ERIKA TAMURA: Urawa Reds x Chapecoense

Sim, eu gosto de futebol! Quem me conhece sabe que eu adoro assistir um bom jogo de futebol, gosto de conversar, acompanhar, ouvir…

Assisto a vários jogos, me interesso pelo assunto, e isso não me faz menos corinthiana, muito pelo contrário, o meu amor pelo Corinthians só aumenta, independente do resultado de cada jogo.

 

Foto: Massayuki Tamura

 

Muitas pessoas que não gostam de futebol, não entendem esse meu “gosto”, mas enfim, há coisas que não são explicadas, apenas sentidas.

Há um tempo, eu adotei como filosofia de vida, a qualidade de vida. Essa qualidade a que me refiro, não diz respeito a nenhum tipo de acúmulo, somente ser seletiva com o que me faz bem e feliz. Aliás, acho importante ressaltar um acúmulo sim, o de experiência! Viver e sentir na pele o que não dá para ser comprado, sentir o que a teoria descreve, mas só dá para saber o que realmente é, na prática.

E foi com o intuito de unir a minha paixão por futebol e a vontade de agregar experiências que fui ver o jogo do Urawa x Chapecoense, aqui no Japão, pela Copa Suruga.

Como a imprensa mundial já falou, o time do Chapecoense representa o ressurgimento das cinzas após o fatídico acidente aéreo, em que a maioria do elenco faleceu. E foi com essa carga emotiva que o time viajou do Brasil para o Japão, representando uma nação, a nação do futebol!

Era uma manhã chuvosa, aliás muito chuvosa! Chovia tanto que na estrada mal conseguíamos enxergar a nossa frente, mas mesmo assim, eu quis ir no jogo. Pensei: é um jogo histórico, preciso vivenciar isso, não quero me arrepender depois, em não ter ido, só porque estava chovendo.

Ok, comprei a capa de chuva, e munida de um guarda chuva, fui pro estádio, ainda faltava 2 horas para o início do jogo, mas tudo bem, vou esperar aqui quietinha, na chuva…

As horas passaram, e de repente entra em campo o time para um aquecimento inicial, senti a garra dos jogadores do Chapecoense.

Iniciou-se o jogo, a chuva parou! Deu trégua, mas para a minha decepção o futebol apresentado ali, parece ter ido embora com a chuva…

Estava numa ligação de vídeo com a minha mãe no Brasil, e ela dizia que o jogo estava tão parado que estava dando sono…

Acabou o primeiro tempo, começou o segundo, parecia que iria melhorar a qualidade futebolística dos times, mas o juiz insistia em querer ser protagonista de um evento onde os olhos do mundo todo estava virado para o time de Chapecó. E foi assim, meio que no fio do bigode, o penalti a favor do Urawa foi marcado. Um roubo na cara dura, pois até o jogador do Urawa assumiu não ter sido penalti.

Gol do Urawa, engraçado que não houve comemoração, a torcida agitou algumas bandeiras, mas estranhei o silêncio no estádio.

Fim de jogo, e o melhor do jogo aconteceu! A torcida do Urawa, toda vermelha, mudou de cor. Tudo ficou verde, e uma faixa extensa foi aberta com os dizeres: “vamos nos encontrar novamente nos campeonatos mundiais!! Amigos”. Foi de arrepiar a alma!! Os amigos me perguntavam, e as fotos? E eu respondi, desculpa não tirei, estava chorando nessa hora…

A torcida do Urawa foi muito inteligente em usar aquele momento para expressar a sua emoção, afinal, é uma torcida que leva a fama de “a torcida mais racista do Japão”. Se é verdade eu não sei, mas sei de casos que aconteceram e que caracterizam racismo.

Esse jogo em Saitama, significa exatamente o que eu falei sobre acumular experiências. Pois foi assim, nesse dia senti emoção pela história do Chapecoense, força pelo fato dos jogadores estarem disputando um campeonato no Japão, depois de tudo o que aconteceu. Senti raiva quando o juiz marcou aquele penalti, tristeza pelo resultado do jogo e comoção pelo que a torcida do Urawa fez.

Realmente tive a certeza de que eu precisava mesmo estar ali, e viver aquele momento. Sem ligar para chuva, e outros obstáculos. Foi histórico, e eu estava lá.

Já dizia Roberto Carlos que o importante são as emoções vividas, e é isso que quero levar comigo.

Independentemente do resultado, a mensagem foi passada pelo Chapecoense e ecoou pelo mundo todo. Nesse dia a torcida era única, uníssona, falava: Força Chape!

 

ERIKA TAMURA

ERIKA TAMURA

nasceu em Araçatuba e há 18 anos mora no Japão, onde trabalha no Serviço de assistência aos brasileiros no Japão da Ong chamada Sabja

E-mail: erikasumida@hotmail.com
ERIKA TAMURA

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