GENTE: Conheça a história de Sanji Chiba, ‘o queridinho da Ceagesp’

Quem diz que tamanho é documento está engando. Basta ver Sanji Chiba – ou Chiba como prefere ser chamado. Portador de necessidades especiais – para andar tem que se apoiar em um par de moletas – ele mede apenas 1,12 m de altura. Mas isso não o deixa de braços cruzados. Ao contrário, tem uma disposição de dar inveja em muitos jovens.

 

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Sanji Chiba, de 84 anos de idade, na CEAGESP, onde se sente em casa: "Sou feliz aqui" (Foto: Luci Judice Yizima)

Sanji Chiba, de 84 anos de idade, na CEAGESP, onde se sente em casa: “Sou feliz aqui” (Foto: Luci Judice Yizima)

 

Chiba trabalha como camelô na Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo), maior entreposto da América Latina e o terceiro maior do mundo. Aos 84 anos de idade, nascido na província de Fukuoka, no Japão, mas radicado no Brasil há 82 anos, ele esbanja carisma e cativa a todos com simpatia e muito bom humor.

Entrevistado pela reportagem do Jornal Nippak no ambiente que ele mais gosta e se sente em casa – na Ceagesp –, Sanji Chiba conta como começou a trabalhar no local. “Vendia bilhete da Loteria Federal e em seguida Loteria Esportiva”, lembra. “Depois caiu o movimento das loterias e tive que inovar vendendo de tudo, desde uma simples caneta a sabonete, cortador de unha, chaveiro, canivete, lupas, bonés, inclusive pé de cabra que é minha maior receita”, destaca Chiba, com risos de satisfação.

“Eu não tive a oportunidade de ir à escola, porém fui alfabetizado em casa pela minha mãe e uma professora japonesa particular. Naquela época não se fazia amizade com brasileiro facilmente como hoje. Então eu não tinha amigos brasileiros, só japoneses” conta, acrescentando que sabe ler e escrever. “Eu acordo cedo, lavo, passo e faço comida, não tenho medo do trabalho”, garante Sanji Chiba.

Conta que uma vez por mês viaja a Curitiba sozinho para participar de taikai, pois adora cantar – se sente como uma “cigarra, pequeno e canta alto”. Chiba afirma que nunca se casou, diz que ainda é virgem, por falta de oportunidade, mas que está disponível para futura amizade e quem sabe um compromisso sério.

“Todos os dias eu atravesso a cidade de São Paulo, saio da zona Leste e venho para a Ceagesp, na zona Oeste. Eu gosto muito de trabalhar aqui, me sinto em casa. Todos me tratam bem e com respeito. Você precisa mais do quê? Nada. Sou feliz aqui”, finaliza Chiba.

 

Sanji Chiba com sua "família": nikkei começou vendendo bilhetes de loteria federal (foto: Luci Judice Yizima)

Sanji Chiba com sua “família”: nikkei começou vendendo bilhetes de loteria federal (foto: Luci Judice Yizima)

 

Elogios – A recíproca é verdadeira. Para seu Enio Kiyohara, comerciante de legumes na Ceagesp há 46 anos, não faltam elogios ao seu Chiba. “Há 30 anos conheço o seu Chiba, sempre cheio de vitalidade, muito trabalhador e honesto”, enaltece. “Ele é muito querido das pessoas por aqui. Eu o vejo como uma figura de ser humano fantástica. Sempre esforçado, um exemplo a ser seguido. Eu o respeito por tudo que ele faz”, conclui Kiyohara.

Outra que também não poupa elogios é a vendedora de cafezinho e água, dona Cristina. “Esse homem vale ouro”, diz. “Ele é a pessoa mais meiga e doce que já conheci. Pensa em um ser humano bom? É ele. Ele é o queridinho da Ceagesp, todo mundo o respeita muito, ninguém mexe nas coisas dele. Aqui ele tem uma grande família”, afirma Cristina.

 

Criatividade – Além de força de vontade, Chiba também esbanja criatividade. Construiu uma banca móvel, usando tábuas de caixotes de laranjas, com rodinhas de rolimãs, com prateleiras, toda adaptada ao seu tamanho. Detalhes são os banquinhos: um com almofada no assento, com rodinhas de rolimãs também, para ele circular com mais facilidade e agilidade nas dependências da Ceagesp, e outro banco sem rodinhas para as visitas.

Durante a entrevista nas dependências agitada do Armazém do Produtor, Pavilhão F (verduras, legumes e hortaliças), o mesmo em que Chiba tem o seu ponto de venda, onde divide espaço com caixotes de legumes e verduras, era evidente o perfume natural das hortaliças que exalavam pelo ambiente. O que mais chamou atenção não foi o vai vêm dos carrinhos de mão dos carregadores transportando toneladas de mercadorias mas os gestos de carinho e os gritos para cumprimentar “Chiba”, que ecoavam por todo o galpão.

(Luci Júdice Yizima)

 

 

 

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