IMIGRAÇÃO: ‘Japanamazônia’ é relançado com exposições de fotografias

 

Maniçoba, udon, frango no tucupi: o cardápio de um pequeno restaurante localizado em Tomé-Açú, no nordeste do estado do Pará, reúne a essência do livro “Japanamazônia – Confluências Culturais”, que apresenta fotografias e textos sobre o cruzamento entre os hábitos e práticas orientais e ocidentais na região amazônica. A publicação, já lançada em 2010, está sendo relançada com exposição de fotografias de Paula Sampaio, Miguel Chikaoka e Alberto Bitar – que retrataram os moradores paraenses com descendência japonesa em 2009.  O projeto foi contemplado com o edital do Programa Amazônia Cultural, do Ministério da Cultura.

 

Imagens mostram cenas comuns mas que tornaram "invisíveis" por conta do entrelaçamento (foto: Miguel Chikaoka)

Imagens mostram cenas comuns mas que tornaram “invisíveis” por conta do entrelaçamento (foto: Miguel Chikaoka)

 

Abrangendo as quatro cidades onde as imagens foram feitas, as atividades tiveram início no dia 20 de setembro, com lançamento na sede da ACTA – Associação Cultural e Fomento Agrícola de Tomé-Açú. Depois, o projeto segue para Santarém (30,31/10 e 1º/11), Monte Alegre (06, 07,08/11) e Santa Isabel do Pará (28/11). A publicação foi idealizada por Makiko Akao e tem o selo da Kamara Kó Fotografias. A ideia surgiu quando das comemorações pelos 80 anos da imigração japonesa para o Brasil, celebrada há quatro anos.

“Provocar um novo olhar, capaz de identificar, no cotidiano, nas situações simples do dia-a-dia, a interligação entre as culturas japonesa e amazônica foi o desafio principal deste projeto.  Coube aos fotógrafos registrar através de imagens a sutileza e a poesia dessa coexistência em diversos municípios do Pará, onde foi detectado que é possível ser brasileiro e ser japonês, reunindo, em um todo, as duas partes”, explica Makiko.

 

Fotógrafos registram que " é possível ser brasileiro e japonês" (foto: Paula Sampaio)

Fotógrafos registram que “é possível ser brasileiro e japonês” (foto: Paula Sampaio)

 

Segundo ela, as imagens revelam cenas comuns, hábitos que já possuem certa invisibilidade diante do forte entrelaçamento das culturas, tão distintas. Além disso, ela destaca que mesmo diante de um novo território com realidade diferenciada, foi possível deixar que as raízes do Japão não fossem perdidas.  A idealizadora acredita que o projeto dá continuidade à vocação da Kamara Kó, para preservar a memória cultural e contribuir para que haja uma compreensão cada vez mais aprofundada dessas confluências culturais.

 

Desafio é provocar um novo olhar nas situações do dia a dia (foto: Paula Sampaio)

Desafio é provocar um novo olhar nas situações do dia a dia (foto: Paula Sampaio)

 

Imagens mostram preservação das raízes (foto: Miguel Chikaoka)

Imagens mostram preservação das raízes (foto: Miguel Chikaoka)

O Japão na Amazônia – Para refletir sobre a produção de imagens de Paula Sampaio, Miguel Chikaoka e Alberto Bitar, o professor e também fotógrafo Mariano Klautau Filho descreveu que “encontrar o Japão em terras amazônicas no início do século XXI” é um trabalho delicado, exatamente por exigir nova compreensão do papel documental da fotografia e, além disso, por requerer sensibilidade para perceber histórias outras das pessoas e locais que foram retratados.

“Tudo isso revela uma cultura que foi se estabelecendo, mudando, adaptando-se a um novo lugar e ao mesmo tempo perdendo e ganhando novas e antigas raízes, tanto amazônicas e paraenses como japonesas e orientais. As imagens falam mais de encontros, momentos, histórias particulares, casas, quintais, e especialmente de pessoas. Em cada série de imagens reencontramos um certo Pará oriental ou um certo Japão paraense”, explica Mariano Klautau.

Ele descreve também outras cenas apresentadas nas imagens: a Sra. Emi Oyama retratada na sala de sua casa, que inclui a figura de um Samurai e a imagem de Nossa Sra. de Nazaré, na cidade de Castanhal; a plantação de hortaliças em Santa Isabel, forte atividade econômica mantida pelos descendentes orientais até hoje na região; e ainda uma simpática vendedora de bentô, uma tradicional marmita japonesa, em sua bicicleta pelas ruas de Quatro Bocas, localidade de Tomé-Açú.

 

Relançamento do livro “Japanamazônia – Confluências Culturais” e exposição fotográfica com imagens de Paula Sampaio, Miguel Chikaoka e Alberto Bitar

 

Programação

Santarém

Dia 30/10, às 19h

Local: Sesc Santarém – Rua Floriano Peixoto, 535 – Centro.

Apoio: Serviço Social do Comércio – Santarém

 

Monte Alegre

Dia 06/11, às 18h

Local: Estação Hidroviária de Monte Alegre

Apoio: Prefeitura de Monte Alegre

 

Santa Izabel

Dia 28/11, às 18h

Local: Associação Nikkei de Santa Isabel, BR-316

Apoio: Associação Nikkei de Santa Isabel/Santo Antônio do Tauá e Prefeitura de Santa Izabel

 

 

 

Redação

Redação

nippak@nippak.com.br
Redação

Últimos posts por Redação (exibir todos)

Related Post

ENTIDADES: Naguisa comemora 45 anos de fundação Um clima de confraternização e amizade marcou a cerimônia em comemoração aos 45 anos de fundação da Associação Naguisa de Cultura e Beneficência, enti...
KARAOKÊ: Realizado no Dia das Crianças, Taikai The...   A impressão é que a data, Dia das Crianças, é inapropriada a algum evento para grande público, a não ser a elas próprias. Mas não ao do kara...
COOPERAÇÃO: Governo do Estado do Paraná firma parc... O governador do Paraná, Beto Richa, assinou no último dia 3, no Palácio Iguaçu, em Curitiba, um protocolo com o banco japonês Mizuho, que prevê cooper...
MARÍLIA: Japan Fest espera cerca de 65 mil pessoas... Com expectativa de receber cerca de 65 mil pessoas, acontece de sexta até domingo (de 8 a 10), na sede campestre do Nikkey de Marília, o Japan Fest 20...

Faça seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *