HAICAI BRASILEIRO

Jornal Nippak publica aqui os haicais enviados pelos leitores. Haicai é um tipo de poema que se originou no Japão. Seu maior expoente é Matsuo Bashô (1644-1694). O haicai caracteriza-se por descrever, de forma breve e objetiva, aspectos da natureza (inclusive a humana) ligados à passagem das estações. Hoje, no mundo inteiro, pessoas de todas as idades e formações escrevem haicais em suas línguas, atestando a universalidade dessa forma de expressão.

Envie seus haicais (no máximo três de cada tema sugerido) digitados ou em letra legível, com nome (mesmo quando preferir o uso de pseudônimo), endereço e RG.

Cada pessoa pode participar com apenas uma identidade.

A seleção dos trabalhos é feita pelos haicaístas Edson Kenji Iura Francisco Handa.

Envie suas cartas para:

Haicai Brasileiro

A/C Jornal Nippak

Rua da Glória, 332

CEP 01510-000 São Paulo-SP

E-mail: jornaldonikkey@yahoo.com.br

Cc. ashiguti@uol.com.br

 


 

 

Técnica e disciplina (11)

 

Duas condições são importantes para o compositor de haicai: aguçar a sensibilidade e manejo do lápis. Para a sensibilidade, deve-se ser curioso em perceber o calor do verão, a pele arrepiada no inverno, a solidão do outono, a alegria da primavera. Aquilo que o corpo sente através dos olhos, do nariz, da boca, dos ouvidos, do tato são fontes de inspiração para aguçar a nossa subjetividade, as coisas do espírito, e assim poder compor um haicai. Chamemos isso de “informações” a serem usadas na composição. Entretanto, isso não basta. Não se trata de um poema livre, que pode ser feito da maneira totalmente isenta de forma. Quer dizer, não se vive apenas do espírito, mas de um corpo que o complete. Nem valorizemos demais o espírito em detrimento ao corpo e vice-versa. É preciso de um equilíbrio.

O corpo é o que se compõe com o lápis. Sabemos que o corpo é um terceto de cinco, sete e cinco sons, que se conta até a última tônica. Dominar esta técnica é condição para constituir um corpo harmonioso. Dizer que se sacrifica o corpo para prevalecer o espírito não é a solução.

 

 

 


 

TEMAS DE MARÇO

 

 

Lua cheia – Cantárida – Algodão

 

 

no rio prateado –

como em sonhos vejo

a lua cheia

Amauri Solon

Rio de Janeiro, RJ

 

Ao abrir a porta

desponta por  trás das árvores…

a lua cheia

Benedita Azevedo

Magé, RJ

 

brancura do vento –

espalhadas pelo campo

flores do algodão

Carlos Viegas

Brasília, DF

 

Lua cheia.

Sinto-me ainda mais só

na sua companhia.

Danita Cotrim

São Paulo, SP

a messe está branca

colhedores já na faina

plumas de algodão

Débora Novaes de Castro

São Paulo, SP

Guri curioso

pega o bicho malcheiroso…

Cantárida verde.

Iraí Verdan

Magé, RJ

 

Jantar mais tarde!

Trabalha-se mais no campo

sob a lua cheia.

Irene M. Fuke

São Paulo, SP

 

Círculo a destoar

dos retângulos de luz –

Lua cheia urbana.

João Krefer

São Paulo, SP

 

Foto bem antiga

roça branca como a neve –

Algodão em plumas.

Mario Isao Otsuka

São Paulo, SP

Nossos pensamentos

circulam na lua cheia.

Que terras distantes!

Neide Portugal

Bandeirantes, PR

 

Perfumei-me toda.

Cantárida no cabelo

quebrou nosso encanto

Neide Portugal

Bandeirantes, PR

 

brancura sem fim…

do avental do camponês

à colheita de algodão

Regina Alonso

Santos, SP

 

Grupo reunido,

Vão surgindo os haicais –

Lua desta noite.

Reneu Berni

Goiânia, GO

 

pacientemente

observo a lua cheia

passar pelo pier

Rose Mendes

Ilhabela, SP

 

de repente em casa

inesperada visita –

pequena cantárida

Seishin

São Paulo, SP

 

Uma nuvem encobre

Aos poucos, aparece leve

Lua cheia plena.

Yone

São Paulo, SP

 

Onde a lua cheia?

Apesar de tantas nuvens

há esperança ainda.

Yun Hai

São Paulo, SP

 

Sopra a ventania.

Espalhados pelos campos

flocos de algodão.

Zekan Fernandes

São Paulo, SP

 

Temas de abril (postar até 10 de março)

Esquilo – Maria-sem-vergonha – Dia da mentira

 

 

Temas de maio (postar até 10 de abril)

Prenúncio de inverno – Inhambu – Milho

 

 

 

 

 

 

 

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