ERIKA TAMURA: Visto para Yonsei

Novamente venho escrever sobre esse tema. Já tinha decidido por conta própria só tocar nesse assunto quando a notícia fosse concreta, confirmada e pronta para entrar em vigor. Pois bem, não temos nada definido, nenhuma notícia concreta, mas existe um burburinho do “diz que me disse”, que fez o meu inbox ficar cheio de perguntas do tipo, liberou o visto para os descendentes da quarta geração?

Então, estou aqui novamente para falar sobre esse visto, que no meu ponto de vista, é desgastante para um assunto simples, é descendente de japoneses? Ótimo, então se enquadra nos requisitos dos vistos para descendentes, não importa em que geração esteja. Mas sabemos que não é isso que acontece, os japoneses só reconhecem seus descendentes até a terceira geração. E essa polêmica toda em torno dessa liberação do visto, acho necessária, porém temos que ter alguns cuidados.

Os cuidados que eu me refiro são: o Japão possui uma política de imigração? O Japão está preparado para receber um grande número de estrangeiros? O Japão depende de mão de obra estrangeira?

A resposta para as duas primeiras perguntas que fiz é não, e para a última é sim! Aos políticos que negociam a liberação desse visto, atentem-se para esses detalhes, pois irá fazer toda a diferença no futuro. Mas será que alguém está preocupado com o futuro? Ou estão pensando em uma solução imediata a curto e médio prazo?

Meus leitores, pensem…

Não podemos aceitar qualquer migalha, disfarçada com a palavra “ajuda”. Pois esse work holliday visa, que querem nos empurrar, é um visto que JÁ EXISTE!!!!

Portanto acho totalmente discriminatório o que dizem que o governo japonês está oferecendo (pelo que li por aí, apenas especulações), os requisitos são necessários sim, mas se for como estão especulando, acho que o visto deveria estender-se aos não descendentes também e que se enquadram dentro dos requisitos pedidos.

Abrir o mercado para os estrangeiros, dentro dos critérios que o governo japonês pede, inclusive o conhecimento do idioma, e uma vez no Japão, estudar para elevar o nível do conhecimento da língua. Aqueles que estiverem aptos a cumprirem tais critérios, terão seus vistos liberados e renovados, independente de descendência japonesa ou não.

Mas, se isso ocorrer, caímos na questão daquela primeira e segunda pergunta que fiz acima, o Japão precisaria de uma política de imigração mais contundente e atualizada com a realidade. Aí, inclui-se também um preparo de conscientização da população japonesa, mostrando o quão importante é a convivência com os estrangeiros para um maior desenvolvimento. Mas será que o Japão quer?

Não sei, tenho minhas dúvidas…

O que eu observei, nos últimos anos o Japão tem muita oferta de emprego, está sobrando vagas nas empresas, e em contrapartida, o Brasil sofre com o desemprego, é uma das mais altas taxas de desemprego nos últimos anos, será que não dá para fazer um acordo entre os dois países? Sei que é utópico, mas um pouco de utopia é necessário para que os governantes, políticos, diplomatas e também o povo, tomem alguma atitude para o desenvolvimento do meio em que vive, a estagnação não é propícia para ninguém.

Sempre falei, e até já escrevi sobre isso, e vou falar novamente, para mim, a melhor parceria que pode existir  é entre Brasil e Japão, tudo casa perfeitamente, o que um quer o outro tem.

De novo a utopia… Mas serve mais como reflexão, sem críticas e sem mágoas, de coração aberto, afinal sou uma representante nipo brasileira.

 

ERIKA TAMURA

ERIKA TAMURA

nasceu em Araçatuba e há 20 anos mora no Japão, onde trabalha no Serviço de assistência aos brasileiros no Japão da Ong chamada Sabja

E-mail: erikasumida@hotmail.com
ERIKA TAMURA

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    One Comment

    1. Para os yonseis que tiveram que voltar para Brasil quando completaram 18 anos é uma boa, pois muitos se separaram da família.

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