EXPOSIÇÃO: Instituto Tomie Ohtake apresenta sétima edição do ‘Arte Atual’

O Instituto Tomie Ohtake criou em 2013 o Arte Atual, uma plataforma para pesquisas artísticas, de caráter experimental, na qual, por meio de uma questão sugerida pelo seu Núcleo de Pesquisa e Curadoria, coordenado por Paulo Miyada, um grupo de artistas convidado desenvolve um novo trabalho.

 

Obra de Jorge Soledar, de 2016,. “Síndrome de Malkovich (cabeça)”. Ação com pessoa e manequim
de fibra de vidro. Foto: divulgação

 

Nesta sétima edição do programa, que conta com o patrocínio da Recovery, a partir das obras de Adriano Costa, Arjan Martins e Juliana Cerqueira Leite, os curadores propõem questionar as urgências do tempo presente e seu apego à própria descartabilidade. “Em uma época que resiste a planejar seu futuro ou a conhecer seu passado, talvez seja o momento de questionar a fugacidade do que se propaga ao redor: e se nada – nenhum produto, nenhum corpo, nenhuma história – for tratado como descartável? ”, analisa Miyada.

Em suas obras, o paulistano Adriano Costa lança mão de objetos e imagens banais hoje produzidos, consumidos e supostamente esquecidos, para, como aponta a curadoria, recombiná-los até a lógica dos produtos fraturar o fazer artístico e vice-versa. “Até o ponto em que se possa perceber que os artefatos, imagens e ideias mais avançados na cadeia produtiva atual são materiais do presente e podem ser já a memorabilia das ruínas que existirão no futuro”.

Já o carioca Arjan Martins, em sua pintura, reconfigura valores de ícones já capturados por narrativas fáceis de consumir e símbolos de grande circulação social, especialmente relativos à história da colonização do Brasil e às visões e versões sobre a imigração e a escravidão africanas. “Em cartografias pintadas, procura, por exemplo, o avesso do papel heroico atribuído às caravelas e outros baluartes do projeto colonial, ao mesmo tempo em que se questiona a constante representação de imigrantes como alquebrados subalternos”. Miyada acrescenta: “sabendo ainda que, assim como a tinta sobre a tela, todo esforço crítico tende a escorrer no regime vigente de consumo de todo tipo de imagem”.

 

Obra de Jorge Soledar. Foto: divulgação

 

Por sua vez, Juliana Cerqueira Leite, artista nascida em Chicago e que atualmente reside em Nova York, faz do próprio corpo molde, motor e matriz. Peças desse corpo esculpidas constroem uma ponte entre a obra e a identidade desse mesmo corpo. De acordo com a curadoria, a artista imprime sequências de movimento e empilhamentos de gestos em esculturas que, por um lado, vão além do reconhecimento de sua anatomia e, por outro, dependem do confronto físico direto com a resistência e plasticidade da matéria que molda sobre si: a ação não exprime uma ideia, mas imprime posições.

“Com estratégias tão diversas, esses três artistas arriscam-se a colocar-se em rota de colisão com o presente, não para capturá-lo ou vencê-lo, mas para deixar-se fraturar com seu empuxo e, assim, criar rastros para sua voracidade”, completa Miyada.

 

Parceria – O Programa Arte Atual conta com a parceria de galerias para a produção das obras, desenvolvidas por meio de diálogos entre a equipe curatorial do Instituto Tomie Ohtake e os artistas convidados. O programa já contabilizou seis exposições: Estranhamente Familiar (2013); Medos Modernos (2014); E se quebrarem as lentes empoeiradas? (2015); Da banalidade (2016); É como Dançar sobre Arquitetura (2017) e Fábula, frisson, melancolia. Nesta sétima edição, as galerias A Gentil Carioca, Casa Triângulo e Mendes Wood DM tornaram possível sua realização.

 

Exposição: Arte Atual – Fratura

Quando: De 16 de março a 6 de maio. Abertura: 15 de março, às 20h. De terça a domingo, das 11h às 20h

Onde: Instituto Tomie Ohtake (Av. Faria Lima 201 – Complexo Aché Cultural – entrada pela Rua Coropés, 88, Pinheiros.  Metrô mais próximo – Estação Faria Lima/Linha 4 – amarela)

Entrada franca

Informações pelo telefone: 11/2245-1900

 

 

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