ESPECIAL/18º FESTIVAL DO JAPÃO: 18º Festival do Japão recebe cerca de 150 mil visitantes e confirma prejuízo de ‘três dígitos’

Realizado pelo Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil), o tradicional Festival do Japão, que já faz parte do Calendário Turístico do Estado de São Paulo e do Calendário Oficial de Eventos da Cidade de São Paulo, é uma incógnita para 2016. Isso porque, este ano, o evento já foi posto em prática com muitas dificuldades. Os números divulgados pelo Kenren confirmam um cenário nada animador.

 

Este ano, evento celebrou os 120 Anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação Brasil-Japão (Foto: Aldo Shiguti)

Este ano, evento celebrou os 120 Anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação Brasil-Japão (Foto: Aldo Shiguti)

 

A décima oitava edição, que aconteceu nos dias 24, 25 e 26 de julho no São Paulo Expo Exhibition & Convention Center (antigo Centro de Exposições Imigrantes), recebeu um público estimado em cerca de 150 mil visitantes. Pode parecer muito em se tratando de um festival, mas o número ficou aquém do esperado pelos organizadores. Nas edições anteriores, por exemplo, o público médio era de 180 mil visitantes – o mesmo esperado para este ano.

 

Festival do Japão apresentou atividades para todas as gerações (Foto: Aldo Shiguti)

Festival do Japão apresentou atividades para todas as gerações (Foto: Aldo Shiguti)

 

Para o vice-presidente da Comissão Executiva, Toshio Ichikawa, vários motivos contribuíram para a queda do movimento. A começar pela readequação do festival ao espaço, reformulado pelo grupo francês GL events, nova administradora do local. “Foi uma experiência nova para nós do ponto de vista de infraestrutura e layout. Mas nesse aspecto recebemos mais elogios do que críticas”, diz Ichikawa, afirmando que havia receio por parte da Comissão em relação ao espaço destinado à Praça de Alimentação, que até 2014 ocupava a área externa e este ano foi transferida para dentro do pavilhão. “Estávamos preocupados achando que o espaço era muito grande, mas no sábado e domingo ficou bem cheio”, avaliou ele, acrescentando que o Palco Principal, que assim como a gastronomia também passou para a parte interna, “ficou isolado e ofereceu mais conforto”.

 

Parada Taiko terminou no Palco Principal sob aplausos do público (Foto: Aldo Shiguti)

Parada Taiko terminou no Palco Principal sob aplausos do público (Foto: Aldo Shiguti)

 

 

Prejuízo – Para Ichikawa, este ano o que prejudicou “bastante” a presença de público foram as chuvas de sexta e sábado. “Outras questões que atrapalharam foram o estacionamento e o acesso ao local, especialmente para quem optou ir de carro particular”, constatou Ichikawa, observando que teve informações que no sábado chegou a acontecer um “arrastão” na Imigrantes. “Hoje, na era das redes sociais, com as informações em tempo real, acontecimentos como esses criam um efeito negativo e afugentam as pessoas”, justifica Ichikawa, explicando que este ano também não constatou as “ondas” no fluxo de pessoas como nos anos anteriores.

 

Palco Principal recebeu apresentações de danças folclóricas (Foto: Aldo Shiguti)

Palco Principal recebeu apresentações de danças folclóricas (Foto: Aldo Shiguti)

 

“Para quem não se lembra, no ano passado tivemos que liberar a entrada no domingo à tarde devido ao excesso de gente”, conta Ichikawa, acrescentando que a queda de público também pode ser atribuída, em parte, à situação ecônomica do país. Segundo ele, a “redução significativa” do fluxo de pessoas também afetou a venda no setor dos bazaristas, que teriam se mostrados descontentes com o resultado final, de acordo com Ichikawa.

Outra preocupação dos organizadores e que chegou a colocar em xeque a realização do evento deste ano foi a questão financeira. “Do ponto de vista de receita e despesas, vamos fechar com um saldo negativo na casa dos 150 mil reais”, contabiliza Ichikawa. Segundo ele, esses números não são considerados tão alarmantes já que a previsão inicial era de um déficit de R$ 169 mil. Isso, em outubro do ano passado. “Em maio deste ano, em função do marasmo da economia, achávamos que o prejuízo seria de R$ 250 mil. Mesmo assim, todos os presidentes de associações decidiram pela continuidade do projeto”, disse Ichikawa, lembrando que, “de certa forma, tivemos uma recuperação em relação ao orçamento inicial”.

 

Setor automotivo apresentou as novidades das montadoras (Foto: Aldo Shiguti)

Setor automotivo apresentou as novidades das montadoras (Foto: Aldo Shiguti)

 

Emendas – A queda na receita tem explicação. “Antes, costumávamos receber emendas parlamentares e recursos do ProAc (Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo) e infelizmente não conseguimos obter nenhum benefício do Estado , que também deve ter sentido as consequências da redução do ICMS”, avalia Ichikawa, que, em contrapartida, agradece a Prefeitura da Cidade de São Paulo que acolheu a emenda municipal do vereador Masataka Ota (Pros), que permitiu a liberação do palco principal. “Isso, pelo menos, trouxe um alívio”, garantiu.

 

Voluntárias ajudam na cozinha de kenjinkai na Praça de Alimentação (Foto: Aldo Shiguti)

Voluntárias ajudam na cozinha de kenjinkai na Praça de Alimentação (Foto: Aldo Shiguti)

 

Reunião – Para avaliar esses números, hoje (30), deve acontecer uma reunião entre os presidentes dos kenjinkais. O passo seguinte deve ser a convocação de uma reunião extraordinária em agosto, quando deve ser decidida a continuidade ou não do Festival do Japão. “De qualquer maneira, o desejo de todos é que o Festival continue nos próximos anos. Não é uma decisão que dependa única e exclusivamente do Kenren e também não é uma decisão fácil de ser tomada. Existe interesse das próprias associações e também do Consulado do Japão. Vamos torcer para que continue”, diz Ichikawa.

 

(Aldo Shiguti)

 


 

 

Autoridades destacam ‘grandeza’ do Festival do Japão

 

Realizada no sábado (25), a cerimônia de abertura do 18º Festival do Japão contou com a presença do embaixador do Japão no Brasil, Kunio Umeda; do cônsul geral do Japão em São Paulo, Takahiro Nakamae; da presidente do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), Harumi Goya, e de políticos nikkeis, além de patrocinadores, representantes do Japão e membros da Comissão Organizadora.

 

Cerimônia de abertura contou com a presença de autoridades (Foto: Jiro Mochizuki)

Cerimônia de abertura contou com a
presença de autoridades (Foto: Jiro Mochizuki)

 

Abrindo a série de discursos, o presidente do Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil), Mikihisa Motohashi, lembrou que a décima oitava edição do evento teve como tema os 120 Anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação Brasil-Japão. “O Kenren se empenhou ao máximo para que os brasileiros pudessem ter um panorama da essência da cultura japonesa”, disse ele, que destacou ainda a presença, pela primeira vez, de representantes do governo japonês. “Isso é importante não só para o Festival do Japão como também é um fato relevante para o Brasil, país que concentra a cultura de vários imigrantes e apresenta uma rica diversidade cultural”, afirmou Motohashi.

 

Mikihisa Motohashi, presidente do Kenren  (Foto: Jiro Mochizuki)

Mikihisa Motohashi, presidente do Kenren (Foto: Jiro Mochizuki)

 

Já o presidente da Comissão Executiva, Yasuo Yamada, citou as dificuldades para colocar o projeto em prática neste ano devido à situação econômica do país. “Foi uma luta que demandou muita união e um conjunto de esforços, como sempre, de autoridades, patrocinadores, voluntários, vereadores e deputados”, afirmou.

Presente pela primeira vez, o cônsul geral do Japão em São Paulo, Takahiro Nakamae disse ao Jornal Nippak que estava “emocionado” e “impressionado” com a “grandeza” e a “alegria contagiante do local”. O embaixador do Japão Kunio Umeda também citou a beleza do Festival do Japão. “No ano que celebramos os 120 Anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação Brasil-Japão, estamos realizado mais de 500 eventos culturais em todo o Brasil. São Paulo é o principal centro e o Festival do Japão é o maior e mais significativo evento da cultura japonesa”, disse Umeda, destacando que em suas andanças pelo país pode constatar que o Festival do Japão serve de modelo “para todo mundo”.

 

O embaixador do Japão no Brasil, Kunio Umeda (Foto: Jiro Mochizuki)

O embaixador do Japão no Brasil, Kunio Umeda (Foto: Jiro Mochizuki)

 

Países irmãos– A deputada Keiko Ota disse que o Festival do Japão “é um evento esperado com grande expectativas por celebrar a cultura de nossos ancestrais”. “Celebramos também o povo brasileiro, que acolheu nossos pais, avós e bisavós e, acima de tudo, celebramos a paz e a esperança”, destacou a parlamentar. William Woo parabenizou todas as associações de províncias que mantêm viva as tradições japonesas e lembrou que “política também se faz com ética e trabalho” enquanto Jooji Hato falou sobre o orgulho de ser um “brasileiro descendente de japoneses”.

Walter Ihoshi, que não compareceu devido a compromissos assumidos anteriormente, enviou mensagem ao Cerimonial na qual destaca a amizade entre os dois países. “Brasil e Japão são países-irmãos. Mesmo com as diferenças culturais e de idiomas, nós conseguimos nos entender muito bem e ainda permitir que esse laço de amizade beneficie a economia de ambos”, destacou.

O vereador Kamia destacou o importante trabalho do Kenren e Masataka Ota mencionou o apoio do prefeito Fernando Haddad (PT) que “descongelou” a emenda para o palco principal. Aurélio Nomura criticou o governo federal pela grave crise “sem precedentes” que o país atravessa. “Situação que nos faz relembramos a importância de nossos maiores, que nesses 107 anos de imigração japonesa, com sangue, suor e lágrimas ajudaram a construir nosso país e que haveremos de mudar seguindo os exemplos de nossos ancestrais”.

 

 

ALDO SHIGUTI

ALDO SHIGUTI

Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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