ERIKA TAMURA: Notícias falsas, vamos prestar atenção!

Gostaria de usar o espaço da minha coluna no jornal dessa semana, para um alerta: “Pessoal, vamos prestar atenção na veracidade das notícias antes de compartilhar!”. É um apelo, por favor!

Vi nas redes sociais, uma notícia, cuja a fonte era de uma revista muito conhecida, onde dizia sobre um terremoto de 6,2 graus no Japão, na semana passada, e ainda constava uma foto de um chão rachado. Tudo mentira! O Japão passa por abalos sísmicos diariamente, mas não houve nenhum na semana passada com esse número alarmante, e outra, a foto usada na matéria, é do terremoto de 2011, aquele do tsunami…

Com certeza é um apelo informativo, em busca de visualizações a todo custo, mas para mim e tantos outros brasileiros que vivem no Japão, e tem família no Brasil, isso pode ser devastador, perigoso e impactante demais!

Acordei com uma mensagem da minha amiga, preocupada comigo, pois ela tinha lido sobre o “acontecido” que a famosa revista noticiou. Eu, como tinha acabado de acordar, meio que sem entender nada, respondi que estava tudo bem. Só fui entender o motivo da preocupação dela, depois que vi o vídeo da youtuber Elisa (Elisa no Japão). Onde a própria Elisa, fala no vídeo sobre a idoneidade da notícia.

Portanto, eu peço, aliás, eu imploro, antes de compartilhar e passar para frente cada matéria sensacionalista, vamos verificar a fonte, estudar os acontecimentos reais, pois a disseminação de falsas notícias podem trazer consequências inimagináveis.

Tenho família no Brasil (pai, mãe, filhos, primos, tios e avô) imaginem a situação, eles lendo uma notícia dessa, causando um pânico generalizado e uma preocupação totalmente desnecessária.

Aí quando acontecer de verdade, vão demorar para acreditar na veracidade de cada matéria. Pondo em risco a total credibilidade na mídia, principalmente aquela que se diz “séria”.

O pior é que o título diz uma coisa, e no decorrer da matéria, deparamos com outro tipo de informação, ficando algo tão dúbio e sem nexo, que chega a dar nó no cérebro de quem lê.

Claro que a mídia tem que ter responsabilidades quando lança uma notícia pro público. Tem que se ter a noção exata do público alcançado e de onde irá rebater.

Antes de escrever cada palavra nos meus artigos, eu penso, repenso, cada informação é minuciosamente estudada e sempre busco as fontes das fontes, para ter certeza de que não vou dar um furo jornalístico sem embasamento e sem nexo.

Mas a internet veio para isso, e é usada para o bem e para o mal, portanto cabe a nós, leitor e cidadão filtrar o que tem que ser agregado e descartar o que não interessa. E o que não interessa são as notícias falsas, apelativas, com títulos chamativos e com zero de conteúdo.

A busca por números altos de visualizações está extrapolando a ética. Se é que se existe alguma para esse tipo de pensamento. Para mim, parece mais uma prostituição de notícias em busca do sucesso a todo custo. Onde o que importa são os números altos de acessos nas páginas, e não a qualidade e veracidade do conteúdo.

Cadê a responsabilidade jornalística? A seriedade? Pior é quem compartilha e acha que sabe mais que todos.

Uma triste realidade…

Agora entendo o grande número de analfabetos funcionais no Brasil, afinal, um país onde nem os jornalistas sabem elaborar um título condizente com o texto e realidade, não pode ser levado a sério não é mesmo?

Exatamente por isso, precisamos ser seletivos em tudo. Vamos nos informar? Sim, desde que a fonte trabalhe com idoneidade das informações. E que a principal função da mídia seja informar, pelo simples ato de informar o seu povo, e não buscar o maior número de visualizações. Espero sempre que, quantidade e qualidade possa andar lado a lado, e nunca, jamais, a necessidade da quantidade, ultrapasse os limites da qualidade.

Cuidado com o sucesso a qualquer preço!

ERIKA TAMURA

ERIKA TAMURA

nasceu em Araçatuba e há 20 anos mora no Japão, onde trabalha no Serviço de assistência aos brasileiros no Japão da Ong chamada Sabja

E-mail: erikasumida@hotmail.com
ERIKA TAMURA

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