HAICAI BRASILEIRO

O Jornal Nippak publica aqui os haicais enviados pelos leitores. Haicai é um tipo de poema que se originou no Japão. Seu maior expoente é Matsuo Bashô (1644-1694). O haicai caracteriza-se por descrever, de forma breve e objetiva, aspectos da natureza (inclusive a humana) ligados à passagem das estações. Hoje, no mundo inteiro, pessoas de todas as idades e formações escrevem haicais em suas línguas, atestando a universalidade dessa forma de expressão.

TEMAS DE ABRIL: Pica-pau – Goiaba – Espantalho

Goiaba vermelha –
Doce recheio de sonhos.
Quanta lembrança!
Akiko Koike – Jundiaí, SP

Barulho estridente
no bosque ao lado da casa –
Ah! Um pica-pau.
Benedita Azevedo – Magé, RJ

Toc-toc, toc-toc…
A crista do pica-pau
Balança com ritmo.
Carlos Viegas – Brasília, DF

Na curva da estrada
um enorme espantalho –
Cavalos se espantam!
Guin Ga Eden – Niterói, RJ

Brancas e vermelhas
Perfume na banca de frutas
Tempo de goiabas!
Irene M. Fuke – São Paulo, SP

Ruído seco
No velho tronco da mata
Incansável pica-pau.
Izumi Fujiki – São Paulo, SP

Em meio ao pomar
Mulheres entoam canções
Colhendo goiabas.
João Toloi – São Paulo, SP

Somente a metade
de uma goiaba no pé.
Satisfeito – o pássaro.
Lucia H. M. Gonçalves – Mogi das Cruzes, SP

Goiaba madura –
Aberta a competição
entre homens e larvas.
Madô Martins – Santos, SP

Cheiro adocicado –
Caidas no meio da grama
goiabas maduras.
Mario Isao Otsuka – São Paulo, SP

Vai e vem de pássaros
lá no fundo do quintal –
Um pé de goiaba.
Mario Isao Otsuka – São Paulo, SP

Memória já falha…
Para lembrar da infância
cheiro uma goiaba.
Monica Martinez – Granja Viana, SP

Doces lembranças!
Geleia de goiaba
no sítio de vovó.
Nair Kuniy – São Paulo, SP

Goiabas maduras –
neste ano de chuvaradas
estão bem mais doces.
Neide Rocha Portugal – Bandeirantes, PR

Cavalo obedece –
os garotos carroceiros
apanham goiabas.
Neide Rocha Portugal – Bandeirantes, PR

Parece sorrir
lá no meio do terreiro
velho espantalho…
Regina Alonso – Santos, SP

Centro do milharal
Espantalho esfarrapado
Descanso dos pássaros.
Yone – São Paulo, SP

Fiel espantalho
Ainda guarda a plantação
Depois da colheita.
Zekan Fernandes – São Paulo, SP

 

Temas de junho (postar até 10 de maio)

Sol de inverno – Mandioca – Quermesse  (Edson Kenji Iura)

A mandioca tem origem brasileira, sendo cultivada pelos índios desde antes do descobrimento. Possui grande importância alimentar, tanto in natura como sob a forma de derivados, especialmente farinha e polvilho. Este último é a base para produtos como a tapioca e o pão de queijo. A chamada mandioca mansa pode ser consumida crua ou cozida. Já a dita mandioca brava é rica em ácido cianídrico, causando intoxicação mesmo quando cozida. Entretanto, o veneno desaparece após a secagem ao sol. Na lenda indígena, Mani era o nome de uma criança que morreu após ficar enferma, tendo sido enterrada na própria oca (casa). Uma planta nasceu de sua sepultura e os pais constataram que suas raízes eram comestíveis. A planta foi chamada de mani oca, ou Casa de Mani, origem do termo mandioca.

Até que a carroça
retorne da pastagem—
Colheita de mandioca.
(Nempuku Sato)

 

Temas de julho (postar até 10 de julho)

Camélia – Lua fria – Colheita de cana

 

Envie seus haicais (no máximo três de cada tema sugerido) digitados ou em letra legível, com nome (mesmo quando preferir o uso de pseudônimo), endereço e RG.

Cada pessoa pode participar com apenas uma identidade.
A seleção dos trabalhos é feita pelos haicaístas Edson Kenji Iura e Francisco Handa.

Envie suas cartas para:
Haicai Brasileiro
A/C Jornal Nippak
Rua da Glória, 332
CEP 01510-000
São Paulo-SP

E-mail:
jornaldonikkey@yahoo.com.br
Cc. ashiguti@uol.com.br

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