ERIKA TAMURA: Suíça e sua democracia ativa

Recentemente estive na Suíça, de férias. Fui passear, mas achei interessante a forma de governo suíço.

O governo da Suíça é constituído por sete membros, e a cada ano, um membro do conselho torna-se presidente. O presidente não possui tantos poderes e privilégios como no Brasil, tanto é que o presidente continua a administrar o seu próprio ministério. Na verdade, o exercício do poder depende da combinação de todos os outros poderes, como o parlamento (formado pela Câmara dos Deputados e o Senado), mais a democracia.

Aliás, a Suíça é conhecida pela sua característica democracia direta. A democracia direta  na Suíça dá a chance aos seus cidadãos de participarem diretamente nas tomadas de decisões, isto é, os cidadãos suíços podem propor legislações e também podem embargar as legislações já aprovadas pelo parlamento.

Qualquer cidadão suíço tem o direito de propor uma nova legislação. Para isso acontecer há um trâmite de recolhimento de assinaturas, em seguida, a proposta deverá ser submetida a uma votação a nível nacional.

Parece um mundo cheio de utopias, mas uma vez li num livro do Fernando Henrique Cardoso, que as utopias são necessárias, pois quando se visam um mundo utópico, a busca pelo melhor caminho torna-se mais viável.

Entendo que nesse momento, o Brasil está longe de qualquer aspecto político aceitável nos padrões normais, mas vejo uma luz no fim do túnel sim.

A Suíça é um país que me surpreendeu, fui para lá porque tenho uma amiga lá, mas sem grandes anseios de me surpreender, eu queria sim descansar, e ver a realidade de uma outra cultura. Mas o que vi me deixou muito satisfeita, pois é um país lindo, com uma qualidade de vida ótima para o seu povo.

O Japão não possui essa qualidade de vida que vi na Suíça. Claro que existe um padrão de vida qualitativo para alguns, mas não da forma igualitária que vi na Suíça.

São três países diferentes, Brasil, Japão e Suíça. Não quero e nem posso comparar, mas soube de alguns dados que me fizeram refletir: a Suíça é um dos países com um grande número de suicídios entre o seu povo, assim como o Japão. E suicídio para os brasileiros chega a ser quase que inconcebível, culturalmente falando. Qual o motivo para que haja um grande número de suicídios em países onde “aparentemente” a vida é mais tranquila?

Será que o fato do brasileiro ter que lutar constantemente pela sua sobrevivência, fez dele um povo que ama mais a sua própria vida? Pode ser que haja algum tipo de relação nesse aspecto. O fato real é que, país com economia e política estável pode não ser sinônimo de felicidade.

Anteriormente eu disse que vejo uma luz no fim do túnel do Brasil. Sim, eu vejo. Aliás, eu acredito nisso. Independente de qualquer frase partidária, não sou ligada a nenhum partido político, mas todos sabem que admiro muito o Fernando Henrique Cardoso. Assisti a sua entrevista recentemente, e não tem como negar: ele é muito culto.

A comunidade brasileira no Japão, não dá muita importância a educação, o que eu acho um erro. Tudo tem início na educação. Absolutamente tudo!

Uma vez, quando fui encontrar com FHC, começamos a conversar sobre a comunidade brasileira no Japão, onde ele, muito lúcido disse que achava um absurdo o brasileiro estar no Japão há tanto tempo e não ter se quer o interesse de aprender o idioma local. “É de fundamental importância que os brasileiros saibam pelo menos se comunicar no Japão, pois isso além de abrir muitas portas, é um caminho libertador”. Essas foram as palavras do ex-presidente.

Voltando ao assunto inicial, se colocarmos a Suíça com a sua democracia participativa no topo das utopias alcançáveis um dia, como poderemos ter um povo politicamente ativo, se não tiver educação? E não digo a educação sinônimo de acesso a escola ou universidade, mas sim aquela educação que se tem em casa. Aquela que vem com valores e é passada através de muita conversa entre pais e filhos. Talvez algum ele esteja sendo perdido nesse momento.

Sei que vou ser criticada por colocar o Brasil na mesma pauta de ponto de vista da Suíça e Japão. Mas se não mirarmos no excelente, nunca seremos bom.

Acredito no Brasil sim, pois já disse que o potencial humano do povo brasileiro é surpreendente, mas também existem casos que infelizmente ainda é uma exceção, mas poderá um dia virar regra geral, como a escola que minha filha frequenta no Brasil. Escola pública, integral, com ensino de qualidade, profissionais gabaritados e um padrão de qualidade acima da média.

É assim que gostaria de ver o ensino público brasileiro, acima da média.

O Brasilzão é um país ruim, muito pelo contrário é ótimo! Só tem que dar uma arrumada geral, que depois vai que vai.

 

 

ERIKA TAMURA

ERIKA TAMURA

nasceu em Araçatuba e há 18 anos mora no Japão, onde trabalha no Serviço de assistência aos brasileiros no Japão da Ong chamada Sabja

E-mail: erikasumida@hotmail.com
ERIKA TAMURA

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