INTERCÂMBIO: Seminário na Fiesp discute novas possibilidades de parcerias entre Brasil e Japão

O Centro de Estudos Nipo-Brasileiros (Jinmonken), em conjunto com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), realiza no próximo dia 22, no prédio da Fiesp, o seminário “Intercâmbio Brasil-Japão em perspectiva: Passado, Presente e Futuro das suas Relações Econômicas, Científicas e Culturais”. O evento, que faz parte das comemorações dos 120 Anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação Brasil-Japão, tem como objetivo debater as possibilidades de novas parcerias entre os dois países para obter subsídios capazes de vencer a crise econômica atual.

 

Evento discutirá fortalecimento das relações bilateriais (Foto: reprodução)

Evento discutirá fortalecimento das relações bilateriais (Foto: reprodução)

 

Serão três mesas redondas – “Grandes Projetos Brasil-Japão: perspectivas para relações econômicas”, “Cooperação Brasil-Japão em Educação, C&T” e “Colaboração de Nikkeis e Imigrantes no campo da C&T e Cultura” – e uma  conferência – “COP 21 e Cooperação Nipo-Brasileira em Meio-Ambiente”.

Para debater os temas foram convidados nomes de destaques no cenário nacional em suas respectivas áreas. Estarão presentes o cônsul geral do Japão em São Paulo, Takahiro Nakamae; o ex-presidente do Tribunal de Contas do Município de São Paulo (2012-2014), Edson Emanoel Simões; o ex-ministro da Educação (1991-1992) e presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, José Goldemberg; o presidente do Conselho Superior de Estudos Avançados da Fiesp (Conseas), Ruy Martins Altenfelder Silva; o presidente da Cenibra (Celulose Nipo-Brasileira S/A), Paulo Brant; o presidente da Bio-Manguinhos, Akira Homma; o professor e sociólogo, Sedi Hirano; o ex-desembargador Kazuo, Watanabe; o ex-reitor da UFV (2004-2008), Carlos Sigueyuki Sediyama e o presidente da Associação dos Bolsistas da Jica (ABJICA), Guenji Yamazoe, entre outros.

Segundo o presidente do CENB, professor Shozo Motoyama, o momento é propício para discutir novas formas de parcerias entre os dois países. Para ele,  devido à crise mundial, “tenho a impressão que o governo japonês está olhando para o Brasil com muito interesse”. “Durante um tempo, as atenções do Japão estiveram voltadas para o Sudeste Asiático, mas sofreram uma hostilidade muito grande, o que já não acontece em relação ao Brasil graças à existência da comunidade nikkei, hoje perfeitamente integrada à sociedade brasileira”, conta Motoyama, lembrando que o pedido para a realização do Seminário partiu do próprio Consulado Geral do Japão em São Paulo.

 

Motoyama, presidente do Centro de Estudos Nipo-Brasileiros (Foto: Marcos Santos - USP Imagens)

Motoyama, presidente do Centro de Estudos Nipo-Brasileiros (Foto: Marcos Santos – USP Imagens)

 

Know how – Para o professor, a ideia é  rever casos de sucesso como os chamados “projetos nacionais” do final do século passado, como o Cerrado, para estudar possibilidades de investimento, cooperação em ciência e tecnologia e cultura, dando continuidade ao processo iniciado há 120 anos com a assinatura do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre o Brasil e o Japão.

Motoyama explica que a parceria parece promissora por “diversos motivos”. E destaca dois que considera de grande importância. Primeiro, pela complementaridade dos dois países no campo econômico.

“As grandes potencialidades naturais da nossa nação necessitam de competência científico-tecnológica para serem adequadamente exploradas para o Brasil deixar de ser o eterno país do futuro. Graças ao esforço dos últimos decênios, o Brasil vem adquirindo cada vez mais tal competência que pode atingir níveis ainda mais elevados com a colaboração nipônica cujo know how em C&T é demais conhecido. Por sua vez, o Japão precisa de recursos naturais para suprir as suas necessidades industriais e alimentares”, conta Motoyama, acrescentando que o segundo motivo é a própria comunidade nikkei, que representantes do governo japonês costumam chamar de  “Patrimônio do Japão”.

Hoje, são mais de 1,5 milhão de japoneses e seus descendentes residindo em território brasileiro e que vem aproximando os dois países do ponto de vista cultural. Não à toa, conta Motoyama, o Japão deixou de ser um país distante e exótico para se tornar parte integrante da vida brasileira, como na alimentação, esportes, artes cênicas e música, entre outras áreas.

 

Dengue – “Em outras palavras, a mediação da comunidade nikkei será fundamental para a parceria ser bem sucedida”, diz o professor, que aponta como uma possível área de atuação conjunta a fabricação em escala industrial de vacinas contra dengue, por exemplo. “Porém, tudo isso só se tornará realidade se tivermos competência em C&T capaz de concretizar os projetos de desenvolvimento”, afirma Motoyama,  afirmando que está depositando “muita fé nesse evento” que, segundo ele, está sendo planejado desde meados do ano passado. Para ele, a proposta de realizar um evento “fora do eixo da comunidade”, é justamente agregar um novo público que possa, efetivamente, contribuir para uma maior aproximação entre os dois países.

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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    PROGRAMAÇÃO*

     

    8H30: Credenciamento e Welcome Coffee

     

    9H: Abertura

    Apresentadores: Takahiro Nakamae (cônsul geral do Japão em São Paulo); José Augusto Corrêa (diretor iitular adjunto do Derex-Fiesp); Shozo Motoyama (presidente do Centro de Estudos)

     

    9H30: Conferência “COP 21 e Cooperação Nipo-Brasileira em Meio-Ambiente”

    Apresentador: Edson Emanoel Simões (vice-presidente do Tribunal de Contas do Município de São Paulo)

    Conferencista: José Goldemberg, presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp); reitor da USP (1986 – 1990); presidente da Sociedade Brasileira de Física (SBF) (1975-1979); presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) (1979-1981); ministro da Ciência e Tecnologia (1990-1991); ministro da Educação (1991-1992) e secretário do Meio Ambiente (março-julho 1992); secretário estadual do Meio Ambiente (SP) (2002-2006). Recebeu o Prêmio Volvo (2000), considerado equivalente ao Prêmio Nobel de Meio Ambiente e o Prêmio Planeta Azul (2008), da Asahi Glass Foundation.

     

    10H30: Mesa redonda – Grandes Projetos Brasil-Japão: perspectivas para relações econômicas.

    Coordenador: Ruy Martins A. Silva (presidente do Conselho Superior de Estudos Avançados (Consea) da Fiesp

    Expositores: José Augusto Corrêa (diretor titular adjunto do Derex-Fiesp); Yutaka Yasui (diretor do JBIC – Japan Bank for International Cooperation); Paulo Brant (presidente da Cenibra); Akihiro Ikeda (presidente da Alunorte -1977-1978); Akira Homma (presidente de Bio-Manguinhos)

    Convidado especial (como observador): Osvaldo Fidalgo (ex-diretor do Instituto Botânico)

    12H30: Intervalo

     

    14H: Mesa Redonda: Cooperação Brasil-Japão em Educação, C&T

    Coordenador: Sedi Hirano (professor titular da USP; Pró-Reitor/USP – 2005-2007)

    Expositores: Carlos Henrique de Brito Cruz (diretor científico/Fapesp; Reitor/Unicamp – 2002-2005); Carlos Sigueyuki Sediyama (Reitor/UFV – 2004-2008); Marco Antônio Zago (Reitor/USP, presidente/CNPq – 2007-2010); Masato Ninomiya (representante/Japan Society for Promotion of Science)

     

    15H45: Coffee Break (em paralelo com o segundo painel da tarde)

     

    15h45: Mesa Redonda: Colaboração de Nikkeis e Imigrantes no campo da C&T e Cultura

    Coordenador: Kazuo Watanabe (desembargador/SP; Professor FD/USP)

    Expositores: Jo Takahashi (Diretor/CENB – Projetos Culturais); Guenji Yamazoe (presidente/Associação dos Ex-Bolsistas da Jica); Sunao Sato (diretor da  Associação Brasil-Japão de Pesquisadores – SBPN); Roberto Nishio (vice-presidente do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social); Tamiko Hosokawa (diretora do CENB – Pesquisa Estatística de Nikkeis)

    Convidado especial (como observador): Minoru Sakate (Professor Titular – UNESP)

     

    17h15: Encerramento

    Tuyoci Ohara, diretor executivo do Centro de Estudos Nipo-Brasileiro

    Adolpho Jose Melfi (Reitor USP 2001-2005, Diretor do CBEAL/Memorial da América Latina 2007-2012)

     

    As inscrições poderão ser realizadas no Centro de Estudos Nipo-Brasileiros, no Centro de História da Ciência (Universidade de São Paulo –USP)

    Mais informações pelo telefone: 11/3277-8616 ou site da Fiesp (http://www.fiesp.com.br/agenda/seminario-intercambio-brasil-japao-em-perspectiva/

     

     

     

     

     

     

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