ESPETÁCULO: OE -espetáculo solo de Eduardo Okamoto inspirado na obra do escritor japonês Kenzaburo Oe

Okamoto recebeu o prêmio de melhor ator pela APCA em 2012, e indicação ao Shell por “Recusa”, espetáculo da Cia Teatro Balagan, dirigido por Maria Thais, e em 2009, foi também indicado ao Shell por sua atuação em seu segundo solo, “Eldorado”, com direção de Marcelo Lazzaratto.

 

Fotos de cena de 
Fernando Stankuns (Foto: divulgação)

Fotos de cena de 
Fernando Stankuns (Foto: divulgação)

 

 

OE, espetáculo solo do ator Eduardo Okamoto estreia terceira temporada em 03 de março, na Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro – São Paulo/SP) e permanece em cartaz até 19 de março, sempre às quintas, sextas e sábados, às 20h. OE foi apresentado na Mostra Oficial do Festival de Curitiba de 2015 em estreia nacional e obteve excelente repercussão. Em São Paulo, no mesmo ano, fez duas temporadas bem sucedidas de público e crítica; a primeira no Sesc Consolação, no período entre 04/05 e 03/06, e na SP Escola de Teatro, de 08 a 24/6.

Além das apresentações na Oswald de Andrade, o ator dará workshop de dramaturgia do corpo no dia 12/03, sábado, das 14h às 18h para atores e bailarinos interessados em reconhecer o potencial expressivo do corpo.

 

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Fotos de cena de 
Fernando Stankuns (Foto: divulgação)

 

OE é livremente inspirado na obra do escritor japonês Kenzaburo Oe (Prêmio Nobel de Literatura/1994) – sobretudo, no romance autobiográfico Jovens de um novo tempo despertai! No livro, o autor procura definições sobre a sociedade e a vida (morte, sonho etc.) para o seu filho mais velho, deficiente intelectual.

A enfermidade do filho – que viveu até os seis anos de idade sem desenvolver a capacidade da fala – é recorrente na obra de Kenzaburo Oe. Demonstrando grande sensibilidade auditiva e aprendendo a falar ao reconhecer o som dos pássaros, o menino aprendeu a tocar piano e, hoje, é compositor respeitado no Japão e fora dele.

O espetáculo, porém, não se limita a uma narrativa sobre autossuperação. Assim, não se dramatiza passagens da obra do autor nipônico. Vê-se nela impulso para a abertura de imaginários. A partir da prosa de Oe, o dramaturgo Cássio Pires escreveu um texto inédito: um poema para a cena que sintetiza 28 imagens. Estas imagens procuram se equilibrar nas bordas entre sonho e memória, vivência e imaginação, palavras e não-ditos.

 

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Fotos de cena de 
Fernando Stankuns (Foto: divulgação)

 

O resultado é uma cena que não estabelece limites claros entre a singularidade de um único homem e a universalidade do conjunto plural dos homens. A partir de uma narrativa pessoal, o espetáculo propõe um chamado para novas formas de cidadania, baseadas na responsabilidade intransferível de cada ser sobre suas ações: “[há uma] conexão existente entre a violência em escala mundial, representada por artefatos nucleares, e a violência existente no interior de um único ser humano”, escreve Kenzaburo Oe.

Além disso, o espetáculo toma a ficção como uma forma, comparável ao universo simbólico dos sonhos, de significar as experiências. O mundo só faz sentido quando contado, reinventado pela história. No ato de narrar, assim, haverá sempre espaço para a vivência de jornadas e, sobretudo, aprendizado.

O processo de pesquisa para a obra incluiu um estágio de Eduardo Okamoto, em fevereiro de 2014, no Kazuo Ohno Dance Studio, no Japão.

O espetáculo foi financiado com recursos do Prêmio Myriam Muniz 2013, da Funarte, e do Faepex / UNICAMP.

 

Eduardo Okamoto, ator

Eduardo Okamoto é ator, bacharel em Artes Cênicas, Mestre e Doutor em Artes pela Universidade Estadual de Campinas – Unicamp, onde atualmente é docente. Apresentou espetáculos e atividades formativas em diversos estados brasileiros e no exterior: Espanha, Suíça, Alemanha, Marrocos, Kosovo, Escócia e Polônia. É autor do livro “Hora de Nossa Hora: o menino de rua e o brinquedo circense” (Editora Hucitec, 2007). Entre seus trabalhos destacam-se: “Agora e na Hora de Nossa Hora”, de 2004, (com sua própria dramaturgia e direção de Verônica Fabrini; “Eldorado”, com direção de Marcelo Lazzaratto e dramaturgia de Santiago Serrano, pelo qual, em 2009, foi indicado ao Prêmio Shell na categoria de Melhor Ator; em 2012, “Recusa”, da Cia. Teatro Balagan, com direção de Maria Thais e dramaturgia de Luis Alberto de Abreu pelo qual mais uma vez foi indicado ao Prêmio Shell. No mesmo ano, recebeu o Prêmio APCA de Melhor Ator por sua atuação neste espetáculo que obteve mais de 11 indicações para importantes premiações no panorama nacional das Artes Cênicas.

 

Cássio Pires, dramaturgo

Cássio Pires é mestre em Artes Cênicas e Bacharel em Letras pela USP e integrante fundador do Coletivo Teatral Filme Bê. Escreveu, entre outras: A Força da Imaginação, encenada pela Cia Livre; Verbo, criação de Isso não é um grupo e onde também assina a direção; Ifigênia, encenada pela Cia Elevador de Teatro Panorâmico (texto indicado ao Prêmio CPT 2012); Os Amigos dos Amigos, criação do Coletivo Teatral Filme Bê a partir da obra de Henry James (Prêmio de Melhor Espetáculo do Cultura Inglesa Festival 2011); Teseu, texto escrito à convite do Projeto Conexões 2011, promovido pelo National Theatre e pelo Conselho Britânico; A Carne Exausta, encenada por Paulo Azevedo no Teatro João Caetano; “Vigília”, encenada no Intercity Festival 2007 (Teatro della Limonaia, Florença, Itália); entre outras.

Assinou ainda as adaptações de: “A Sonata Kreutzer”, de Tolstoi, dirigida por Marcello Airoldi; “A Chuva Pasmada”, de Mia Couto, encenada por Eduardo Okamoto em parceria com Matula Teatro, sob direção de Marcelo Lazzaratto; e “O Rouxinol”, de Andersen, encenada pela Cia da Revista (Teatros Alfa, Promon e Sérgio Cardoso).

 

 

Marcio Aurelio, diretor

Marcio Aurelio é um dos mais premiados e reconhecidos diretores do teatro brasileiro. Três anos após o início da carreira já recebia, em 1977, o prêmio APCA de Melhor Espetáculo. Desde então, Marcio vem recebendo diversos prêmios, como o Mambenbe de Melhor Espetáculo por nada menos que cinco peças: Lua de Cetim, Édipo Rei, Pássaro do Poente, Hamletmachine e Ópera Joyce. Senhorita Else e Édipo rei foram premiadas também pela APCA, enquanto Pássaro do Poente e Hamletmachine receberam o Prêmio Molière na categoria Direção, além de vários outros prêmios.

Recorre, com frequência, à montagem de clássicos, integrais ou adaptados, recuperando experiências ligadas aos procedimentos dramatúrgicos e aos aspectos estilísticos, na busca de uma nova forma de expressão. Marcio Aurelio assina, frequentemente, a cenografia e figurinos de suas direções. Paralelamente à carreira de encenador, é professor de Interpretação na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), sendo um dos poucos artistas que possui livre docência no país. Como tradutor, assina as traduções de Baal, de Bertolt Brecht, em 1983, e Filoctetes, de Heiner Müller, em parceria com Willi Bolle, em 1986.

 

 

Kenzaburo Oe, escritor

Nasceu em 1935, no lugarejo de Ose. Ainda estudante de literatura francesa em Tóquio, estreou na ficção e conquistou o cobiçado Prêmio Akutagawa. Um dos romancistas mais populares do Japão, sua obra compreende inúmeros contos, escritos políticos e um famoso ensaio sobre Hiroshima. Em 1967, recebeu o prêmio Tanizaki e, em 1994, o Prêmio Nobel de Literatura.

 


 

 

 

Serviço:

OE

Com Eduardo Okamoto

Encenação de Marcio Aurelio e Dramaturgia de Cássio Pires

Inspirado na obra do escritor japonês Kenzaburo Oe

De 3/3 a 19/3 – quinta-feira a sábado, às 20h

40 vagas

70 minutos
(retirar ingressos com 30 minutos de antecedência)

Indicação: maiores de 12 anos

Local: Oficina Cultural Oswald de Andrade – Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro – São Paulo/SP

 


 

 

WORKSHOP: DRAMATURGIA DO CORPO

Ministrante: Eduardo Okamoto

12/3 – sábado – 14h às 18h

Oficina de criação teatral a partir do corpo do ator, em ação. Apresenta estímulos para a dramaturgia de ator: a ação como material; a observação de pessoas e situações reais; seleção e combinação de materiais; o trabalho com o texto.

Público: atores e bailarinos amadores e profissionais das artes interessados em reconhecer o potencial expressivo do corpo

Inscrições: 12/1 a 3/3

Seleção: Análise de currículo | Carta de interesse

16 vagas

Indicação: maiores de 16 anos

Local: Oficina Cultural Oswald de Andrade – Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro – São Paulo/SP

Link para se inscrever: https://docs.google.com/forms/d/1UJ04oEmbJk3DjMQimct8VZHQlvF1RseJp3H7EZhy_Y0/viewform

 

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