ERIKA TAMURA: O que estou achando do Brasil

 

Decidi retornar ao Brasil em maio, cheguei em junho, em julho voltei ao Japão, fiquei 2 meses e agora novamente estou no Brasil. E a pergunta que sempre ouço é: “O que você está achando do Brasil?”.

Vou responder neste artigo.

Estou amando o Brasil, agora mais do que nunca. Mas não me esqueci do Japão.

O Japão sempre vai ter um lugar no meu coração, amo demais, sinto até que o Japão é a minha casa e que sou turista no Brasil.

Mas o Brasil tem me surpreendido no bom sentido em vários aspectos, como por exemplo a escola da minha filha. Ela está indo em escola pública, e confesso que estou satisfeita, ensino de qualidade, profissionais competentes, desde professores até profissionais que trabalham na escola, e detalhe: em período integral.

Outro ponto que me chamou a atenção positivamente, a saúde. No exterior, a saúde no Brasil não é muito bem vista estruturalmente falando, mas eu não tenho o que reclamar do SUS. Como tenho asma, dependo de remédios caros para o controle da asma, e tudo isso a rede pública me atende gratuitamente. É demorado, é burocrático sim, mas mesmo no atendimento particular existem filas, o importante é ir consciente de que será necessária uma dose de paciência, mas que o resultado é eficiente.

Acho até que o sistema implantado no Brasil, o SUS, é melhor que do Japão, pois é totalmente gratuito, no Japão não existe isso, pois mesmo o seguro de saúde obrigatório do governo, o Kokumin Kenko Hoken, não dá 100% de atendimento gratuito, o usuário tem que pagar o equivalente a 30% dos gastos. E no Brasil é totalmente grátis, o que ocorre é uma má administração que inclui desvio de verba e corrupção em alguns lugares, e que o atendimento não consegue atender a demanda. Mas em cidades do interior como Araçatuba, acho o SUS muito bom. Tem ponto a serem melhorados, mas a ideia que eu tinha era de uma realidade muito pior.

A mesma coisa a educação, o Japão oferece ensino público a todos, mas mesmo sendo público, os pais têm que pagar um valor, mínimo, mas tem que pagar, referente a alimentação. E no Brasil não, é 100% gratuito mesmo.

Me falavam muito sobre as diferenças tecnológicas entre Brasil e Japão, mas confesso que não percebi isso não. Tudo o que o Japão dispõe de tecnologia para o varejo, o Brasil também dispõe, a diferença está no preço. No Brasil paga-se muito mais caro para se ter isso, mas tem!

Não acho que compensa ficar trazendo aparelhos eletrônicos, eletrodomésticos do Japão para cá, pois o Brasil possui tudo isso, e acho que compensa comprar no Brasil mesmo, afinal, conta-se com uma estrutura de assistência técnica e garantias, que os produtos japoneses que trazemos na mala, não possui.

Agora, não posso deixar de citar o aspecto social, o Brasil ainda está muito longe da perfeição. As diferenças sociais, geram uma violência assustadora.

São violências de todos os tipos e em todas as camadas sociais. Mas não dá para dizer que é culpa do Brasil, pois no Japão também existe violência, com proporções menores, mas existe.

Outro dia fui com a minha tia, na subprefeitura de Pinheiros, em São Paulo, e fiquei admirada com o atendimento exemplar com que fomos atendidas, desde o guarda da guarita, explicando o local de atendimento, até o encarregado que veio nos atender, com paciência e atenção. Não era essa a imagem que eu tinha de atendimento público no Brasil, mais um ponto convertido positivamente para o Brasil.

Isso me faz acreditar nesse país, mais do que nunca. Não somente por isso, mas vejo que o povo brasileiro está com vontade de mudar, está a espreita de novos ares, e essa vontade por renovação dá margens a esperança.

O Japão para mim é exemplar, não tenho o que reclamar, pois toda a minha bagagem de conhecimento eu devo ao Japão. Mas chegou a hora de trabalhar por um Brasil melhor, não é mesmo? Chegou a hora de por a mão na massa, e por que não usar o Japão como parâmetro para poder implantar os conhecimentos nipônicos e adaptar a realidade brasileira para que haja um desenvolvimento em potencial, mostrar ao mundo que o Brasil é um excelente país para se viver sim.

E respondendo a pergunta que todos me fazem: Estou me sentindo muito bem no Brasil.

 

 

 

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Erika-Tamura

Erika Tamura

nasceu em Araçatuba e há 15 anos mora no Japão, onde trabalha com desenvolvimento de criação. E-mail: erikasumida@hotmail.com

 

 

 


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