GAIMUSHO KENSHUSEI: Após experiência no Japão, bolsistas retornam com visão mais abrangente e mais consciente do seu papel na comunidade nipo-brasileira

 

Retomado em 2013 após sete anos – graças ao empenho do cônsul geral do Japão em São Paulo, Noriteru Fukushima – a bolsa de estudos concedida pelo Governo Japonês através do Ministério de Negócios Estrangeiros daquele país possibilitou a viagem de cinco brasileiros ao Japão no período de 2 a 9 de março. Entre os participantes brasileiros – o Programa Jovens Líderes contemplou ainda outros três representantes da América do Sul, sendo um da Argentina, um da Bolívia e um do Peru – quatro eram da jurisdição do Consulado em São Paulo.

 

Mauricio Miyasaki, Oscar Urushibata, Yuji Izawa, Roberto Sekiya e Kiyoshi Harada (a partir da esquerda) (foto: divulgação)

 

Na semana passada, Yuji Izawa, de Cuiabá (MT), Roberto Sekiya e Maurício Miyasaki (ambos de São Paulo) – além deles, viajaram também Ricardo Nishimura (SP) e Bernardo Yamada (PA) –, estiveram na redação do Jornal Nippak para relatar suas impressões sobre a viagem, que teve como principal foco a participação na reunião do 25º Ano da Era Heisei dos Líderes Nikkeis da Próxima Geração.

O encontro, realizado no dia 4 de março na sala de reuniões internacionais do Ministério dos Negócios Estrangeiros, teve dois temas principais: “Fortalecimento das Relações Econômicas entre o Japão e as Américas Central e Sul” e “Fortalecimento da Rede de Relações entre os Nikkeis das Américas Central e Sul”.

Além dos bolsistas, o evento contou com a participação de representantes de órgãos do governo japonês e empresários.

A agenda incluiu ainda reuniões com políticos – como os deputados Wakabayashi e Kawai –, visitas a fábricas – entre elas a Nissan e a Panasonic –, e encontro na Casa Imperial com o príncipe e a princesa Akishino, além, é claro, de paradas em pontos turísticos.

Para Sekiya, dois pontos merecem ser destacados. “Primeiro, a reunião do 25º Ano da Era Heisei dos Líderes Nikkeis da Próxima Geração, onde tivemos oportunidades de trocar informações com profissionais renomados da Jica, da Jetro e de Universidades Japonesas, além de empresários e participantes da América do Sul. Segundo,o encontro com membros da família imperial foi um momento de muita honra e proivilégio sermos recebidos e podermos dialogar com o príncipe”, destacou o assessor parlamentar, acrescentando que a participação no programa possibilitou a construção de pontes com profissionais do Ministério das Relações Exteriores, “jovens que com certeza em um futuro breve estarão ocupando postos chaves no governo japonês”.

Para o administrador e presidente da Federação Matogrossense de Beisebol e Softbol, Yuji Izawa, que morou e trabalhou no Japão como dekassegui, inclusive como assessor do ex-jogador e hoje técnico Zico, “o mais importante foi despertar a consciência para o papel que podemos e devemos ocupar na comunidade nipo-brasileira”.

“Não sabia do que se tratava a viagem e chegando no Japão pude conhecer e trocar informações com especialistas em diversas áreas. Com certeza retornei mais preparado para ajudar de forma mais produtiva e efetiva para estreitar as relações entre os dois países”, destacou Izawa, que foi indicado pelo próprio cônsul Noriteru Fukushima.

Já o diretor do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), Maurício Makoto Miyasaki, viajou com uma missão bem definida: dar continuidade ao Fórum de Integração Bunkyo – FIB, evento anual promovido pelo Bunkyo e que em 2014 chega a sua sexta edição. “Este ano, o FIB será realizado em novembro com um tema principal, Intercâmbio com o Japão, com focos na cultura, tecnologia e educação. Como resultado da viagem, além da vivência pessoal, pude colher informações e negociar a vinda do ex-presidente da Sony no Brasil para dar palestras”, conta Miyasaki.

 

Visão abrangente – Para Oscar Tetsuo Urushibata e o jurista Kiyoshi Harada, respectivamente, presidente da Associação Brasileira de Ex-Bolsistas “Gaimusho Kenshusei” e diretor Cultural da associação, o objetivo da bolsa é justamente possibilitar ao participante ter uma visão mais abrangente em sua área, qualquer que seja ela. “Todos os participantes voltam com uma nova perspectiva. Embora o mundo esteja globalizado, nada melhor que ter um canal de comunicação direto”, explica Harada, antecipando que, a partir de 2015, a associação deve concentrar esforços para que a bolsa tenha duração de pelo menos 15 dias.

(Aldo Shiguti)

 

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