ERIKA TAMURA: Warley Santana e a Ventriloquia

Ventriloquia ou ventriloquismo, é a arte de falar sem abrir a boca ou mover os lábios, manipulando bonecos.

Eu, particularmente, nunca tinha visto uma apresentação de ventríloquos, o pouco que eu sabia e conhecia, foi o que eu vi na televisão, e mesmo assim, não me despertava muito interesse, nunca fui muito ligada em teatro de fantoches, nem bonecos falantes, mas depois que conheci o ator Warley Santana, comecei a me interessar mais por essa arte.

 

 

Para quem não conhece, Warley Santana é ator, apresentador, humorista e ventríloquo. Faz parte da nova geração de talentos brasileiros. São 10 anos de carreira, fez o curso de ventríloquo na Maher Studios, e tem se dedicado a arte, tornando-se um referencial em ventriloquia no Brasil.

Conheci o Warley através do humorista Luiz França, aqui no Japão. O Luiz França, estava no Japão para desenvolvermos um projeto juntos, onde através da ONG que trabalho, levamos aulas de teatro para as escolas brasileiras no Japão. Assim, a criança pode utilizar as técnicas do teatro para o seu próprio desenvolvimento e desenvoltura pessoal. E nessas coincidências loucas da vida, o Luiz comentou sobre o Warley e a sua arte com os bonecos, ligou para o amigo que prontamente topou vir ao Japão e fazer parte desse projeto da ONG com as crianças brasileiras. E foi incrível!!

Uma das coisas que mais gosto nesse trabalho que faço, é fazer projetos com as crianças e os jovens. Me dá uma força espetacular, saio renovada, energizada e emocionada. Não houve um dia sequer, nessas visitas escolares, que eu não tenha tido vontade de chorar. É muito emocionante.

Agendei as visitas nas escolas, e chegando lá, já dá para sentir a energia. As crianças correm atrás de nós, nos olham com aquela carinha feliz e curiosa, muito legal. Fizemos o workshop de teatro com o Luiz França, as crianças nos surpreenderam com o show de improvisos e vimos que, realmente, cada escola tem alunos talentosos escondidos.

Mas quando o Warley entrou com o boneco… As crianças foram uníssonas nos gritos de empolgação.

Warley trouxe, o Seu Antenor, um boneco-senhor, onde interagiu com as crianças e respondeu as perguntas feitas por elas. Mas o ponto alto mesmo foi quando o Plínio entrou em cena. Plínio é o boneco-menino, que para essas apresentações nas escolas brasileiras no Japão, aprendeu algumas palavras em japonês, usadas no cotidiano e que fazem parte do dia a dia das crianças também, elas foram ao delírio.

Eu nunca imaginei que os bonecos despertariam tanto a atenção das crianças, se soubesse, teria pedido para o Warley vir antes. Temos muitos problemas dentro da comunidade brasileira no Japão, e as crianças e os jovens brasileiros também sentem algum resquício desses problemas. Por exemplo, quando abrimos a sessão de perguntas e respostas, percebemos que muitos estão perdidos, não sabem se querem ficar no Japão ou se querem realmente voltar ao Brasil, outras crianças não sabem como é o Brasil, a ideia que eles têm é o que ouvem dos pais, ou o que vêem nas mídias. Tem as crianças que são mais introspectivas, as mais tímidas, as mais ativas, as mais falantes, o interessante foi ver  que todas as crianças, ao verem os bonecos, tiveram a mesma reação: brilho nos olhos, atenção redobrada e no rosto um sorriso que demonstrava a felicidade do momento.

E o mais sensacional de tudo, é a atitude do ator Warley Santana, que antes de ser ator, é um ser humano, que quando soube do nosso projeto, topou vir sem hesitar, pagando tudo do seu bolso, sem cobrar absolutamente nada, apenas com o coração aberto. São atitudes assim que têm que ser levadas para o conhecimento de todos. Vamos deixar as notícias ruins de lado um pouco, abaixar o tom de raiva, vamos esquecer um pouco aquela vontade de só criticar, e vamos aplaudir essas pessoas que se engajam num projeto social, sem visar o financeiro.

Eu posso assegurar que no meu trabalho, o retorno humano é muito maior que qualquer outra coisa. Já encontrei pessoas que vieram me agradecer por alguma ajuda ou apoio que recebeu através da ONG, e isso não tem dinheiro no mundo que pague.

Um recado para aqueles que geralmente criticam o nosso trabalho, falando que não fazemos mais do que a obrigação: “Vocês nunca saberão o que é esse sentimento de alegria, felicidade, quando uma pessoa vem e fala, muito obrigado!”.

Tenho certeza que foi isso que o Warley sentiu, as crianças o rodearam, abraçaram, tiraram fotos o encheram de perguntas, e isso não tem dinheiro que compre. Sei que a viagem custou cara para o Warley, mas o que ele recebeu em troca, essa energia, os olhos brilhando, a empolgação das crianças, acho que não existe valor financeiro que consiga alcançar isso. E criança é muito sincera, se ela gostou ou não gostou, será demonstrado imediatamente, sem rodeios e sem frescuras.

A porta está aberta para o Warley, quando quiser vir ao Japão para dar continuidade a novos projetos, será sempre bem vindo. Seguramente as crianças também esperam por mais momentos como esse. São esses momentos que marcam para sempre a vida das pessoas, tanto para as crianças, como para nós, adultos, mas totalmente envolvidos nessa atmosfera infantil e encantadora.

 

ERIKA TAMURA

ERIKA TAMURA

nasceu em Araçatuba e há 20 anos mora no Japão, onde trabalha no Serviço de assistência aos brasileiros no Japão da Ong chamada Sabja

E-mail: erikasumida@hotmail.com
ERIKA TAMURA

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