FESTIVAL DO JAPÃO: 20º Festival do Japão recebe mais de 170 mil pessoas e vê desafios para 2018

Cercado de expectativas, o 20º Festival do Japão mostrou, mais uma vez, que não é considerado “o mais aguardado evento da comunidade nipo-brasileira” à toa. Realizado pelo Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil), nos dias 7, 8 e 9, no São Paulo Expo (zona Sul de São Paulo), o evento deste ano terminou com um balanço positivo. E também com novos admiradores. Como o vice-ministro da Agricultura, Silvicultura e Pesca do Japão, Kenichi Hosoda, que, conforme revelou Takahiro Nakamae ao Jornal Nippak, ficou impressionado com a grandiosidade do evento.

 

20º Festival do Japão recebe mais de 170 mil pessoas e vê desafios para 2018. Foto: Aldo Shiguti

 

“Do ponto de vista operacional diria que foi um evento maravilhoso, que transcorreu sem grandes transtornos e que para nós, organizadores, foi muito bom”, avaliou o presidente do 20º Festival do Japão. De acordo com os organizadores, a vigésima edição recebeu um público superior a 170 mil pessoas – no ano passado também foram registrados cerca de 170 mil visitantes.

Para Ichikawa, “uma série de fatores” contribuiu para o sucesso do evento deste ano. A começar pelo tempo, que ajudou. O layout, explica, foi outro diferencial. “Foram criados mais espaços nos corredores e os expositores também contribuíram usando mais luz. Com ambiente mais clean e com mais espaços, as pessoas puderam circular sem muita tensão”, disse Ichikawa, acrescentando também que o público que frequenta o festival “já sabe se adequar ao tamanho das filas”.

 

Presidentes dos Kenjinkais presentes na recepção aos patrocinadores do 20º Festival do Japão. Foto: Aldo Shiguti

 

“Acho que as pessoas não comem tanto pela sequência estabelecida antes de chegar ao festival, mas elas acabam administrando o que comer em função das filas que encontram os estandes”, explicou, acrescentando que o uso do cartão também facilita e estimula o consumo na praça de alimentação.

Praça de alimentação que este ano, aliás, teve a participação de 46 dos 47 kenjinkais – o de Tóquio foi o único ausente – além de sete entidades assistenciais, um recorde na história do Festival.

 

Nakamae, Satoh, Yamada, Hosoda, Linamara, Ihoshi e Nishimoto. Foto: Aldo Shiguti

 

Desafios – Presente nos três dias do evento, a reportagem do Jornal Nippak constatou que a sexta-feira foi a mais movimentada dos últimos anos, fato também confirmado por Ichikawa. Também no sábado e o domingo  foram registrados movimentos superiores ao sábado e domingo do ano passado. “No domingo, aliás, chegamos a ficar preocupados porque, por volta das 14 horas, o pavilhão já estava bastante cheio e não parava de chegar gente”, admitiu Ichikawa, afirmando que outra medida “acertada” foi a preocupação com a presença de cadeirantes.

“Ampliamos o espaço para os portadores de necessidades especiais e felizmente acertamos pois não não recebemos nenhuma reclamação nesse sentido”, explicou Ichikawa, antecipando que para 2018, quando serão comemorados os 110 Anos da Imigração Japonesa no Brasil, o Kenren terá “muitos desafios” pela frente. Um deles refere-se ao próprio layout, elogiado este ano. “É uma questão que precisa ser renovada. O desafio será como crescer em um espaço limitado já que a ideia é transformar parte do pavilhão em uma espécie de Sambódromo”, argumentou, lembrando que a principal festividade programada pela Comissão para Comemoração dos 110 anos da Imigração Japonesa no Brasil acontecerá justamente dentro do 21º Festival do Japão. A ideia, segundo presidente do Comitê Executivo, Yoshiharu Kikuchi, é montar um palco e uma pista central com duas arquibancadas com capacidade para cinco mil pessoas sentadas.

 

Autoridades, políticos e patrocinadores durante o Kagami Biraki. Foto: Aldo Shiguti

 

Porém – Para Ichikawa, outro desafio será o espaço multimídia, “que este ano ficou excelente, mas que ainda tem muito a crescer”. De acordo com Ichikawa, “o único porém” e que terá que ser melhor trabalhado para 2018 é quanto a questão do transporte gratuito que liga a estação Jabaquara do metrô ao  São Paulo Expo.

“Pela Prefeitura, só nos foi permitido usar ônibus de turismo, o que acabou limitando muito o número de passageiros porque só é permitido o transporte de passageiros sentados. Por outro lado, não podíamos aumentar a quantidade de ônibus – foram 11 no sábado e 10 no domingo – para não atrapalhar o trânsito local. É algo preocupante porque formaram-se longas filas tanto no sábado como no domingo. Ainda bem que não choveu”, explicou Ichikawa, afirmando, o entanto,  que o problema é “equacionável”.

“Tudo acaba funcionando como uma experiência”, conta ele, destacando que também ficou “muito feliz” com a presença de voluntários nos estandes dos kenjinkais e das entidades.

 

Toshio Ichikawa, presidente do 20º Festival do Japão. Foto: Jiro Mochizuki

 

Abertura – Com o tema 20 Anos de Integração, Harmonia e Cultura, o Festival do Japão também arrancou elogios das autoridades e convidados presentes na cerimônia de abertura, no sábado. O embaixador Satoru Satoh, que está deixando o cargo no próximo dia 21, após oito meses por questões pessoais, lembrou que o tema deste ano, cuja proposta é disseminar o futuro voltando os olhos para a história deste festival, “às vésperas do memorável ano de 2018 em que serão celebrados os 110 anos da imigração japonesa no Brasil, é uma brilhante ideia”.

Segundo ele, em maio foi entregue ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Fumio Kishida, em Tóquio, o relatório sobre a parceria com as comunidades nikkeis na América Latina. “A respeito do Festival do Japão, o relatório salienta a importância da contribuição dos vários segmentos do Japão para o seu sucesso, participando junto com a comunidade nipo-brasileira e oferecendo, cada qual, seu potencial. O relatório destaca também a importância de se promover ainda mais a amizade entre ambos os países através desses esforços”, disse Satoh, destacando que o governo japonês se fez presente na 20ª edição do festival através do vice-ministro parlamentar Hosoda, além da participação do Ministério da Agricultura, Floresta e Pesca, da agência de turismo, do Ministério do Meio Ambiente, do Ministerio da Educação, Cultura, Esporte, Ciência e Tecnologia, da Jetro, da Jica e da Fundação Japão.

“O Festival do Japão contou também com apoio da Japan House São Paulo, inaugurada em abril”, lembrou.

 

O vice-ministro da Agricultura do Japão, Hosoda. Foto: Jiro Mochizuki

 

Antípoda – Líder do Governo na Câmara Municipal, o vereador Aurélio Nomura lembrou que”este festival teve início em 1998 com o senhor Amino, ainda na marquise do Ibirapuera”. “Quando ele veio ao meu Gabinete, a  princípio poderia parecer uma coisa megalomaníaca, mas hoje a gente vê que esse festival vem crescendo a cada ano porque mostra exatamente a grandiosidade que tem os japoneses e seus descendentes”, disse Nomura. “E o Festival do Japão coroa essa comunhão que existe entre a cultura brasileira e povo japonês”, disse o tucano, que agradeceu “o povo brasileiro, que recebeu os japoneses aqui tão calorosamente e que permitiu que nós, junto com a população brasileira, pudéssemos contribuir para formar este país maravilhoso”, e cumprimentou também os pioneiros da imigração japonesa “pela sua saga, pelo seu trabalho, pela sua dedicação”. “Hoje nós estamos aqui graças a a eles, que vieram para este país antípoda, e com trabalho, dedicação, com sangue, suor e lágrimas, ajudaram a construir nosso país”.

Os deputados estaduais Hélio Nishimoto (PSDB) e Pedro Kaká (PODE) também destacaram a contribuição da milenar cultura japonesa enquanto a deputada federal Keiko Ota (PSB-SP) disse que “o Festival do Japão sempre tem algo a nos ensinar”.

 

Desafio para 2018 será como crescer em um espaço limitado. Foto: Aldo Shiguti

 

Raízes – Já o deputado federal Walter Ihoshi (PSD-SP) explicou que, “como parlamentar descendente de japoneses,  tinha que  estar presente no maior evento da cultura japonesa”.

Importante apoiador do Festival do Japão, Ihoshi destacou que “é no Festival do Japão onde as nossas raízes estão presentes”. “Esse vínculo é muito importante em um momento como esse que vive o Brasil por trazer os valores e a contribuição dos nossos pioneiros para essa grande festa. O resultado é, na verdade, o reconhecimento do povo brasileiro, que prestigia o festival em grande número”.

 

A secretária estadual Linamara Rizzo Battistela. Foto: Aldo Shiguti

 

Ciência e tecnologia – Representando o governador Geraldo Alckmin (PSDB), a secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Linamara Rizzo Battistela, destacou que sua presença na cerimônia de abertura “deve-se sobretudo, ao fato de o governador traduzir seu interesse e sua admiração por cada um dos japoneses que vivem no Estado de São Paulo a partir de uma diretriz, que é priorizar mais ciência, mais tecnologia e mais desenvolvimento social”.

“E quando nós falamos em sustentabilidade do nosso planeta não podemos nos equecer das políticas sociais que irradiam a partir do Japão e que fazem com que cada um de nós brasileiros possamos aprender e trabalhar mais na perspectiva de ter uma sociedade mais justa, mais fraterna e que atenda a todos. Por isso, o desenvolvimento científico, o desenvolvimento tecnológico trazido aqui pelas diferentes companhias nos fazem cada vez melhores, como agentes públicos, como cientistas e como cidadãos”, destacou a secretária, acrescentando que “nossos corações comemoram todos dias a alegria de termos recebido, há 109 anos a cada um dos japoneses de braços abertos”.

Também estiveram presentes na abertura os vereadores Rodrigo Hayashi Goulart (PSD) e Ota (PSB).

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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    20º FESTIVAL DO JAPÃO – Takahiro Nakamae aproveitou até seu último dia em São Paulo antes de retornar para o Japão. No domingo, 9, último dia do Festival do Japão – maior evento da cultura japonesa do mundo – realizado pelo Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil) no São Paulo Expo, e já de malas feitas para embarcar, Takahiro Nakamae fez questão de percorrer, um a um todos os estandes dos 46 kenjinkais e e de associações como o próprio Kenren, Bunkyo, Hospital Santa Cruz e Hospital Nipo-Brasileiro, além do estande da NHK – a emissora estatal do Japão, para se depedir. “Em muitos kenjinkais são os jovens que trabalham. Os jovens e os Fujiunbus. Isso me anima muito”, disse Nakamae.

     

    Embaixadora Kawaii e o cônsul Nakamae
    Takahiro Nakamae no estade do Hospital Santa Cruz
    Nakamae no estande do Kenjinkai de Oita
    No estande da NHK
    No estande da Província de Hokkaido
    No estande da Sakura Ipe
    No estande do Kenjikai de Okayama
    No estande do Kenjinkai de Aichi
    No estande do Kenjinkai de Aomori
    No estande do Kenjinkai de Fukuoka
    No estande do Kenjinkai de Gunma
    No estande do Kenjinkai de Ishikawa
    No estande do Kenjinkai de Kochi, com Arnaldo Katayama
    No estande do Kenjinkai de Kumamoto
    No estande do Kenjinkai de Niigata
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    No estande do Kenjinkai de Shiga
    No estande do Kenjinkai de Shimane
    No estande do Kenjinkai de Tottori
    No estande do Kenjinkai de Toyama
    No estande do Kenjinkai de Hyogo
    No estande do Kenjinkai de Kagoshima
    No Kenjinkai de Ehime
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    Fotos: Aldo Shiguti / Jiro Mochizuki

     

     

     

    20º FESTIVAL DO JAPÃO – Realizado pelo Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil) nos dias 7, 8 e 9 deste mês, no São Paulo Expo (zona Sul de São Paulo), o Festival do Japão – que este ano apresentou como tema 20 Anos de Integração, Harmonia e Cultura, tem como objetivo preservar e divulgar a cultura japonesa para as novas gerações. No três dias, o evento – considerado o maior da cultura japonesa do mundo – recebeu um público de mais de 170 mil pessoas, apresentando shows musicais, atrações culturais, danças típicas, culinária regional das províncias japonesa, exposições culturais, workshops, cerimônia do chá e atividades gratuitas para as crianças, jovens, adultos e idosos. Muitas das atrações deste ano vieram do Japão, como o grupo TRIQSTAR, a dupla Delphina e o Nihon Minyo Kyokai. Da Argentina veio o cantor Gus Hokama e do Uruguai, a Banda Arudo.

     

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    Fotos: Aldo Shiguti e Jiro Mochizuki

     

     

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