HOPI HARI: MÃE DE ADOLESCENTE MORTA EM PARQUE NÃO CULPA FUNCIONÁRIOS CONDENADOS, MAS ESPERA ‘JUSTIÇA PARA VERDADEIROS RESPONSÁVEIS’

O juiz Fabio Marcelo Holanda, da 1ª Vara de Vinhedo, condenou três funcionários do Parque de diversões Hopi Hari pela morte de Gabriela Yukari Nichimura, ocorrida em fevereiro de 2012. De acordo com a nota divulgada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) no último dia 26, um deles, menor de 21 anos, teve reconhecida a extinção da punibilidade pelo decurso do prazo. Outros cinco empregados foram absolvidos porque, de acordo com o princípio da confiança, agiram corretamente no desempenho de suas atribuições e na confiança de que os acusados assim também se comportariam.

Gabriela Yukari, cuja família mora no Japão e passava férias no Brasil, tinha 14 anos e morreu após cair de um brinquedo que desce em queda livre. Por conta de uma falha, a trava da cadeira se soltou durante a descida e ela foi arremessada ao chão. Os acusados foram denunciados porque se omitiram ao deixar de tomar os cuidados para impedir a utilização da cadeira – desativada há mais de dez anos –, que não possuía cinto de segurança e que havia apresentado problemas no colete de proteção no dia do incidente.

Ao proferir a sentença, o magistrado os condenou a dois anos e oito meses de detenção, em regime inicial aberto, mas substituiu a pena privativa de liberdade por duas restritivas de direitos, consistentes em prestação de serviços à comunidade e prestação pecuniária de um salário mínimo a ser entregue a entidade com destinação social. Cabe recurso da decisão.

 

Mãe de jovem morta em parque não culpa funcionários, mas espera justiça para ‘verdadeiros responsáveis’. Foto: Facebook/Silmara Nichimura

 

Gabriela Yukari tinha 14 anos à época do trágico acidente. Facebook/Silmara Nichimura

Triste e lamentável – Em entrevista ao Jornal Nippak, a mãe de Gabriela, Silmara Nichimura, disse que, “de acordo com o promotor do caso, Rogério Sanches, o processo foi desmembrado e a condenação publicada pelo TJSP no dia 26 abrange apenas os funcionários que trabalhavam na operação e manutenção do brinquedo que a adolescente caiu”.

Segundo ela, os outros quatro réus são ex-diretores e o ex-presidente do parque, Armando Pereira Filho, que havia sido excluído do julgamento, mas voltou ao processo após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Eles não têm prazo para serem julgados.

Quanto à condenação dos três funcionários, Silmara considera a decisão “triste e lamentável”. “Chego ficar sem palavras diante da justiça do Brasil. Depois de quase cinco anos sai a condenação dos três funcionários. Mas, que autoridade tinham esses meninos no parque? Eles só operavam o brinquedo. Por mais que eles tenham errado não prestando atenção, deixando minha filha sentar numa cadeira quebrada, eram só funcionários, ou seja, só recebiam ordens”, criticou ela, acrescentando que a corda sempre arrebenta para o lado mais fraco. “Não os culpo”, disse Silmara que, no entanto, espera justiça para os outros envolvidos no caso, “que realmente precisam arcar com as responsabilidades desse acidente”.

 

Negligência – “Dez anos de um brinquedo quebrado não são dez minutos. Não entendo porque não estão pagando pelos seus erros.  Será que realmente precisa de um processo a perder de vista para provar que eles estão errados?  Foram negligentes,  irresponsáveis e só visaram lucro. Eles podem ser ex-presidente e ex-diretores, mas não são ex-culpados”, criticou Silmara, lembrando que “essa tragédia terrível  mudou completamente a vida da minha família”

“Nossa filha… Nosso bem mais precioso. Se não fosse Deus cuidando de nós não sei como estaríamos hoje”, explicou Silmara, que reiterou sua admiração ao promotor do caso Rogério Sanches, “que tem feito seu trabalho de forma competente”.

(Aldo Shiguti, com informações do site do TJSP)

 

ALDO SHIGUTI

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