas certezas.

Foi a primeira vez na minha vida, que tomei decisões sem saber se realmente estava certa daquilo. Pois envolvia a vida dos meus filhos, não sabia se era certo mantê-los no Japão, mesmo com risco de contaminação nuclear, ou se ia para o Brasil, para preserva-los. Foi uma época difícil.

Retornei ontem ao Japão, e todas as vezes que o avião pousa no aeroporto japonês tenho uma sensação de felicidade, pois sinto que retorno para onde eu gosto e me sinto bem. Apesar de amar o Brasil, lógico! Mas é no Japão que me sinto verdadeiramente segura. E dessa vez foi um alívio saber que está tudo bem, calmo e tranquilo, por enquanto. Mas até quando?

 

ERIKA TAMURA

ERIKA TAMURA

nasceu em Araçatuba e há 18 anos mora no Japão, onde trabalha no Serviço de assistência aos brasileiros no Japão da Ong chamada Sabja

E-mail: erikasumida@hotmail.com
ERIKA TAMURA

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