ERIKA TAMURA: Mulheres, são frágeis?

Nesses últimos tempos, tenho observado muito as mulheres brasileiras que vivem aqui no Japão. E confesso que estou muito feliz com o que eu vejo. São mulheres batalhadoras, muitas vezes sofridas, mas que possuem uma força que ninguém sabe de onde vem.

Um exemplo é a minha turma na faculdade: a maioria é mulher. E são mulheres com perfis distintos, mas com histórias incríveis! Todas trabalham fora, sustentam a casa, cuidam de filhos e ainda estudam. São as alunas mais esforçadas, pois os homens não possuem esse pique.

As firmas nunca esconderam que preferem a mão de obra feminina, pois são mais ágeis e ganham menos. Está aí uma injustiça: essa desvantagem salarial que considero reflexo da sociedade machista japonesa. As mulheres aqui desempenham as mesmas funções masculinas e ganham menos; por isso que, na maioria das fábricas, o ambiente é predominantemente feminino.

Uma certeza que tenho: se pararmos para conversar com as mulheres que moram no Japão, cada uma terá uma história de luta, garra e raça para contar. Pode ser em diferentes proporções, mas têm.

Deparei-me com várias. São mulheres que criam seus filhos e ainda trabalham em fábrica com aquele horário puxado. Elas voltam para casa e ainda têm que cuidar de todos os afazeres domésticos; e ainda tem o lado emocional, pois sobra pouco tempo para a vaidade. Conheço mulheres que passam por dores diversas, como separação do marido, separação dos filhos, saudade, cansaço, estresse, melancolia… Mas nem por isso deixam de lutar. Acho incrível essa força, esse poder de fênix.

O meu ex chefe me disse que as mulheres, atualmente, são muito fortes, não fortes de força física, mas fortes estruturalmente, psicologicamente e emocionalmente. E essa percepção do meu chefe demonstra que o universo masculino, às vezes, se surpreende com o universo feminino.

Acho o máximo mulher independente, que sabe o que quer, que tem foco e que sabe como agir. Esse é o novo conceito de mulher; é a mulher contemporânea.

Em uma conversa de amigos, uma amiga levantou a questão: por que as mulheres lindas e independentes estão solteiras? E o meu amigo respondeu: “Porque vocês estão muito independentes, emancipadas, são bem-sucedidas, ganham bem; então vocês estão muito mais exigentes. Se ficassem só na cozinha, achariam o companheiro o máximo”. Brincadeiras à parte, essa resposta polêmica faz sentido. A independência nos traz a liberdade e, hoje em dia, a mulher só mantém um relacionamento se estiver apaixonada, caso contrário, ela prefere não se envolver.

Sei que esse é um assunto que rende polêmicas, que é o centro das discussões, mas que sempre vem à tona, quando se fala em humanidade. O Japão é um país extremamente machista, mas que vem mudando esse quadro. Ainda está longe de chegar a uma igualdade, mas só o fato de estar mudando já é um ótimo começo.

Não quero defender um papo feminista, e nem levantar uma bandeira pró-mulheres, mas eu vejo que as mulheres são muito poderosas e não podem ser submissas nunca, pois possuem uma capacidade incrível. Aqui no Japão, eu aconselho as mulheres a tirar carta de motorista, a aprender o japonês, e se estabelecerem num emprego bom, pois quanto menos dependerem do marido melhor. Muitas são 100% dependentes e, quando se veem sozinhas, não sabem como agir.

A mulher é tão poderosa que ela pode afundar um homem, como também pode fazer dele uma pessoa melhor. Aquela história de que por trás de um grande homem sempre tem uma mulher, eu concordo em partes, pois acredito que tenha sim uma grande mulher, mas não atrás, e sim na frente, pois é ela quem puxa o homem, é ela quem comanda, podem reparar. E aquele homem fracassado, que tudo o que faz dá errado, geralmente tem uma mulher âncora do seu lado, aquela pessimista que o desanima e desencoraja.

Portanto, mulheres, usem a cabeça e mantenham o foco! E é isso que faz a diferença na vida de todos!

 

ERIKA TAMURA

ERIKA TAMURA

nasceu em Araçatuba e há 18 anos mora no Japão, onde trabalha no Serviço de assistência aos brasileiros no Japão da Ong chamada Sabja

E-mail: erikasumida@hotmail.com
ERIKA TAMURA

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