ERIKA TAMURA: Treinamento para casos de desastres naturais

Essa semana participei de um treinamento para casos de desastres naturais. Isto é, uma simulação caso haja terremoto e suas consequências, como o incêndio por exemplo.

Quando ocorre o terremoto, o incêndio é um dos maiores causadores de mortes. Isto ocorre devido ao vazamento de gás, e qualquer faísca pode ser fatal neste caso.

Exatamente por esse motivo, o treinamento que participei consiste basicamente em ensinar a maneira correta de agir quando ocorrem os terremotos. Primeiramente proteger a cabeça, manter-se longe de janelas e vidro, dependendo da intensidade do terremoto, tomar cuidado com objetos que caem das prateleiras, e assim que possível, desligar a chave de luz elétrica para evitar quaisquer danos. Caso esteja na rua, tomar cuidado para não ser atingido por resíduos que caem de prédios, e também, primordialmente, proteger a cabeça.

Primeiramente, foi feita uma simulação de terremoto em uma sala que lembra uma casa, onde foi ensinado os procedimentos corretos para que no momento do terremoto não haja pânico. Depois passamos para uma sala onde parecia um cinema, com uma tela inacreditável de 180 graus, onde foi exibido cenas dos grandes terremotos que atingiram o Japão. Passei também por um grande simulador de terremoto, onde uma tela mostrava o ambiente em que ocorreu o terremoto, como por exemplo, Kobe, Tohoku. Também houve uma simulação de terremoto, se caso estivermos em um prédio alto, ou andando na rua. Realmente assustador.

Não tem como passar por toda essa simulação e não me lembrar de 2011, onde o terremoto seguido de tsunami atingiu a área de Tohoku, no norte do Japão. Confesso que ainda me abalo emocionalmente, pois foram dias de muita insegurança que passamos no Japão. Minha cabeça fica rodando a milhão, toda aquela sensação do terremoto, ainda hoje mexe comigo. Saí da simulação com uma tontura fora do normal, igualzinho o que senti em 2011.

Todos me perguntam o que sentia naquele momento, e eu respondo que a única coisa que eu consigo lembrar bem, é a sensação de que parecia que o chão iria se abrir a qualquer momento, bem ali, na minha frente. E os meus amigos do Brasil me perguntam, se mesmo assim , ainda acho seguro morar no Japão, pois respondo a todos que sim! Tanto acho seguro que, em nenhum momento pensei em ir embora do Japão por causa do terremoto.

O governo japonês oferece uma infinidade de treinamentos e preparação para esses casos. Esse centro de treinamento para a redução de riscos em desastres é um exemplo. Muito bem montado e estruturado, aberto ao público, totalmente grátis, só é necessário fazer reserva de horário. Lá podemos aprender a manusear o extintor de incêndio, o centro conta com uma biblioteca digital sobre o assunto, mapas da geologia e da posição geográfica do Japão também estão disponíveis, tudo em alta tecnologia. Isso que é incrível, o Japão disponibiliza o uso de tecnologia avançada para poder diminuir o impacto de um desastre natural. Afinal, temos que reconhecer que o Japão é um país que não tem paz, acontece de tudo: terremoto, maremoto, furacão, tufão…

Eu vi nas prateleiras em exposição no centro, alimentos enlatados e em saquinhos, que quando abertos, esquentam sozinhos devido a uma reação química, cobertores de alumínio que absorvem o calor e não deixam escapar, capacetes montáveis, que quando desmontados não ocupam espaço, rádios que funcionam a manivela, e ainda vêm acompanhados de lanternas. Enfim, uma infinidade de produtos próprios para serem usados em momentos críticos.

Sei exatamente o que é um pós terremoto, com um risco eminente de racionalização de alimentos.

É claro que vendo todo esse aparato, essa preparação, dá um certo medo. Aliás dá muito medo, pois o governo japonês sempre alerta sobre um possível grande terremoto que está para acontecer. Mas também não posso parar a minha vida para ficar pensando nisso, senão eu piro. O que está ao meu alcance de ser feito, farei com certeza. Treinamentos, estoques de alimentos, kit terremoto, documentos em lugares de fácil acesso, tudo isso é real.

O que posso dizer com certeza, que quando o terremoto acontece mesmo, todo o treinamento fica no esquecimento, pelo menos para mim. Se for fraco, tudo bem, mas se for mais forte, o meu lado brasileiro sempre vai falar mais alto. Vou sair correndo, vou entrar em pânico, vou ficar insegura…

Mas fiz a simulação, agora tenho uma ideia de pelo menos como devo agir.

O link para conhecer o centro de treinamento para a redução de riscos em desastres é: http://bo-sai.city.yokohama.lg.jp/lang/en/

Fica em Yokohama, na província de Kanagawa. Mas em todas as províncias tem um local como esse para os treinamentos.

 

ERIKA TAMURA

ERIKA TAMURA

nasceu em Araçatuba e há 18 anos mora no Japão, onde trabalha no Serviço de assistência aos brasileiros no Japão da Ong chamada Sabja

E-mail: erikasumida@hotmail.com
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