ERIKA TAMURA: O condomínio de Yokohama

Esses meus dias aqui no Brasil tem sido proveitosos, mas também tenho observado muita coisa, e é difícil não usar o Japão como parâmetro em vários pontos de vista.

Recentemente em Yokohama, na província de Kanagawa, a imprensa japonesa deu muita ênfase para um caso ligado a área imobiliária. Um condomínio de apartamentos residenciais, será totalmente demolido e refeito porque descobriu-se que há um desnível de 2 centímetros.

O complexo residencial tem no total 705 apartamentos e está localizado no bairro de Tsuzuki, na cidade de Yokohama. O problema foi identificado em novembro de 2014, quando moradores perceberam um vão entre corrimãos nos corredores. (O complexo é composto por quatro edifícios e o que está afundando é o do meio).

O que aconteceu exatamente foi um problema estrutural do prédio, óbvio! Mas como deixaram isso acontecer ninguém sabe. Especula-se até uma falsificação de documentos no número de estacas e concretagem de base na estrutura. Alegam que foi erro de um único funcionário…

A verdade é que houve um grande reboliço no mercado de construção civil no Japão, pois tudo isso que aconteceu envolve duas empresas renomadas no Japão. A Asahi Kasei, que executou a obra e a Mitsui Fudosan que vendeu os apartamentos.

A credibilidade das duas empresas são incontestáveis dentro do Japão. Possuem credibilidade, estabilidade, anos de experiências, e tudo mais. Mas são empresas japonesas, atuantes no Japão. O Japão é um país que não permite erros, existe a chance do perdão sim, desde que se cumpra todo o requisito para que seja perdoado, uma vez perdoado, jamais será esquecido. A rigorosidade do olhar crítico japonês, faz com que todos tenham que provar que são excelentes todos os dias. Eu já senti isso na pele quando trabalhei no centro de pesquisa de tecnologia. Não adianta eu ser ótima no que eu faço, e manter uma certa constância na excelência, tem que se provar isso todos os dias. Um erro pode ser fatal e jogar toda a sua história no lixo.

Você é excelente no que faz? Ôtimo! Excelente por hoje, mas amanhã veremos se isso continua.

No caso da Asahi Kasei e da Mitsui Fudosan, eles estão correndo atrás do prejuízo e tentando consertar o estrago. A Mitsui já declarou que irá reconstruir totalmente o complexo, indenizará os moradores, arcará com alojamentos temporários e depois entregarão os apartamentos aos moradores.

Tudo isso para tentar diminuir o estrago em torno de sua reputação.

Esse respeito com o cliente, e esse tipo de comprometimento profissional são características que não vi no Brasil. Em nenhuma área. Fico imaginando se isso acontecesse no Brasil, certamente o prejuízo não ficaria com as empresas envolvidas na obra.

Valores e visões diferentes para o mesmo problema.

 

 

 

ERIKA TAMURA

ERIKA TAMURA

nasceu em Araçatuba e há 18 anos mora no Japão, onde trabalha no Serviço de assistência aos brasileiros no Japão da Ong chamada Sabja

E-mail: erikasumida@hotmail.com
ERIKA TAMURA

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