ERIKA TAMURA: O uso consciente da água pelos japoneses

 

Recebei um e-mail do Sérgio Teixeira, repórter da Folha da Região de Araçatuba, e achei bastante interessante a abordagem e sugestão do tema para o artigo de hoje: “O uso consciente da água pelos japoneses”.

O Japão possui muitos rios sim, mas nenhum com a imensidão dos rios brasileiros, e por isso não há muito desperdício.

O que é contrastante com a época de agora, pois temos muitas plantações de arroz, onde no início parecem lagoas, devido a toda submersão do plantio nas águas. Mas essas águas usadas no cultivo do arroz, geralmente vem de poços artesianos ou algum córrego próximo que atende ao abastecimento.

E a meteorologia no Japão é muito exata, pois há períodos de chuvas constantes, chamados de tsuyu, mas também há períodos secos, mas não chega a ficar como no Brasil, escassos, à ponto da necessidade do racionamento hídrico.

O que eu acho mais importante é destacar que os rios japoneses não têm a força corrente dos rios brasileiros, não sendo viável a usina hidrelétrica. A energia elétrica japonesa é abastecida por usinas nucleares e termelétricas, que suprem a demanda tecnológica no qual o Japão é tão famoso. Eis um ponto onde se fala muito em racionamento, a energia elétrica. Quando chega o verão, o consumo de energia triplica no Japão, o que fez com que o governo lançasse a campanha do “setsuden”, ou seja economia de energia elétrica.

Os japoneses não desperdiçam água, essa história de lavar o quintal aqui não existe, eles passam pano em tudo. Banho dos japoneses é de ofurô, e o chuveiro é usado somente para se lavarem e bem rapidamente. Depois entram no ofurô onde a mesma água é usada por todos da família.

Em algumas casas existe até um sistema de aproveitamento das águas do ofurô para lavar roupas, integrando o banheiro com a máquina de lavar. A minha máquina de lavar mesmo, tem um sistema de armazenamento de água que consiste no aproveitamento da água utilizada. E realmente percebo que o consumo é bem baixo.

Desde muito novos, os japoneses já aprendem a lidar com a conscientização para o não desperdício tanto de água, como de energia elétrica. Então, desde a escola, as crianças são educadas para que não esbanjem um bem precioso, e que possa fazer falta futuramente.

Nos banheiros, as descargas geralmente têm dois tipos de fluxos de água, um que sai pouca água e outro que sai muita água, e assim usa-se somente o necessário.

São detalhes mínimos, mas que somados diariamente, um a um, fazem a diferença no tal do impacto ambiental.

No Brasil, se a conscientização estiver presente na vida de todos, já é um grande começo, mas acho bem difícil comparar, pois são culturas diferentes.

Muitas vezes o que os brasileiros fazem com naturalidade, os japoneses podem encarar como um absurdo, e vice e versa.

 

 

 

 

Erika Tamura

nasceu em Araçatuba e há 15 anos mora no Japão, onde trabalha com desenvolvimento de criação. E-mail: erikasumida@hotmail.com

 

 

 

 

 

 

 

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One Comment

  1. Excelente matéria, Erika Tamura san.
    Tive a sorte de ter pais japoneses imigrantes e ter aprendido a não desperdiçar o que é útil e necessário, como a água. Creio que, aos poucos, todos estarão se conscientizando de seu uso correto.

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