GAIMUSHO: Livro marca os 21 anos da Associação Latino-Americana de Ex-Bolsistas do Gaimusho

Acontece no próximo dia 14, a partir das 19 horas, no Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil (MHIJB), no prédio do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social – no bairro da Liberdade, em São Paulo, o lançamento do livro “21 Anos Consecutivos da Associação Latino-Americana de Ex-Bolsistas de Gaimusho”.  Trata-se de uma obra coletiva sob coordenação geral do jurista  Kiyoshi Harada com a participação de autores dos cinco dos  países participantes da Associação Latino-Americana de Ex Bolsistas do Gaimusho (Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão): Argentina, Bolívia, Brasil, México e Peru.

 

Livro marca os 21 anos da Associação Latino-Americana de Ex-Bolsistas. Foto: Jiro Mochizuki

 

Segundo o vice-presidente da ALAExBG, Kiyoshi Harada, a  ideia do lançamento da obra coletiva nasceu por ocasião da realização do XV Encontro Latino-Americano de Ex-Bolsistas realizado em setembro de 2016 em Buenos Aires, Argentina, que contou com a participação oficial da Embaixada do Japão na Argentina para comemorar os 21 anos de sua fundação, no ano de 1995, em Lima, Peru, por iniciativa dos ex-bolsistas brasileiros e peruanos liderados, respectivamente, pelo ex-desembargador Jo Tatsumi e pelo primeiro nikkei deputado Constituinte do Peru, Manuel Kawashita.

A obra que contém mensagens dos embaixadores da Argentina, da Bolívia, do Brasil e do México nas páginas iniciais, é composta de 8 capítulos, impressos em papel colorido contendo 648 páginas em formato 21 cm x 29 cm.

O capítulo 1, a cargo de Jo Tatsumi, destaca o nascimento da ALAExBG. No capítulo 2, o ministro aposentado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Massami Uyeda, aborda o tema sobre a importância da Bolsa no âmbito latino-americano. No capítulo 3, o diretor de Relações Instituicionais da ALAExBG, Renato Yamada, com colaboração de Kiyoshi Harada, faz uma análise da participação dos ex-bolsistas no cenário nacional no âmbito latino-americano.

“Procuramos saber quais foram as contribuições dos bolsistas em seus países depois que eles retornaram do Japão”, disse Yamada.

O capítulo 4 retrata toda a vida cultural da associação ao longo dos 21 anos de sua existência. Armando Kihara, Raimundo Uezono e Kiyoshi Harada elaboraram, na devida ordem cronológica, o resumo de todos os Encontros Latino-Americanos havidos, desde a fundação da entidade em 1995 até o ano de 2016, quando se realizou o XV Encontro.

 

Renato Yamada (diretor de relações institucionais), Kiyoshi Harada (vice-presidente) e Kita (tesoureiro). Foto: Aldo Shiguti

 

Filé mignon – Para Harada, trata-se do “filé mignon” da obra. “Pelo teor das palestras transcritas na íntegra é possível constatar que ao longo do tempo os temas discutidos foram ganhando dimensão internacional, extrapolando o âmbito restrito da comunidade nikkei à medida que foi formando a massa crítica de seus participantes”, explica  o coordenador, acrescentando que “assim, foram abordados temas referentes à formação de blocos econômicos, à globalização econômica, ao impacto ambiental do século XXI, ao aquecimento climático e no último Encontro, o tema pertinente às relações comerciais entre o Japão e os países latino-americanos, a partir da assinatura de Tratados de Amizade, Comércio e Navegação com vários países latino-americanos”.

“Esse é o maior acervo cultural que vamos deixar para a posteridade, ou seja, para os nossos netos e bisnetos para que eles possam dar continuidade geracional a essse relacionamento Brasil-América-Latina”, conta Harada, que citou como exemplo o aquecimento global – tema que foi discutido em 2012 pelos kenshuseis. “Tivemos a felicidade de verificar que num desses encontros internacionais sobre aquecimento global realizada em Paris, foi lançado  aquele pensamento que já havíamos externados anos antes”, lembra ele, que ainda no capítulo 4, destaca o último subcapítulo, 4.15,  com a cobertura completa do XV Encontro comemorativo dos 21 anos de existência da entidade, enfocando a solenidade de abertura, as palestras proferidas e a parte social do evento consistente na recepção dos congressistas na residência oficial do embaixador Noriteru Fukushima, sua condecoração com o Prêmio Manuel Kawashita e homenagens prestadas aos fundadores da ALAexBG, Jo Tatsumi, Rodolfo Sakata e Manuel Kawashita (in memoriam).

Segundo Harada, durante o jantar de despedida foram prestadas homenagens aos primeiros bolsistas de 1965, aos participantes do 1º Encontro de Lima, Peru, em 1995, aos palestrantes e chefes das delegações presentes, além da outorga do Prêmio Mario Osassa pela delegação brasileira à  Silvia Kushida da Bolívia. “Ao invés de fazermos um livro exclusivo, jogamos os anais dentro desse  livro comemorativo, mas com uma cobertura completa de tudo que aconteceu nesse 15º Encontro, encerrando o capítulo com chave de ouro”, assegurou Harada.

O capítulo 5 contém textos relativos aos Tratados de Amizade, Comércio e Navegação  elaborados por Marcus Onodera e Mario Iwamizu, do Brasil; Sergio Hernandes Galindo, do México; Ricardo Miyaji, da Argentina, e César Tsuneshigue, do Peru.

O capítulo 6 cuida da comunidade nikkei no cenário dos países latino-americanos, cujos textos foram escritos por Gabriela Yoshihara, da Argentina, Silvia Kushida, da Bolívia, Oscar Urushibata, do Brasil, Sérgio Hernandez Galindo, do México, e César Tsunshigue, do Peru.

 

Capa da obra coletiva

Politização – Para Harada; “é impressionante a leitura desse capítulo 6, que vem comprovar aquela minha velha tese – e não aceita pela liderança intelectualista brasileira – de que a porta de abertura do nikkei no cenário nacional é a política”. “Fui veementemente contestado num Congresso realizado logo após a celebração do Centenário. Ná época, venceu a corrente liderada pelo sociólogo Sedi Hirano, no sentido que a ascensão do nikkei repousa exatamente no apego à cultura japonesa, ou seja, em conceitos como honestidade e força de trabalho. Tudo bem, não descarto isso, só que isso são valores universais. Como dizia o já falecido sociólogo Hiroshi Saito, trata-se de uma  herança atávica, vai transmitindo de geração em geração, não morre. Com rarísimas exceções, todos nikkeis são honestos e trabalhadores. Mas alguma comunidade  nikkei avançou mais que outras por causa da participação política que tiveram em seus países e não só por causa da cultura japonesa, que certamente é valorosa e serviu de alavanca para a nossa ascensão. Mas não foi só isso”, disse Harada, afirmando que “sempre achava que a eleição do nipo-peruano Alberto Fujimori à Presidência do Peru fosse um “fenômeno isolado”. “Na realidade, é uma coroaão de um processo de politização”, explicou.

O capítulo 7 versa sobre as principais entidades que promovem a cultura japonesa no âmbito latino-americano. Os textos foram escritos por Harada, Ricardo Miyaji, da Argentina; Silvia Kushida, pelo ex-presidente do Bunkyo, Kihatiro Kita, Sérgio Hernandez Galindo, do México, e César Tsuneshigue, do Peru.

Ex-presidente do Bunkyo, Kita disse que “quis passar a atuação de entidades e associações nikkeis existentes em todos os cantos do país”. “Hoje praticamente todas as cidades do interior onde tenham nikkeis tem seu kaikan ou associação. Acho isso muito importante pois mostra que a socidade nipo-brasileira hoje ainda está bastante unida e deixando um legado para as futuras gerações”, explicou.

E, finalmente, o capítulo 8 escrito por Harada compõe-se de três subcapítulos com a inserção do Estatuto da associação, do Regulamento do Prêmio Manuel Kawashita e de sua biografia. O último subcapítulo é dedicado a abordagem da Japan House SP como forma de retribuição dos ex-bolsistas latino-americanos ao governo japonês que vem mantendo a Bolsa de Estudos desde o ano de 1965, completando mais de meio século.

 

Desafios – Para Harada, a obra coletiva representa “um verdadeiro registro histórico para as futuras gerações, retratando todas as atividades sociais e culturais dos nikkeis latino-americanos inseridos nas respectivas sociedades locais, divulgando e transmitindo os valores da cultura japonesa, ao mesmo tempo em que incorporam a cultura nativa no seio das respectivas  comunidades nikkeis”. “Muito do que vêm fazendo os ex-bolsistas latino-americanos coincide com o pensamento externado por sete intelectuais japoneses em documento que tivermos acesso recentemente, versando sobre o relacionamento do Japão com os países da América-Latina e Caribe”, conta o jurista, afirmando que o livro deve ser divulgado também para os órgãos governamentais brasileiros e japoneses.

“As pessoas morrem, mas as ideias e os conteúdos permancem”, diz Harada. “Não adianta você fazer algo se as pessoas não ficam sabendo que você está fazendo”, conta, explicando que o principal desafio da ALAExBG daqui para frente será o de fortalecer e apoiar o surgimento de novas lideranças. “Nesse sentido o Brasil tem feito sua lição de casa. Uma continuidade vai depender muito do que Peru e Argentina fizerem”, afirmou.

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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    LANÇAMENTO DO LIVRO COLETIVO

    21 Anos Consecutivos da Associação Latino-Americana de Ex-Bolsistas de Gaimusho

    Quando: Dia 14 de Dezembro, a partir das 19 horas

    Onde: Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil (Rua São Joaquim, 381 – 9º andar – Liberdade)

    Informações: 11/3208/1755

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