HAICAI BRASILEIRO

 

Jornal Nippak publica aqui os haicais enviados pelos leitores. Haicai é um tipo de poema que se originou no Japão. Seu maior expoente é Matsuo Bashô (1644-1694). O haicai caracteriza-se por descrever, de forma breve e objetiva, aspectos da natureza (inclusive a humana) ligados à passagem das estações. Hoje, no mundo inteiro, pessoas de todas as idades e formações escrevem haicais em suas línguas, atestando a universalidade dessa forma de expressão.

 

TEMAS DE JULHO:  Camélia – Lua fria – Colheita de cana

 

 

A sombra da casa

Encobre toda a piscina –

Luz da lua fria.

Benedita Azevedo – Magé, RJ

Segue o trabalho

Após colheita da cana –

Fuligem no céu

Carlos Viegas – Brasília, DF

faceira na foto

– a camélia nos cabelos –

minha mãe no baile…

Clarice Villac – Campinas, SP

Sob o mesmo capote

rostos unidos observam

a furtiva lua fria.

Danita Cotrim – São Paulo, SP

Bóias frias

Na colheita de cana

Ressoar de facões

Elisa Campos – São Paulo, SP

Passante noturno

abotoa o paletó.

Noite de lua fria…

Guin Ga Eden – Niterói, RJ

No fim do decote

a camélia cor de rosa –

Vestido de baile.

Iraí Verdan – Magé, RJ 

Jardim materno

A mesma rubra camélia

Depois de tantos anos!

Irene M. Fuke – São Paulo, SP

Meus passos seguem

A lua fria distante

Com olhar redondo.

Izumi Fujiki – São Paulo, SP

Por trás das vidraças,

uma xícara de chá –

Lá longe, a lua fria.

Madô Martins – Santos, SP

Perfume de flor

No passeio de domingo

Camélias abertas

Maria Isabel Porazza – São Paulo, SP

Clarão no horizonte

na noite escura sem lua –

Colheita de cana.

Mario Isao Otsuka – São Paulo, SP

Tarde da noite

não há viv’alma na rua –

Só a lua fria.

Monica Martinez – Granja Viana, SP

No antigo jardim

da senhora que se foi

ainda as camélias

Neide Rocha Portugal – Bandeirantes, PR

Flores de camélia –

meu marido se lembrou

que eu gostava delas

Neide Rocha Portugal – Bandeirantes, PR

Estrada de barro –

Numa carroça a transitar,

flores de camélias.

Nilton Silva – São Paulo, SP

Capela do sítio –

À sombra da velha cruz

As novas camélias.

Sônia Adarias – Santos, SP

Sulcos de trator

Cortam o verde monótono –

Colheita da cana.

Zekan Fernandes – São Paulo, SP

 

 

Temas de agosto (postar até 10 de julho):  Dia curto – Capim-gordura – Cachecol

 

Temas de setembro (postar até 10 de agosto):  Ipê – Marimbondo – Mar de primavera

 

Ipê (tema de setembro)

Falamos aqui do ipê ama­relo, árvore brasileira cujas belas flores em forma de corneta adornam os galhos completamente sem folhas nas primeiras semanas de setembro. A floração às vezes coincide com a Semana da Pátria, uma das possíveis justificativas para o epíteto de árvore nacional. Entretanto, a florada é curtíssima, e por isso convém prestar atenção ao período em que ocorre. O amarelo intenso é poeticamente comparado à cor dourada. A queda das flores em grande quantidade adorna o chão e também carros que estejam estacionados abaixo de seus galhos. Não confundir com o falso-ipê, de origem mexicana, que nunca perde suas folhas. O Grêmio Haicai Ipê, primeiro grupo de estudos e prática do haicai em língua portuguesa, foi fundado em 1987 por Goga Masuda.

 

Do ipê o amarelo

dissolvido se faz céu.

Luz do entardecer.

(Goga Masuda)

 

Envie seus haicais (no máximo três de cada tema sugerido) digitados ou em letra legível, com nome (mesmo quando preferir o uso de pseudônimo), endereço e RG.

Cada pessoa pode participar com apenas uma identidade.
A seleção dos trabalhos é feita pelos haicaístas Edson Kenji Iura e Francisco Handa.

 

Envie suas cartas para:
Haicai Brasileiro
A/C Jornal Nippak
Rua da Glória, 332
CEP 01510-000
São Paulo-SP

E-mail: jornaldonikkey@yahoo.com.br
Cc. ashiguti@uol.com.br

 

Edson Kenji Iura

 

 

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