ERIKA TAMURA: Palestra na Universidade de Hokkaido

 

Sábado passado, fui convidada para assistir uma palestra na universidade de Hokkaido. Com o tema: O que vamos deixar para o futuro. Os palestrantes foram: Norberto Shinji Mogi e Victória Kupuchin.

Mogi é brasileiro, morador da província de Kanagawa e empresário no ramo de construção civil.

Victória é russa, está há 5 anos no Japão como estudante da Universidade de Hokkaido.

 

 

Norberto Shinji Mogi, desempenhou importante papel solidário no Japão, após o tsunami. Com a sua vontade de ajudar, partiu para as áreas atingidas pelo tsunami e munido com os maquinários de sua empresa, ajudou na limpeza das cidades. Detalhe: voluntariamente, sem cobrar um centavo pelo trabalho. E foi exatamente sobre esses trabalhos voluntários que Mogi falou durante sua apresentação. Regeu a palestra com tanta maestria que ao final todos os participantes estavam com lágrimas nos olhos. Afinal de contas foi um trabalho no mínimo magnífico, onde Mogi mostrou que a vontade de ajudar somada a atitudes certeiras, tomadas em um momento de caos, onde visa-se somente o bem estar social e emergencial do momento, tem como resultados além do benefício, o reconhecimento por tamanha hombridade.

Com palavras e demonstrações em slides, Mogi demonstrou toda a realização de um trabalho que ultrapassou as barreiras incólumes, acreditando apenas no que é possível fazer e aos poucos percebendo que o impossível é apenas um ponto de vista, muitas vezes facilmente transponível, mas pela comodidade ninguém tem a coragem de realiza-los.

Hokkaido faz parte de Tohoku, a região atingida pelo tsunami, por isso o interesse do público presente nos trabalhos de Mogi.

Em algumas horas de palestra, aprendi uma lição de vida. Provavelmente se eu for colocar tudo no papel, seria necessário 4 semanas de colunas do jornal abordando o mesmo assunto, e mesmo assim tenho certeza que prenderia a atenção de todos os leitores. Hoje abordarei apenas a palestra, deixando a história de Mogi para uma próxima vez, se assim me autorizar.

Victória discorreu sobre um assunto de muito interesse para a comunidade brasileira no Japão: a educação das crianças brasileiras no Japão. Achei interessante essa abordagem, pois existe um problema real na identificação educacional das crianças brasileiras que aqui vivem. Sempre há a dúvida qual escola é a melhor? Escola brasileira ou escola japonesa?

E a resposta depende muito de qual é o objetivo dos pais, se querem morar no Japão ou se um dia retornarão ao Brasil, mas a grande dificuldade está em encontrar essa resposta, muitas vezes os pais não sabem concretamente a resposta dessa pergunta. Ou muitas vezes, durante o percurso da vida, o caminho se desvia para outro lado, e o foco não é mantido. E quem sai prejudicada nessa história toda são as crianças. A minha filha recebe educação nas duas escolas, frequenta a escola japonesa e a brasileira. Puxado, mas vale a pena. Hoje em dia é importante a fluência nas duas línguas.

Victória fez uma apresentação contundente, com dados e números que demonstram que há a necessidade de uma atenção especial nesse quesito.

Dois palestrantes de nível altíssimo, com experiências enriquecedoras. Quem participou sabe do privilégio em presenciar o momento e com isso enriquecer sua bagagem de conhecimentos.

Tenho a absoluta certeza que se pelo menos 1% da população mundial pensasse como o Mogi, muitos problemas deixariam de ser problemas e seriam facilmente solucionados. Em um mundo onde o capitalismo corrompe pessoas e as amizades são compradas, me deparo com uma pessoa como o Mogi e vejo que ainda há esperanças para um mundo melhor.

Eis aqui, dois pontos em que vivo martelando, e muitas vezes sou criticada por sempre falar no mesmo assunto, mas solidariedade e educação podem mudar o mundo! A atitude de Mogi, pode não ter mudado o seu mundo, mas para as pessoas que ele ajudou, ele construiu uma nova perspectiva de mundo , e tenho a convicção de quem ganhou mais foi ele, pois o mundo dele com certeza é muito melhor depois da experiência nas áreas atingidas pelo tsunami. E o outro ponto, a educação, já está mais do que provado que a educação se faz necessária para o desenvolvimento de uma nação. Portanto, palestra perfeita, com temas apropriados e enriquecedores.

Encerro o artigo com palavras do palestrante Norberto Shinji Mogi: No momento em que pequenas atitudes se tornarem regra geral e não a exceção, tenho certeza de que teremos um lugar melhor para vivermos!

*Erika Tamura nasceu em Araçatuba e há 15 anos mora no Japão, onde trabalha com desenvolvimento de criação. E-mail: erikasumida@hotmail.com

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4 Comments

  1. Estou ansioso para terminar minha faculdade de arquitetura,porque tenho um sonho de ajudar e inovar nas construções no Japão e se preciso farei como Norberto farei grande parte dos trabalhos voluntariamente!

  2. Cara Erika, parabéns pela sua bela coluna e obrigado pelas palavras em seu artigo.
    Todo ser humano veio para esse mundo com uma missão à cumprir. Essa missão não é explicita e não está escrito em um manual. A única maneira de descobrí-la é abrir o nosso coração. No momento em que as pessoas perceberem isso e tiverem a consciência de que deixar esse mundo um pouco melhor, do que quando aqui chegaram, teremos um lugar mais justo para morar.

  3. Parabens pelo belo trabalho. Tenho acompanhado suas atividades desde o começo. Pessoas como você fazem deferença na vida de muitas pessoas.

  4. O mundo poderia ter mais pessoas como o Norberto. Parabéns pelo lindo trabalho. Você me faz ter orgulho de ser brasileira.

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