ERIKA TAMURA: O hábito da leitura

Estou lendo um livro que diz sobre as etapas para se redigir um bom texto, praticamente um guia de escrita, e não tem segredo nenhum para escrever bem, a única dica realmente é ler, ler muito.

Fiquei pensando sobre tudo isso que li no livro, porque o brasileiro em si não tem muito o hábito de ler, ao contrário dos japoneses e europeus. Quando se fala em livros no Brasil, alguns ainda torcem o nariz e não se sentem nem um pouco encorajados para curtir uma leitura.

Eu, particularmente adoro. Prefiro um livro a um filme. Tanto é que em casa fiz o cantinho da leitura, tudo bem confortável, onde me sinto bem para relaxar, lendo um livro, um artigo, uma revista, um jornal, até mesmo um gibi.

Quando começo a pensar, vou fundo nas minhas reflexões, percebi que a causa de todos os problemas (ou a maioria deles), pode estar relacionado ao fato dos brasileiros não lerem muito. Sem a leitura, o vocabulário empobrece, as ideias não aparecem, a mente não abre, as informações não chegam…

Percebi que a comunidade brasileira no Japão, sofre de uma carência linguística. A maioria dos brasileiros não aprendem o japonês corretamente e esquecem o português. E aí o que acontece?

Basta entrar nas redes sociais para se ter uma ideia do que eu falo.

O português da maioria é sofrível, para não dizer pior. Dificilmente eu vejo uma postagem de alguém que mora no Japão sem o erro de português. E isso é triste.
naFico mais preocupada com a nova geração, que mal falam português e sabem o japonês do cotidiano apenas. E olha que escuto muitos pais dizendo que os filhos são bilingues! Na minha opinião não são! Bilingue para mim é aquela pessoa que domina 100% os dois idiomas, capaz de escrever um texto impecável tanto em português como em japonês, o que infelizmente não acontece.

E quando não se tem o domínio do idioma, acontecem problemas de comunicação, com certeza! Por isso que existe muita intriga e briga nas redes sociais, os brasileiros são incapazes de interpretar um texto sucintamente.

Quem mal lê, mal escreve e mal fala. Está tudo interligado, tente colocar a leitura como um costume habitual no seu cotidiano, perceberá que o mundo ficará mais claro, e quem sabe não é essa a chave da porta dos seus sonhos?

Na revista Alternativa dessa semana, li um artigo do Ewerthon Tobacce que vem bem a calhar com o que eu falo, ele dá dicas para que a leitura torne-se um hábito gostoso. Dicas que deveriam ser regras para a comunidade brasileira no Japão.

Posso parecer intransigente com o que escrevi, ou que estou criticando, mas na verdade é uma constatação, espero que ninguém se ofenda, mas é só parar para pensar, e ver com outros olhos o que relatei.

Dicas, são para todos, mas nem todos irão ouvir. No entanto, aquele que pegar a dica e tornar isso em oportunidade de crescimento, é a pessoa que fará a diferença na sociedade.

É como as palestras que eu dou, pode ser que ninguém escute, mas se eu conseguir fazer com que uma pessoa mude, já estarei feliz. Missão cumprida.

Sempre falo isso para os meus filhos, infelizmente não é todo mundo que pode estar no topo da pirâmide social, mas com certeza, eu darei todas as ferramentas para que vocês cheguem lá. Não quero um dia, perceber que meus filhos tinham potenciais para fazer a diferença e não conseguiram porque eu não os preparei adequadamente.

Aliás fico muito feliz quando eu pergunto o que meus filhos querem de presente e eles falam: “Livro”! Meus olhos se enchem de lágrimas, pois consegui implementar esse hábito no dia a dia deles.

E dessa vez comprei livros em três idiomas: português, japonês e inglês, porque é assim que eles irão se desenvolver. E não são livros de leitura fácil, são livros de sociologia, política, história do

Japão e da Europa e psicologia.

O incentivo tem que vir dos pais, exemplo é um dos papéis fundamentais da hierarquia. Não tem como questionar. Meus pais sempre leram muito, e acredito que não exista presente melhor para o meu pai, livros.

O que vejo numa maneira geral, mas bem superficialmente falando, é que a maioria lê apenas o título de uma notícia, tira conclusões precipitadas e comentam com ofensas, esse tipo de prática é o que mais vejo nas redes sociais, e o pior, compartilhando o ódio de uma maneira tão errada mas com uma convicção que chega a ser perigosa.

A internet tem esse poder, de dar voz para o leitor, criando assim uma ponte de interlocução, que dá a sensação de que dá para interagir, mas cuidado. Falando em internet, por quê não usá-la como uma ferramenta a mais para ajudar na leitura. Para quem não gosta de livros, uma boa opção é ler artigos diretamente de sites confiáveis, é assim que se inicia a formação de opinião. Acho tão triste a pessoa desperdiçar o tempo com algumas bobagens, pois a leitura pode servir como uma válvula de escape para o cansaço também.

Um dos hábitos dos japoneses é frequentar grandes livrarias, em Tóquio eu descobri algumas, que são belíssimas e com acervos literários encantadores, geralmente tem um café no mesmo espaço, aí é pedir para eu me perder no tempo ali, e esquecer de voltar pra casa.

 

ERIKA TAMURA

ERIKA TAMURA

nasceu em Araçatuba e há 18 anos mora no Japão, onde trabalha no Serviço de assistência aos brasileiros no Japão da Ong chamada Sabja

E-mail: erikasumida@hotmail.com
ERIKA TAMURA

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