ESPECIAL/56º PRÊMIO PAULISTA DE ESPORTES: Homenageados revelam histórias emocionantes de desafios e superações

No país onde o futebol é paixão nacional, é grande o desafio em praticar qualquer outro esporte. Mas a perseverança dos atletas nipo-brasileiros fez com que algumas modalidades de esportes de origem japonesa superassem as barreiras, e se destacassem no Brasil. Para recompensar esses atletas, o Jornal Paulista, hoje Nikkey Shimbun e Jornal Nippak, criaram há 56 anos o Prêmio Paulista de Esportes. Esse ano na sua 56ª Edição do Prêmio Paulista de Esportes reuniu os atletas que confessam a alegria de serem homenageados.

Graças a perseverança de atletas e dirigentes nipo-brasileiros, muitas modalidades de origem japonesa superaram barreiras (Foto: Luci Júdice Yizima)

Sakae Tamura, 55 anos de idade, praticante de Golfe ajudou a introduzir o golf set – crianças especiais na federação, que consequentemente foi inserido nas escolas municipais de Curitiba. “Nós trabalhamos muito em prol de alguma coisa. É a primeira vez que ganho um prêmio desse nível. Esse prêmio eu dedico a toda a equipe que contribuiu para disseminar o golf no estado do Paraná, pertence a todos nós”, diz.
No Mallet Gof, Minoru Ito, 72 anos de idade, engenheiro agrônomo, como um dos pioneiros do esporte, desenvolve trabalhos nas comunidades brasileiras. “Sem dúvida esse prêmio é incentivo muito grande. Mallet Golf hoje está muito avançado, eu sou um dos pioneiros, animo quando recebo um prêmio dessa magnitude, me dá inspiração mais ainda para desenvolver ações em prol do esporte. Estou trabalhando em parceria com a prefeitura de Itapetininga para difundir a modalidade nas comunidades brasileiras”, comenta.

Pioneirismo – Coiti Muramatsu, atual prefeito de Ibiúna, relembra os velhos tempos de atleta. “A gente fica muito satisfeito em receber um prêmio que estimula a contribuir mais e mais. Lembro que em 1957 jogava pela Cooperativa de Cotia. Em 1963, fomos campeões com direito a ser destaque no Jornal de esportes, a Gazeta Esportiva de Ibiúna. A cidade ficava vazia para ver o time jogar no Mie Nishi”, explica orgulhoso.
“Hoje não jogo mais, devido às atividades políticas. Mas contribuo e apoio qualquer atividade esportiva. Ajudei a Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol e contribuiu com o Centro de Treinamento da Yakult, em Ibiúna. Hoje incentivo os atletas dou apoio”, conclui.

Convidados compareceram em massa para prestigiar o evento (Foto: Luci Júdice Yizima)

A praticante de Kendô, Mitiko Kishikawa, paulistana, 73 anos de idade, foi a primeira mulher a treinar kendô. “Durante 42 anos ela contribuiu com a Confederação de Kendô do Brasil. Principalmente para as atletas femininas. Foi a primeira mulher a treinar Kendô, assumiu a Federação Paulista de Kendô. Com isso aumentou consideravelmente o número de mulheres a treinar a modalidade. Começamos a primeira Academia de Saga de Kendô. Com 30 anos com a academia, hoje além de ensinar o Kendô, ensinamos também Yaidô, Jodô. Ela é o maior grau e está no sexto Dan”, explica Yoshiaki Kishikawa esposo e representante da atleta, já que a mesma se encontra no Japão.
O atleta representante do atletismo, Mario Hirakuri, 63 anos de idade, da cidade de Açaí do estado do Paraná faz crítica à escassez de atleta no estado, que já foi referência na modalidade. “Primeiramente quero agradecer pela indicação ao Prêmio Paulista de Esporte, é uma satisfação muito grande ver o meu trabalho como dirigente ser reconhecido. Foi uma surpresa agradável. Hoje no Paraná é uma escassez de atleta que me preocupa, o estado que já foi uma potência”, diz. “Uma homenagem como essa é um estímulo para continuar colaborando a desenvolver o atletismo com a comunidade nipo-brasileira”, confessa o amor pelo esporte.
Outro atleta de força é o Karateka, árbitro internacional, Yasunori Yonamine, natural de Okinawa, no Japão, aos 70 anos de idade, casado, por sua influência, os seus cinco filhos são faixa preta no karatê. “Já participei de vários prêmios, mas como esse é a primeira vez. Receber esse prêmio é muito gratificante. Já pratico karatê há mais de 50anos, incentivo meus alunos a serem excelência naquilo que fazem. Sou árbitro internacional de Karatê em Panamericano. Sinto grande responsabilidade em transformar o desenvolvimento do competidor. A partir de agora desejo ser orientador e disseminar a arte do Karatê Goju-ryu”, destaca o mestre.
Surpreendido mesmo ficou o brasileiro Alessandro Rabello Barbosa, praticante de Kobudô, que no meio de tantos japoneses homenageados se sentiu lisonjeado. “É uma grande surpresa está sendo homenageado dentro de um esporte que tem tantos atletas orientais. O que indica que estou no caminho certo. Fui inspirado a entrar no esporte através do Misashi sensei, ele escreveu o livro dos 5 Anéis, Sensei Jorge Kishikawa representante no Brasil. Pude levar o conhecimento antigo dos samurais pelo mundo, oportunidade de conhecer como pessoa”, enfatiza. E completa, “uma honra de ter sido indicado também e muito feliz, surpreso em ser o único não descendente a divulgar a cultura japonesa através do kubudô”.
Para o londrinense João Saito, de 55 anos de idade, mora atualmente em Caldas Novas, em Goiás, onde desenvolve trabalhos em três estados no Centro Oeste brasileiro com o Gateball. “Fico muito feliz com um título pouco comum, a um grupo seleto de atletas. Retribuo esse prêmio aos meus pais que sempre doaram muito de si para me ver jogar. Hoje ajudo a promover o gateball nos estados de Goiás, Distrito Federal e Minas Gerais”, ressalta.

Autoridades, personalidades e políticos perfilados para o hino (Foto: Luci Júdice Yizima)

Reconhecimento – O iniciante do Judô, Allan Eiji Kuwabara, aos 19 anos de idade, compete pelo Esporte Clube Pinheiros, se diz orgulhoso pelo prêmio. “É uma honra está nesse seleto grupo de homenageados. Muito bom ver os resultados aparecerem diante dos trabalhos árduos. O reconhecimento desse trabalho serve de motivação para continuar buscando mais e melhores resultados. Quero agradecer ao Esporte Clube Pinheiros, sensei Mauro Oliveira, Sergio Baldijão, Hatiro Ogawa, Renato Daguino, esse prêmio é de cada um de vocês que contribuíram com o meu sucesso”, declara.
No embalo dos iniciantes a sensei Toshie Kawazoe, do Kenko Taisô um esporte pouco conhecido no Brasil, mas muito praticado no Japão, tem como base corpo flexível, espírito alegre, mente aberta. “Fiquei feliz em ser indicada ao Prêmio Paulista de Esportes, eu ofereço e dedico esse prêmio a todos aqueles que contribuíram e contribuem com a nossa associação”, enaltece. A sensei admite que após a indicação ao prêmio, a procura pela prática do Kenko Taisô aumentou.
(Luci Júdice Yizima)

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