GAIMUSHO KENSHUSEI: Reimei Yoshioka é homenageado pelo Gaimusho com a outorga do Prêmio Mario Osassa

 

A Associação Brasileira dos Ex-Bolsistas do Ministério das Relações Exteriores do Japão “Gaimusho Kenshusei” realizou no último dia 12, na Sociedade Civil Hiroshima Kenjinkai do Brasil, no bairro da Liberdade, cerimônia de outorga do Prêmio Mario Osassa a Reimei Yoshioka pelos “relevantes serviços prestados”. Estiveram presentes o cônsul Motohiro Hoshino, o vereador Aurélio Nomura e o presidente do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), Kihatiro Kita, entre outros.

 

Nomura, cônsul Motohiro Hoshino, Harada, Reimei Yoshioka, dona Hatuyo, Sottuka e Kita (foto: Jiro Mochizuki)

Nomura, cônsul Motohiro Hoshino, Harada, Reimei Yoshioka, dona Hatuyo, Sottuka e Kita (foto: Jiro Mochizuki)

 

Abrindo a série de discursos, o atual presidente do Gaimusho Kenshusei, Jorge Sototuka, enfatizou as qualidades do homenageado, “uma pessoa altruísta, que pensa primeiro no próximo bem antes de si mesmo”. Como uma das principais características de Reimei Yoshioka, Sotokuka destacou o espírito “voluntário, que nunca foge às responsabilidades”. “É um privilégio fazer parte do seu círculo de amizades”, ressaltou.

A sessão de outorga do Prêmio Mario Osassa foi conduzida pelo jurista Kiyoshi Harada, que iniciou sua fala destacando a importância do Prêmio, “única cerimônia da Associação Gaimusho revertida de humanidade”. Em seguida, solicitou que todos fizessem um minuto de silêncio em homenagem a “dois companheiros” que faleceram este ano: Lúcia Kihara e o ex-cônsul geral do Japão em São Paulo, Kazuaki Obe.

 

O presidente do Gaimusho, Jorge Sototuka: " Encontro voluntário" (foto: Jiro Mochizuki)

O presidente do Gaimusho, Jorge Sototuka: ” Encontro voluntário” (foto: Jiro Mochizuki)

 

 

Credibilidade – Dando sequência, Harada sintetizou as razões que levaram a entidade, em 2006, a instituir o Prêmio que leva o nome de um dos primeiros bolsistas, o saudoso Mario Osassa. “Uma de suas características mais marcantes não era apenas sua militância política, mas seu perfil sempre disposto a colaborar com todos. Tinha um semblante tranqüilo, até mesmo nos momentos de dificuldade financeira, e é um dos raros homens que conviviam com pessoas de personalidades tão opostas”, enumerou. “O Mario Osassa era uma pessoa que transmitia credibilidade e compreensão, daí a necessidade de sempre lembrarmos o quão importante é conviver em harmonia”, destacou o jurista.

“Em um momento conturbado em que vivemos, em que estamos sempre dispostos a disputar espaços quando o Mario Osassa nos ensinava justamente que os espaços existem para serem compartilhados, é uma satisfação entregar o Prêmio que leva o nome deMario Osassa a uma pessoa que tem afinidade com esse espírito”, destacou Harada.

 

Felícia e Kiyoshi Harada com Reimei Yoshioka e Hatuyo (foto: Jiro Mochizuki)

Felícia e Kiyoshi Harada com Reimei Yoshioka e Hatuyo (foto: Jiro Mochizuki)

 

Currículo – Coube ao presidente do Bunkyo, Kihatiro Kita, ler o currículo do homenageado que, assim como ele, também nasceu na região da Noroeste.

Filho de imigrantes japoneses que chegaram ao Brasil em 1928, vindos da região de Hokkaido, no extremo norte do Japão, onde dedicavam-se à pesca, Reimei Yoshioka nasceu em Mirandópolis (625 km da Capital), Bairro Três Alianças, um dos muitos núcleos de colonização japonesa a Oeste do Estado, formados para receber os imigrantes.

Cursou três faculdades – entre elas a de Ciências Sociais –, além de completar sua vida acadêmica com mestrado e doutorado. Formado em Saúde Pública (USP/1959), Serviço Social (Faculdade Paulista de Serviço Social / 1964) e Letras e Ciências Humanas (USP/1986), mestrado e doutorado em Geografia Humana (USP/1994), foi no trabalho de assistência e na luta pela igualdade social que Yoshioka pautou sua vida profissional. Ainda na época de estudante, por exemplo, envolveu-se com as causas das minorias ao integrar o Movimento Universitário de Desfavelamento no período de 1961 e 1967.

Iniciou sua carreira profissional na Coordenadoria de Saúde e Assistência Social (Coseas), da Universidade de São Paulo, mas a busca de novos desafios o levou a trabalhar nas Centrais Elétricas de São Paulo (Cesp), durante as obras da Usina Hidrelétrica de Urubupungá e, posteriormente, à cidade de Marabá (PA), primeiro como diretor do Campus Avançado da USP naquela cidade paraense e, depois, como coordenador da Equipe Técnica de Implantação da Nova Marabá.

Foi professor visitante da Universidade Província de Nara, no Japão, Departamento de Estudos Brasileiros da Faculdade de Estudos Internacionais de Cultura, de 1997 a 2001. Nesses quatro anos estudou profundamente os dekasseguis, tema que resultou em sua tese de doutoramento, intitulada “Por que Migramos do e para o Japão”.

Além de presidente do Ikoi-no-Sono, cargo que ocupou de 2006 até março deste ano, Reimei Yoshioka presidiu a Federação Paulista de Beisebol e Softbol; foi vice-presidente do Bunkyo, presidente da OSIP Instituto de Solidariedade Educacional e Cultural (Isec); coordenador de Projetos e da Comissão Cultural da Associação para Comemoração do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil e coordenador do Núcleo de Informação e Apoio a Trabalhadores Retornados do Exterior,). Em 2011 foi agraciado pelo governo japonês, por meio do Ministério de Relações Exteriores, com o diploma de “Gaimu Daijin Hyosho Jo”. Em abril deste ano recebeu o título de Cidadão Paulistano, uma iniciativa do vereador Aurélio Nomura.

 

O homenageado e a esposa com familiares (foto: Jiro Mochizuki)

O homenageado e a esposa com familiares (foto: Jiro Mochizuki)

 

Espírito comunitário – Emocionado, Reimei Yoshioka disse que “não sei o que fiz na vida para merecer este Prêmio”. “Só trabalhei porque alguém precisava e era meu dever participar das atividades culturais da comunidade nipo-brasileira”, disse ele, lembrando que, onde nasceu, “o espírito comunitário e o sentimento de ajuda mútua estavam bastante presentes”.

Após lembrar passagens de sua vida, Reimei Yoshioka finalizou explicando que “não sei se essas ações me credenciam a receber esta honraria”. “Mas para mim é uma honra”, concluiu o homenageado, que recebeu o prêmio ao lado de sua esposa, Hatuyo.

(Aldo Shiguti)

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