EXPOSIÇÃO: Projeto “Ukiyo-e Heroes” chega ao Brasil

Exposição e bate papo/demonstração fazem parte da programação

 

A Fundação Japão realiza a exposição do projeto “Ukiyo-e Heroes”, com 15 obras (xilogravuras) do ilustrador norte-americano Jed Henry, durante o período de 04 de março a 12 de abril de 2013 no JOH MABE Espaço Arte & Cultura, no Jardim Paulista, em São Paulo.

 



“Ukiyo-e Heroes” é um projeto sem precedentes. Uma série de paródias envolvendo personagens de videogames já foi feita, é verdade. Mas o que eles (Jed, o artista ilustrador e David, o gravador) fizeram quando decidiram juntar cultura pop com gravura tradicional japonesa resgata o próprio pensamento do Ukiyo-e. Para tal é preciso enfatizar que as estampas japonesas, que encantaram os impressionistas europeus do século XIX, sobretudo pela nostalgia e exotismo, eram, na verdade, retratos da vida cotidiana e de ícones, tais como as cortesãs e os atores famosos, contemporâneos à época em que foram feitas. Jed, ao trazer sua paixão por videogames, juntamente com seu magnífico traçado e composição, para o universo da gravura japonesa, o qual David domina e executa com exímio talento há mais de 30 anos, atualiza a tradição desta arte e nos aponta para as origens dos videogames.”, afirma Fernando Saiki, autor do artigo sobre a prática da estampa japonesa no livro “Imagens do Japão II”, organizado por Christine Greiner e Marco Souza.

 

 

Além da exposição, haverá um bate papo e demonstração da técnica do “Mokuhanga “(Imagem impressa pela madeira), no dia 02 de março de 2013 (sábado), em dois horários, às 10h e 14h, com o ilustrador, Jed Henry que visita o país pela primeira vez. O artista plástico brasileiro Fernando Saiki, que desenvolve obras em xilogravura japonesa, também participa do evento. A conversa, toda em inglês, terá tradução consecutiva para o português. As inscrições para o bate papo, limitadas a 35 pessoas por turma, devem ser feitas pelo site www.fjsp.org.br.

 

Durante a passagem pelo Brasil, Jed também profere uma palestra fechada aos alunos da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo.

 

 

Ukiyo-e Heroes

O projeto iniciado em abril de 2012, em parceria com o gravador anglo-canadense residente em Tóquio, David Bull, já arrecadou U$ 313,000 na plataforma digital Kickstarter, ganhando destaque na mídia internacional, noticiado no jornal The Japan Times, na revista GQ, no site CCN Money e na versão digital da revista Wired (edição japonesa e inglesa).

“Nosso principal objetivo é bombear a vitalidade de volta para esta forma de arte (Ukiyo-e), dando-lhe um apelo moderno, mas mantendo suas tradições”, afirma Jed.



Ukiyo-e

A tradução de Ukiyo-e (“Figuras de um mundo flutuante”), nascido no Japão durante o Período Edo (1603-1868), refere-se a um termo budista sobre a brevidade e a incerteza da vida. Sua criação reflete basicamente às mudanças comportamentais da época (como o nascimento da classe burguesa), em que arte agora era consumida não somente por samurais e a corte.

As primeiras gravuras eram realizadas para ilustrar histórias de livros, mas Ishikawa Moronobu (?-1694), considerado o pai do Ukiyo-e, cunhou a gravura Ichimai-e ou Ichimai-zuri, ou seja, folha avulsa, pensada de forma autônoma. Mas com Okumura Masanobu, que para ganhar mais liberdade de expressão abriu sua própria editora, que o ukiyo-e ganhou inovação, com o desenvolvimento da gravura de perspectiva (uki-e) e de pilastra (hashira-e). E o artista Suzuki Harunobu a elevou a um grau de complexidade e sofisticação, compondo imagens de até dez cores impressas em blocos diferentes.

A temática era variada, mas se concentrava na vida urbana e as cenas do cotidiano (cortesãs, lutadores de sumô e atores de teatro kabuki, também nascido na época), com destaque, para as paisagens, cidades japonesas e as inúmeras representações/vistas do monte Fuji, um dos maiores cartões postais nipônicos. Com a abertura do Japão ao Ocidente, na Era Meiji (1868-1912), e a popularização de métodos mais baratos, como a gravura em metal, litografia e a fotografia, o ukiyo-e cai em desuso. Usado como papel de embrulho de porcelanas e cerâmicas exportadas para Europa, iria influenciar drasticamente pintores impressionistas franceses, como Claude Monet.

 

 

 

 

Perfil

Jed Henry

Ilustrador norte-americano, graduado em Bacharel em Fine Arts Animation (2005-2008) pela Brigham Young University (BYU), em Utah, Estados Unidos. Na área da animação, estagiou na SONY Pictures e ganhou prêmios como o primeiro lugar (Student Emmys) e terceiro (Student Academy Awards), com “KITES”, seu filme/tese de graduação, em 2008. Ilustrou livros infantis (“Cheer Up, Mouse!” e “Just Say Boo!”) da editora Houghton Mifflin, entre outras como a Penguin, Harper Collins e Candlewick. Além disto, se considera um jogador de videogames profissional, japanófilo e nerd assumido.

 

 

Fernando Saiki

Artista plástico formado pela Escola de Comunicações e Artes (ECA-USP), com especialização em Escultura, em 2004. Pesquisa e desenvolve trabalhos plásticos em xilogravura japonesa (mokuhanga), além de ministrar cursos e oficinas, desde 2006. Em 2012, publicou um artigo sobre a prática da estampa japonesa no livro “Imagens do Japão II”, organizado por Christine Greiner e Marco Souza e lançado pela editora Annablume.

 

 

SERVIÇO:

Exposição “Ukiyo-e Heroes” de Jed Henry
04 de março a 12 de abril de 2013
Segunda a sexta, das 10h às 18h
Sábados, das 10h às 15h

 

Bate Papo/demonstração com o ilustrador Jed Henry e participação especial de Fernando Saiki

02 de março de 2013 (sábado), às 10h e 14h

 

Inscrição pelo site www.fjsp.org.br
35 vagas por turma

 

Local
JOH MABE Espaço Arte & Cultura
Av. Brigadeiro Luiz Antônio, 4.225
Jardim Paulista – São Paulo
Tel: (11) 3885-7140
Email: jmabeart@mabe.com.br

 

Entrada Gratuita

 

Realização

Fundação Japão em São Paulo

 

Apoio
JOH MABE Espaço Arte & Cultura
Universidade Anhembi Morumbi

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