ESPECIAL: Minae Miyauti: Paixão por off-road e adrenalina

 

Por Mércia Suzuki

Especial para o Jornal Nippak

 

Aventuras em carros 4×4 sempre estiveram presentes na vida de Minae Miyauti. Mas são poucas mulheres no universo off-road no Brasil que competem e Minae é uma delas. Vestir um macacão, sapatilhas e luvas antichamas e capacete e enfrentar horas de prova contra o relógio, em um ritmo alucinante e, sob um calor extremo fizeram parte da rotina desta paulistana, sobretudo, no ano passado.

 

Minae Miyauti: Paixão por off-road e adrenalina (foto: Dani Castilho)

 

Como navegadora, conquistou em 2013 títulos de peso no Rally Cross Country: foi campeã da principal prova off-road do País, o Rally dos Sertões –  considerado o segundo maior do rali do mundo que perde somente para o Rally Dakar -, campeã do campeonato Sertões Series e  vice-campeã brasileira e paulista de Rally Cross Country , todas na categoria Super Production e, ainda, fechou o ano como vice-campeã (categoria L200 Triton ER) na Mitsubishi Cup.

Faturar estes títulos não foi tarefa fácil. O ano de 2013 foi de desafios para Minae e tudo começou com um convite feito pelo piloto Glauber Fontoura, veterano nos ralis e com alguns títulos na bagagem, que a convidou para navegar para ele na Equipe FD Rally Team. A partir daí, Minae formou dupla com Fontoura para disputar a Mitsubishi Cup, quando fez sua estreia no Rally Cross Country, até então, sua vivência maior havia sido no Rally de Regularidade.

O calendário foi exigente, porém, a navegadora seguiu a risca e competiu nas sete etapas da Mitsubishi Cup, dez dias de Rally dos Sertões, mais as provas do Campeonato Brasileiro e, ainda, conseguiu navegar em três provas de Regularidade, ao lado da amiga e piloto Sandra Dias. Isto tudo cruzando o País, de ponta a ponta.

“É uma grande diversão, mas levada com seriedade e paixão”, afirma Minae, que recebeu no último dia 16, o troféu de vice-campeã paulista de Rally Cross Country 2013, pela categoria Super Production, durante a cerimônia de premiação da Federação de Automobilismo de São Paulo (FASP), realizada no Autódromo de Interlagos – José Carlos Pace, em São Paulo.

Sobre o resultado produtivo da temporada, a navegadora diz que o objetivo foi alcançado, mas que para 2014 pretendem traçar uma preparação mais intensa. “Os títulos não escaparam das nossas mãos e estamos muito felizes no primeiro ano que competimos juntos. Glauber e eu temos um jeito mais descompromissado de encarar o rally. Não nos preparados e nem traçamos estratégias, entramos no carro e aceleramos e, isto tem dado certo. Mas para este ano pretendemos mudar e nos preparar melhor”, explica Minae.

 

Anjo da guarda – Para quem vê de fora, parece que o rally é um esporte automotor que beira a sanidade, pois é meta é acelerar em estradas de terra, passar por rios, precipícios, serras, dunas e testar limites, uma vez que o percurso é geralmente desconhecido. Exige o máximo de reflexo, habilidade, concentração e o mais importante é preciso ter absoluta confiança no seu parceiro, um erro pode ser fatal e comprometer o resultado ou até causar um acidente.

Trata-se de um esporte para poucos que na categoria carros, é praticado por duas pessoas – um piloto e um navegador. E Minae escolheu ser navegadora, função essa, chamada pelos pilotos como anjos da guarda. A direção fica nas mãos do piloto, mas é o navegador quem orienta sobre as curvas, as condições do terreno, que caminho seguir, assim a sincronia precisa ser perfeita. Uma simples distração do navegador, por exemplo, pode fazer com que sigam por um caminho diferente e se percam na trilha, isto significa perder preciosos minutos ou segundos em uma competição cronometrada.

Como o barulho dos carros de rally é muito alto, a comunicação entre a dupla é feita via rádio, que é acoplada ao capacete. Caso aconteça algum problema técnico com este equipamento durante a prova, o navegador precisa literalmente gritar para passar as informações da planilha (livro de bordo com referências do percurso).

Quanta a linguagem da comunicação usada é geralmente de forma bem direta, abreviada, com algumas nomenclaturas específicas, que geralmente indica qual a distância até o próximo ponto-chave, que pode ser uma curva, mas é preciso informar a sua escala de intensidade para o piloto saber o quanto ela é fechada ou aberta, além é claro, de outros obstáculos e pontos de atenção. Isto tudo aliado a adrenalina intensa.

 

Mitsubishi Cup – Amigos de dentro e fora dos ralis, Minae e Fontoura formaram dupla em março do ano passado para encarar a Mitsubishi Cup, campeonato monomarca de Rally Cross Country de Velocidade, que tem um dos grids mais competitivos do País por reunir também a nata do off-road nacional. Com vasta experiência no off-road foi primeira vez que Fontoura (sempre foi navegador) resolveu pilotar pela primeira vez no campeonato, enquanto Minae estreava como navegadora na modalidade Cross Country. Era um desafio para ambos. Mas a mistura deu certo e teve saldo positivo, pois a dupla que chegou de mansinho garantiu pódio em seis das sete etapas – sendo três vitórias na categoria – e terminou como vice-campeã na categoria L200 Triton ER.

 

Minae com o piloto Glauber Fontoura (foto: Cadu Rolim)

 

“Foi uma temporada maravilhosa em meio a um grid cheio amigos. Vencemos na categoria em três etapas e só por isto, já nos sentimos vitoriosos. Certamente ganhar é muito melhor, mas só nós sabemos como chegamos até este vice-campeonato. Aprendi muito com o Glauber que evoluiu muito como piloto”, destaca Minae.

Chegar ao final de cada prova com dever cumprido é recompensador, mas a sincronia entre piloto e navegador faz a diferença. “Obviamente não teríamos conquistados estes troféus também, caso não tivéssemos um carro super confiável, resistente e uma equipe como a da Mitsubishi. Foi um ano muito produtivo e agradeço a Minae que se superou como navegadora e fez uma excelente temporada”, elogia Fontoura que avisa: “Em 2014 não vamos conseguir ficar longe da Mitsubishi Cup, isto já virou um vício para nós, cada etapa é uma emoção diferente”, avisa o piloto.

Minae admite também que foi viciante participar do campeonato, que a cada etapa proporciona um circuito desafiador, em uma pista de cerca de30 quilômetros, geralmente montada em fazendas, onde as duplas buscaram o menor tempo durante as três voltas. No percurso não faltam muitas curvas, trechos travados, saltos, piso irregular com pedras, terra solta, lama e também muita poeira.

 

Superação – Mas um título que teve um sabor especial foi o do Rally dos Sertões, a prova mais esperada do ano para os ralizeiros, que há 21 anos arrasta centenas de competidores de carros, motos, caminhões, quadriciclos e UTV´s para esta aventura pelo centro-oeste e sertão do Brasil. São 10 dias de competição, onde o lema é quanto maior a dificuldade, maior o prazer em superar obstáculos, pois a prova mistura aventura, adrenalina, velocidade, máquinas potentes em meio a lugares inóspitos e muita competitividade. A edição 2013 teve 4.115 quilômetros que cruzou os Estados de Goiás e Tocantins, entre julho e agosto. A dupla Fontoura/Minae liderou na categoria Super Production por seis dias e finalizou a décima etapa com o título. Com o feito, ficou com a nona posição na Geral entre os 46 carros que competiram.

“É uma grande diversão, mas levada com seriedade e paixão”, afirma Minae (foto: Fabio Davini)

Por isto, chegar a este pódio como campeã foi emoção em dobro para a navegadora. “Já no final da Especial (trecho cronometrado) estava chorando, porque a emoção é muito grande! Para mim tudo foi novidade: encarar o Rally dos Sertões pela primeira vez de ponta a ponta, fazer uma das edições mais duras do evento, liderar na categoria e cruzar a rampa como campeã ao lado de um amigo. Só tenho a agradecer ao Glauber pela oportunidade de ter realizado este sonho. Foi uma superação diária, onde demorei uns dias para me adaptar, mas aprendi muito e foi lição para vida toda”, conta Minae, ao descrever a chegada como campeã.

Mas nem tudo é diversão. Minae relembra também de uma passagem tensa durante o Rally dos Sertões. No sétimo dia da prova ao passar pelo Deserto do Jalapão, no Tocantins, depois de uma curva, o carro da dupla ficou preso à beira de um precipício. “Corremos risco, claro, mas poderíamos ter perdido a liderança da prova e, consequentemente, o título naquele dia, mas uma dupla de amigos resolveu parar e nos tirou de lá e mostrou mais que companheirismo e amizade, pois perderam preciosos minutos ao nos resgatar”, descreve. “Cada sufoco como este fez toda a diferença para a nossa conquista e, vale ressaltar, que ninguém faz rali sozinho, há toda uma equipe de apoio e estrutura por trás de um piloto de navegador”, enfatiza a navegadora.

No blog da equipe é possível conhecer um pouco da aventura da dupla, da largada até a vitória, durante a 21ª edição do Rally dos Sertões, em 2013, http://www.webventure.com.br/h/blogs/fd-rally-team

 

 

 

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