ESPECIAL/SUMÔ: Atletas se empenham para participar do Mundial em Taiwan

Engana-se quem pensa que para participar de um Campeonato Mundial de Sumô “basta apenas” passar pela seletiva nacional. Conseguir a classificação é o início de uma longa e árdua jornada que, às vezes, pode terminar sem um final feliz. Como no caso do atleta Rui Aparecido de Sá Junior, de Londrina, no Paraná, que desistiu de representar o Brasil no Campeonato Mundial de Taiwan, que acontece em julho, por falta de verba.

 

Abertura contou com a presença do cônsul geral e do presidente de honra, Hatiro Shimomoto.
Foto: Aldo Shiguti

 

O sumotori, que conquistou bronze no Mundial de 2015, no Japão, e estava classificado na categoria Pesado, será um desfaque e tanto para o Brasil. “Não foi a primeira vez que tenho que cancelar minha participação por falta de de dinheiro. É triste, mas é a realidade do esporte brasileiro. Você treina, treina, passa pela seletiva e depois tem que abrir mão da viagem”, lamentou o atleta, que concluiu o curso de Educação Física em janeiro deste ano. “Tive que me focar mais na faculdade e por conta disso não deu para ir atrás do dinheiro”, explicou Rui, que uma vez por mês sai de Londrina para treinar no Bom Retiro visando o Campeonato Brasileiro, que também acontece em julho, a exemplo do Mundial.

 

Thiago Ciavarella e Valeria D’Ollio, de Capão Bonito para Taiwan.
Foto: Aldo Shiguti

 

Dos classificados para Taiwan, a categoria Júnior masculina  é a única que não terá nenhuma baixa e viajrá com seus quatro representantes: Gabriel Bonardi, da Norte, no Peso Leve; Yuki Sato, do Rio Grande do Sul, na Médio; João Paulo Vilalba, da Norte, na Pesado; e Pedro Vilalba, da Norte, na Absoluto.

Entre as mulheres, estão praticamente confirmadas a peso leve Maria Eduarda Cruz,da Norte, e a peso médio Letícia Clemente Rodrigues, da Nova Central (ambas da categoria Júnior), e  Valeria D’Ollio e Daniella Fatima Oliveira na Adulto Feminino. Na principal categoria masculina devem embarcar Kleidson Vianna (RJ), na peso leve; Thiago Ciavarella (SO), na médio, e o gaúcho Adiecson Gross, na Absoluto.

 

Luciana Watanabe com Hatiro Shimomoto.
Foto: Aldo Shiguti

 

Conquista – A professora e atleta Luciana Watanabe, idealizadora do projeto “Lutas Como Forma de Educação – Sumô”, que desenvolve em parceria com a Secretaria Muncipal de Educação de Suzano (SP), tem motivos para comemorar. Afinal, Letícia Clemente Rodrigues, da categoria Júnior, é, o que se pode chamar de sua cria. “A Letícia começou comigo no projeto, há cinco anos. Ela foi uma das primeiras alunas e tem treinado forte para representar bem o Brasil”, conta Luciana, que está no quarto mês de gravidez e já está preparando instrutoras para substitui-la no trabalho que desenvolve não só no projeto como também na Associação Nova Central durante o período que estiver de licença-maternidade. “Apenas a presença da Letícia no Mundial já está sendo importantíssimo porque isso vai fortalecer e muito o sumô da região”, destaca Luciana, que no Campeonato Paulista levou cerca de 20 alunos.

Assim como Letícia, que ainda luta para conseguir o dinheiro necessário para a viagem, Thiago Ciavarela e Valeria D’Ollio, de Capão Bonito, também estão correndo contra o tempo. Com vários títulos na carreira, incluindo um Sul-Americano, Thiago já passou pela amarga experiência de ficar fora de um Mundial após conseguir a vaga na seletiva. Isso foi em 2006, quando ainda juvenil. Desta vez, está contando com a ajuda de amigos e empresários de Capão Bonito e de Guapiara. E também com o apoio da Prefeitura de Capão Bonito por intermédio do secretário de Governo, Marcelo Varela. Apesar de ser seu primeiro Mundial, sua expectativa é pelo menos ficar entre os três primeiros colocados.

 

Fernanda Rojas Pelegrini e Rui Aparecido de Sá Júnior.
Foto: Aldo Shiguti

 

Abertura – A cerimônia de abertura do 40º Campeonato Masculino e do 20º Campeonato Feminino de Sumô contou com a presença do cônsul geral do Japão em São Paulo, Yasushi Noguchi, e do presidente de honra da Confederação Brasileira de Sumô (CBS), Hatiro Shimomoto. Importante apoiador do sumô brasileiro, em 2014 Shimomoto doou para a CBS o estandarte de posse transitório entregue anualmente a equipe vencedora do Campeonato Brasileiro Feminino.  “Foi um presente de coração”, conta Shimomoto, que prestigia o sumô nacional há 50 anos.

“Hoje estamos comemorando 20 anos do sumô feminino no Brasil. Infelizmente o sumô ainda não é considerado um esporte olímpico justamente porque a participação das mulheres é recente. Antes, diziam que as mulheres não podiam subir no dohyo porque trazia má sorte. Hoje a cultura é outra e está mais que provado que as mulheres não só não trazem mau agouro como também tornam o esporte mais belo”, afirma Shimomoto.

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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