ERIKA TAMURA: O meu ambiente de trabalho!

 

Como muitos leitores me perguntam sobre a minha vida profissional no Japão, hoje escreverei sobre a importância de um bom ambiente de trabalho.

Aqui no Japão, já trabalhei em lugares com um péssimo ambiente, lugares onde o profissionalismo não conta e o que acaba se sobressaindo é a inveja, a fofoca, a falsidade, a vontade de levar vantagem em tudo, enfim, tudo o que contribui negativamente para o insucesso.

Eu via aquele clima e me perguntava, por que os brasileiros são tão desunidos? Por que essa briga entre si? Brigas banais, por hora extra, por vontade de ser líder de linha! E eu pensava, eu quero mais pra minha vida! Não quero isso para mim.

E depois de estudar e batalhar muito, consegui me tornar pesquisadora num centro de pesquisa de tecnologia, analiso o ambiente de trabalho atual e vejo como sou feliz! Faço um comparativo, inevitavelmente, e consigo perceber cada ponto de diferença existente entre o meu antigo emprego e o atual.

E esse clima de paz, que me faz sentir prazer em trabalhar feliz todos os dias, só é possível por um fator que considero o grande diferencial de tudo: a forma de liderar! O meu chefe e o presidente da empresa, sempre ressaltam a importância do bem estar do funcionário, isso significa que somos tratados com dignidade. Em momento nenhum fui discriminada por ser estrangeira, aliás o meu chefe faz questão que o tratamento dado aos japoneses seja igual para mim, sem a distinção de nada! E acho até que prezo por algumas regalias, como por exemplo, na hora de entregar o relatório, como não estudei no Japão, o meu texto sempre tem algum erro de grafia, e o meu chefe diz que não tem problema nenhum! O importante é que eu fiz! E ele entende todas as minhas dificuldades, pois ele morou durante 7 anos nos Estados Unidos da América e passou por dificuldades semelhantes.

O presidente da empresa, apesar de carregar o cargo de CEO, sempre ressalta que ali dentro do centro de pesquisa não há hierarquias, ele pede para que os funcionários não o veja como superior, e sim como um líder orientador. Ele faz questão de dizer que somos todos iguais, e que ele não precisa de um tratamento melhor porque ele é o presidente, e sim que todos sejam tratados como se todos fossem os donos da empresa, ou seja, com respeito mas sem a barreira que divide o líder e seus liderados.

E tudo isso é visível pela disposição das mesas no escritório, a mesa do presidente fica bem em frente a minha mesa, ao lado está a esposa do presidente, que trabalha normalmente, sem nenhuma regalia a mais, ao meu lado está a secretária, e do outro lado o chefe. Tudo harmoniosamente, onde trabalhamos, cada um desempenha o seu papel, mas também conversamos de assuntos variados, num clima totalmente harmonioso.

Nas empresas brasileiras, o presidente da empresa, teria uma sala só para ele, com uma secretária exclusiva para lhe servir.

Essa diferença, no meu ponto de vista como funcionária, nos passa uma maior segurança. Pois eu sei que em qualquer momento, eu posso contar com o chefe, ele está ali, para me apoiar. Como ele mesmo disse, para orientar, e nunca mandar. Em contrapartida, o chefe sabe que pode contar comigo sempre, confiar em meu trabalho, mesmo que eu não saiba, vou procurar saber, vou dar um jeito de realizar a tarefa, pois para mim, missão dada é missão cumprida.

Um ambiente de trabalho ruim, um chefe estressado, uma liderança unilateral onde só há cobranças, torna o melhor emprego do mundo, no pior e mais desgastante serviço que existe, e nesse caso, não importa o quanto seja o salário, sempre será pouco.

Essa forma de liderança, usada no centro de pesquisa onde trabalho, pode não ser correta, nem a melhor, nem a padrão, mas é a que funciona ali! Pois não vejo ninguém estressado, e ninguém reclamando de nada. A realização profissional também engloba um bom ambiente de trabalho.

Uma vez, a cada três meses, todos param o serviço e vamos podar o jardim da empresa. TODOS!! Inclusive o presidente e o chefe, e colocam a mão na massa mesmo, pegam o cortador de grama, catam o lixo, varrem, suam a camisa! Qual funcionário que ao ver isso, vai ficar parado? Qual funcionário não veste a camisa da empresa, vendo os seus superiores trabalhando assim? O líder, consegue respeito com as suas atitudes, e não com as palavras! E como diz o meu chefe: “As pessoas querem exemplos para seguirem, e não ordens para obedecerem!”

 

 

 

*Erika Tamura nasceu em Araçatuba e há 15 anos mora no Japão, onde trabalha com desenvolvimento de criação. E-mail: erikasumida@hotmail.com

 

 

 

 

 

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2 Comments

  1. Que maravilha de relatório !!! Muito grato pelo compartilhamento !

    1o-Comentario : Quanto ao primeiro ambiente descrito…supomos que todas as instituições fortemente sujeitas ao sistema financeiro internacional….apresentem esses sintomas de degradação humana…pois isso faz parte do jogo de tal dominação devastadora…

    2o-Comentario : O segunda relato descreve um exemplo de empresa RE-HUMANIZADA…onde não existe um fantoche dos demonios internacionais do FMI…um capataz tirano…encarregado de chicotear as costas dos ….humanos-escravos…

    Omedetoo…arigatoo gozaimashita repooto wa ii desu yo !!!!!
    ac
    8日5月2013年

  2. É isso ai Erika….por isso nunca dividi espaço com os Brasileiros nas fabricas….boa sorte……

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