ERIKA TAMURA: Queda da natalidade no Japão

Mais uma vez, minha filha dando show.

Domingo passado foi dia de oratória em japonês  no Nipo de Araçatuba, minha filha Melissa, participou. Até aí nada de mais, o que me surpreendeu de fato, foi o tema: Shoshika, ou seja, queda da natalidade da população japonesa.

Vou aproveitar esse tema que a Melissa levantou, e vou falar também sobre a consequência da queda de natalidade, que é o envelhecimento da população japonesa que tem ultrapassado o número de jovens e crianças.

A queda da natalidade do povo japonês, tem várias justificativas, uma delas é que o povo japonês não pensa mais em casamento, e quando casam a média de filhos giram em torno de um ou no máximo dois filhos por família.

Na verdade, eu nunca tinha reparado nisso, só fui ter certeza quando tive acesso aos  dados do governo japonês, e conversando com pessoas ligadas ao assunto, pois quando saio as ruas, vejo uma grande quantidade de crianças, bebês e grávidas. Mas se parar para pensar e prestar um pouco de atenção o número de idosos é proporcionalmente maior, isso porque ainda tem os idosos que não se vê nas ruas, ou estão em casa ou em asilos e hospitais.

O governo japonês percebeu que a longo prazo, a queda no número de natalidade poderia prejudicar a economia japonesa e dar um contrapeso e uma consequente desestabilidade no sistema previdenciário. E é o que está acontecendo hoje. O Japão tem muito mais idosos recebendo aposentadoria do que a população ativa que sustenta o sistema previdenciário, com isso a engrenagem não funciona como deveria. O governo tem buscado inúmeras soluções e lançado medidas para suprir essa demanda, e com isso, tem colocado dinheiro numa área que não é auto-sustentável.

Devido a tudo isso, as novas medidas têm englobado até mesmo a mão de obra estrangeira, como nós, brasileiros. Eu sempre quis contribuir com o seguro social do governo japonês, mas logo que cheguei no Japão, essa obrigatoriedade não se estendia aos brasileiros. Atualmente entrou em vigor uma nova lei que exige a obrigatoriedade de todos os trabalhadores no Japão, no seguro social do governo japonês.

E ainda mais medidas estão por vir, não sei quais, mas o governo japonês não pisa em ovos, e enquanto estamos pensando como é o Japão, eles já pensaram duas vezes o que fazer, e quais as consequências de tais atitudes.

A família japonesa, recebe uma ajuda financeira para cada filho nascido, essa foi uma das maneiras para incentivar o aumento da natalidade no Japão. Mas o povo japonês é receoso, percebeu que o custo de vida tem aumentado nos últimos tempos, e apesar do Japão ter uma economia quase que estável, os japoneses sabem que ter filhos não é uma tarefa das mais fáceis.

O ponto alto desse artigo, é que além de ser um informativo, ele me deixa muito feliz, pelo fato da minha filha ter abordado esse assunto, e ter falado isso em público, embora tenha falado em japonês, num concurso de oratória, ela conseguiu dar ênfase a um tema muito discutido no Japão, principalmente entre os grandes economistas ministeriais e governamentais.

A palavra orgulho me define neste momento. Bela abordagem, para um assunto atual e muito bem pautado.

Parabéns Melissa!

 

ERIKA TAMURA

ERIKA TAMURA

nasceu em Araçatuba e há 18 anos mora no Japão, onde trabalha no Serviço de assistência aos brasileiros no Japão da Ong chamada Sabja

E-mail: erikasumida@hotmail.com
ERIKA TAMURA

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