ERIKA TAMURA: O reencontro no Brasil

Andando por Araçatuba, num desses dias de sol e muito calor, encontro Dona Lourdes Goiatto, minha primeira professora.  E não é que a reconheci?

Faz muito tempo que quero reencontrar meus professores, lembro de cada um deles, a forma de falar, de ensinar, cada um com suas particularidades. E qual não foi meu espanto e minha alegria ao me deparar com Dona Lourdes. Fui correndo atrás dela e ofegante perguntei se era a professora Dona Lourdes, e ela respondeu que sim e logo emendou com espanto o meu nome. Felicidade pura!

Fico muito feliz quando encontro os meus professores, e posso conversar, trocar ideia, mesmo que virtualmente. Já escrevi sobre a minha admiração para com essa profissão, e agora torno a reforçar, que profissão divina! Existe um certo encanto em quem ensina, mas o encanto maior está nos olhos de quem aprende.

No  Japão tive a oportunidade de estar do outro lado, dei aulas de português para japoneses, e confesso que não foi nada fácil. O ato de ensinar vai além do conhecimento, e da didática, é praticamente um dom divino. O fato de eu ser a professora só serviu para que eu admirasse ainda mais os professores.

E todas as vezes que retorno ao Brasil, me delicio com os reencontros, desde os amigos e também dos professores.  Isso me remete às lembranças de quando cada professor parecia um membro da família, de tanto que convivíamos juntos.

Eu sempre observei muito, era atenta a tudo, e se hoje estou onde estou, uma grande parte da responsabilidade, vem dos meus professores.

Pena que é uma profissão com pouco reconhecimento financeiro no mundo atual, um fato totalmente injusto, visto que deveria ser a maior remuneração na escala profissional. Afinal, sem professores não haveria médicos, dentistas, advogados…

Na minha opinião, acho que deve ser muito gratificante para um professor ver que o seu aluno é um profissional de destaque. Mas também compartilho da ideia de que para o aluno é muito gratificante ver que o seu professor é um ser humano de destaque dentro da sociedade, pois possui o diferencial do conhecimento. E isso independe da condição financeira, independe de números em conta bancária, e depende sim do conhecimento, da sapiência, da bagagem cultural, ou seja, aquilo que o dinheiro não compra.

E por falar no que o dinheiro não compra, tenho que relatar a minha felicidade quando os meus professores me encontram e falam que tem orgulho de mim! Isso realmente não tem dinheiro que pague, não está na prateleira do mercado para vender. E Dona Lourdes me falou isso, assim como Quequei Cazerta, minha professora de inglês. É gratificante ouvir isso, mas mais ainda é ter a certeza que o caminho trilhado é o caminho certo. Quantas e quantas vezes a dúvida me pegou, e eu desejava naquele momento ter uma professora na minha frente para responder a minha pergunta: “Professora, que caminho devo seguir?”, e ela não estava lá…

Ter que tomar decisões sozinha não é o difícil, difícil mesmo é ter que arcar com as consequências dessa decisão, sozinha. E depois do caminho traçado, ouvir de seus mestres de que eles tem orgulho de você, é confirmar que todos os desafios valeram a pena.

E espero de verdade que continuem a ter orgulho de mim, pois vou fazer por merecer. Afinal, tive exemplos excelentes para me espelhar.

 

 

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Erika-Tamura

Erika Tamura

nasceu em Araçatuba e há 15 anos mora no Japão, onde trabalha com desenvolvimento de criação. E-mail: erikasumida@hotmail.com

 

 

 

 

 

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