ERIKA TAMURA: Prática da Resiliência

 

Resiliência é a capacidade de um material de suportar tensões, pressões, intempéries e adversidades. Ademais, é a capacidade de se esticar, assumir formas e contornos para manter sua integridade, preservar sua anatomia, manter sua essência.

E a resiliência tem se tornado requisito fundamental para o sucesso profissional. Já tinha falado em outros artigos, que para superar a crise econômica aqui no Japão, precisei de muita flexibilidade, e a utilização de resiliência veio necessariamente na prática, para reforçar o meu ponto de vista.

Na minha opinião, as oportunidades para os brasileiros no Japão vem afunilando-se a cada dia pois além de enfrentarmos vários desastres naturais, ainda temos a oscilação econômica que nos deixa numa situação desfavorável, além da eminência da aprovação de uma nova lei que permitirá a entrada de novos estrangeiros para a prestação de serviços no Japão, e com isso os brasileiros precisam se preparar para uma nova etapa de concorrências pelo melhor emprego. E é nessa hora que entra o código da resiliência, temos que enfrentar as adversidades do mundo atual, com muita garra, mas com uma flexibilidade para não perdermos, e resilientemente venceremos qualquer tipo de barreira.

Ou será que alguém conhece outra forma de enfrentar uma situação adversa com real chance de vitória, sem ser resiliente? Quem souber, por favor ensine-me…

Nesses 16 anos de Japão, já passei por situações que foram verdadeiras provas de resiliência, mesmo antes de eu descobrir o significado dessa palavra, a ação resiliente já fazia parte do meu cotidiano há muito tempo.

Não consigo viver na estática. Quando penso que alcancei meu objetivo e estou pronta para desacelerar, eis que surgem outras idéias e a minha vida volta a ser uma loucura novamente. Atualmente tenho 2 empregos, e ainda acumulo o cargo de mãe, voluntária, entre outras funções, e todos perguntam-me como consigo dar conta de todas as minhas tarefas, e eu respondo: Resiliência!

Muitos brasileiros residentes no japão, não sabem o significado dessa palavra, nem sequer ouviram, mas na prática já utilizaram muito o codigo da resiliência, afinal, o simples fato de atravessar o mundo e vir morar no Japão, sem o domínio do idioma e sem nenhuma noção cultural do país local, realmente é necessário ter muita resiliência para isso.

E a tendência dentro do mercado de trabalho é que a resiliência torne-se requisito principal no currículo de um candidato que almeje um bom emprego.

Eu percebi também, que não há nenhum treinamento para essa condição, simplesmente há a crise e temos somente duas opções: superá-lo ou superá-lo, então automaticamente o nosso inconsciente trabalha esse mecanismo que é muito mais uma defesa do que um ataque.

Eu adoro um desafio, e estamos num momento delicado dentro da economia japonesa, mas mesmo assim não sinto-me nem um pouco desanimada nem desencorajada a lutar pelos meus objetivos aqui no Japão, simplesmente defini uma meta e estou correndo atrás. Mesmo porque se tivesse desistido de tudo já estaria no Brasil há muito tempo, pois tive momentos desanimadores por aqui, e na maioria das vezes esses momentos foram proporcionados por brasileiros mesmo, que agem movido pela inveja e ganância, e adivinhem o que fiz? Fui resiliente até o ultimo minuto.

Muitos perguntam-me porque ainda estou no Japão, a resposta é porque sinto que ainda tenho muito o que fazer aqui, e sentiria-me uma derrotada se retornasse agora para o Brasil. Mas se tiver que retornar ao Brasil, não tem problema nenhum, eu sei ser resiliente, é só colocar em prática no Brasil também. A resiliência é universal. Sabendo usa-la poderemos enfrentar qualquer adversidade em qualquer lugar do mundo. Isso é evolução humana.

Já foi o tempo em que para um bom emprego bastava uma boa faculdade, hoje em dia o mundo exige requisites mais fortes e ágeis, sem tempo para discutir uma frescura ou capricho, somos treinados na vida para enfrentarmos resilientemente situações com as mais inesperadas adversidades, e o melhor de tudo: sobressair-se bem em todas elas.

Nós dekasseguis temos que nos orgulhar de nossa bagagem humanitária, que engloba muito mais que bens materiais, envolve o ser humano e toda a sua complexidade, e que  traz evolução. O mundo exige resiliência por parte de todos, então vamos à luta!

 

 

Erika Tamura

nasceu em Araçatuba e há 15 anos mora no Japão, onde trabalha com desenvolvimento de criação. E-mail: erikasumida@hotmail.com

 

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