INTERCÂMBIO: Nikkei orienta estudantes brasileiros que vão aprender inglês no Canadá

Faz tempo que aprender outro idioma se tornou requisito quase que obrigatório para quem quer se dar bem na vida. Seja para ingressar no mercado de trabalho ou até mesmo para realizar aquela viagem tão sonhada. E um destino que tem sido bastante procurado por jovens do mundo inteiro, incluindo japoneses e brasileiros, é o Canadá. Há 20 anos atuando como representante independente de escolas de línguas de Vancouver, onde reside desde 1987, a brasileira Alice Kazuko Ishii afirma que o número de estudantes interessados em fazer intercâmbio no país aumentou muito nos últimos anos.

Segundo ela, um dos atrativos é o preço, já que a passagem para o Canadá sai mais em conta do que, por exemplo, para os Estados Unidos, o que torna a opção mais vantajosa. No caso de Vancouver, explica Alice, o que acaba atraindo ainda mais o interesse é o fato de a cidade ser a segunda mais multicultural do país, atrás apenas de Toronto.

Para Alice, isso acaba fazendo muito diferença, principalmente para os mais jovens, que podem levar uma vida “mais independente”. “A oportunidade de poder vivenciar uma outra cultura, outros costumes e ainda aprender outro idioma faz com que a pessoa volte completamente diferente. E, na maioria das vezes, que nem sintam vontade de voltarem”, conta. Como no seu caso.

 

Nikkei orienta intercambistas brasileiros no Canadá. Foto: Aldo Shiguti

 

Personalizado – Formada em Português e Inglês pela USP, em 1974, Alice Ishii mudou-se para o Canadá em 1987 quando o marido, Marcos, engenheiro de uma multinacional, foi transferido para lá. Em 1992, ela começou a trabalhar como professora de inglês para estrangeiros – o que lá eles chamam “inglês como segundo língua” – em escola de rede pública.

Em 2000, acabou se formando em Educação pela Universidade Simon Fraser, em Vancouver, e há sete anos leciona Português no Departamento de Línguas da Universidade de Colúmbia Britânica (em inglês University of British Columbia), no campus de Vancouver.

“Comecei a trabalhar na área de intercâmbio justamente pelo fato de as pessoas me perguntarem como deveriam fazer para participar de programas de intercâmbio no Canadá”, diz ela, lembrando que a partir daí criou um website (www.aliceishii.com) e, além das aulas, passou a agregar uma nova atividade.

 

Alice Kazuko Ishii mora no Canadá desde 1987 e há 20 anos orienta intercambistas no Canadá. Foto: Aldo Shiguti

 

Nikkeis – Ao longo dessas duas décadas, Alice tem dado assistência a inúmeros estudantes e profissionais a se estabelecerem no Canadá proporcionando um serviço personalizado. “Acompanho a pessoa desde o momento que ela chega no Canadá até o momento de sua partida”, explica, lembrando sua atuação começa antes mesmo do embarque, com orientações sobre o processo de inscrição, orientações no preenchimento de formulários e na colocação em “homestay”. “Tenho um pool de casas de famílias que hospedam estudantes estrangeiros”, conta Alice, acrescentando que é procurada, mensalmente, em média, por 20 interessados. E para sua surpresa, segundo ela, praticamente metade de descendentes de japoneses que a procuram através de propaganda “boca a boca”.

São estudantes a partir de 15 anos de idade que participam de programas de intercâmbio de, em média, três meses de duração. “Mas tem pessoas que ficam apenas um mês”, diz ela, acrescentando que, uma dica é sair de seu país de origem “sabendo pelo menos o básico”. E se preparar com dois ou três meses de antecedência. Em média, Alice calcula que, entre acomodação e escola, o gasto médio mensal gire em torno de US$ 3 mil. Isso sem contar os gastos extras, como as excursões, que são inclusas no pacote das escolas ou pagas à parte.

 

Alice Ishii no Canadá: “A pessoa volta diferente”. Foto: Arquivo Pessoal

 

“Por ser multicultural, Vancouver tem tradição de receber muito bem os estrangeiros. Além disso, é uma cidade totalmente segura e que oferece uma variedade muito grande em termos de restaurantes, incluindo asiáticos”, conta, destacando que lá as coisas costumam funcionar, como, por exemplo, o transporte público. Com tudo isso,  não pergunte se ela retornaria para o Brasil. “Gosto muito daqui, mas minha família está toda lá”, afirma Alice, que veio passar o período de carnaval no Brasil, mas passou longe do Sambódromo. “Optei por descansar na praia”, comentou ela, que embarcou de volta para Vancouver nesta segunda-feira (6).

 

ALDO SHIGUTI

ALDO SHIGUTI

Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
ALDO SHIGUTI

Últimos posts por ALDO SHIGUTI (exibir todos)

    Related Post

    COMUNIDADE: Condecorados pelo governo japonês rec... Diversas entidades nipo-brasileiras, entre elas o Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), Enkyo (Beneficência Nipo-...
    COMUNIDADE: Família de Misora Hibari doa busto da ... Os fãs da cantora japonesa Misora Hibari terão mais um motivo para visitar o Museu Histórico da Imigração Japonesa em São Paulo. O filho da cantora, K...
    COMUNIDADE: Reimei Yoshioka é condecorado pelo gov... O professor Reimei Yoshioka foi o Condecorado da Primavera deste ano pelo governo japonês. Ele foi agraciado com a medalha Ordem do Sol Nascente, Raio...
    COMUNIDADE: Cerimônia marca o lançamento do Centro... A diretoria da Aliança Cultural Brasil-Japão promoveu no dia 30 de março, evento de lançamento do Centro Cultural Aliança, que pretende ser o principa...

    Faça seu comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *