INTERNACIONAL: Tensão entre as Coreias deixa o Japão em alerta

 

Diante das constantes ameaças da crise nuclear protagonizados pela Coréia do Norte contra Coréia do Sul e Estados Unidos, o vizinho Japão se torna um possível alvo de uma guerra particular, o que o mantém em estado de alerta. A tensão na Península Coreana aumentou desde que Pyongyang realizou seu terceiro teste nuclear, em 12 de fevereiro deste ano que resultou nas imposições ao país de novas sanções internacionais.

A crise nuclear da Coréia do Norte começa com o governo do líder, Kim Jong-Um (foto: divulgação)

O professor de Relações Internacionais da Faculdade Rio Branco e Membro do Grupo de Análise de Conjuntura Internacional da Universidade de São Paulo, Alexandre Uehara destaca a imaturidade do líder norte coreano. “A crise nuclear da Coréia do Norte começa com o governo do líder, Kim Jong-Um, não tem maturidade suficiente”, diz. “Os exercícios militares dos Estados Unidos em águas do território da Coréia do Sul são normais e ficaram mais constantes após o aviso de uma possível invasão dos norte-coreanos. A pouca experiência política do líder norte-coreano em ver esses movimentos o deixou mais irritado. Alguns elementos que contribuíram com esse cenário, é a falta de diplomacia norte-coreana, que também têm haver com um aspecto da personalidade do líder norte-coreano. O que era muito diferente do seu pai, que apesar de ditador, não se preocupava com a presença de militares americanos em território sul-coreano. A considerar também, o perfil do líder atual, apontam certo grau de soberba, com poder nas mãos, a determinação, com força de liderança e uma seqüência de provocações para com a comunidade internacional”, lembra professor Uehara.

O professor acredita que a busca de apoio dos Estados Unidos ao Japão para controlar o programa nuclear da Coréia do Norte, cria um cenário de legitimação do compromisso da aliança entre os dois países, um democrático consenso. Para o especialista em relações internacionais, o Japão está no meio de uma crise particular, o que lhe cabe é criar uma boa defesa junto aos aliados. “Preocupa o Japão, mesmo sendo um país pacifista. Os japoneses têm uma mobilização militar com força, e de alta defesa com equipamentos modernos”, defende Uehara.

“As contínuas ameaças bélicas norte-coreana, causa preocupação para as duas maiores economias do mundo, Estados Unidos e China. Preocupava os Estados Unidos se a China se aliasse à Coréia do Norte, a preocupação também é militar, uma intervenção contra Estados Unidos, seria muito danosa”, adverte. “Com o apoio crucial da China, Estados Unidos busca uma distensão na crise”, finaliza professor Alexandre Uehara.

Em entrevista ao Jornal Nippak, o Primeiro Secretário – Chefe do Departamento Político da Embaixada do Japão no Brasil, Yoshitaka Kinoshita, comenta que a ameaça de uma escalada nuclear na Península Coreana gera tensões em toda a comunidade internacional. “As provocações são extremamente lamentáveis”, diz. “O Japão considera de suma relevância que a comunidade internacional faça a Coréia do Norte entender que tais ameaças não trazem benefícios para si próprios. Para tanto, estamos em estreito contato com os países envolvidos, como os EUA, a Coréia do Sul, a China e a Rússia. Estamos bastante preocupados, porque essas provocações e ações do líder norte-coreano geram instabilidade e ameaçam a paz, não somente na região, mas também em toda a comunidade internacional”, comenta o diplomata.

De acordo com o Primeiro Secretário, o governo japonês está fortalecendo a sua autodefesa como medida contra as contínuas ameaças bélicas norte-coreanas. “Nós acompanhamos as notícias, coletamos informações com bastante cautela, estamos alerta e dialogando com a comunidade internacional, para que ninguém seja manipulado pela Coréia do Norte”, articula. “E, também, estamos exigindo que a Coréia do Norte acate com seriedade e integralmente as Resoluções das Nações Unidas, inclusive a Resolução 2.094, de 7 de março, do Conselho de Segurança”, conclui Kinoshita.

 

 

 Familias no Brasil têm medo de se expor, pois são desertores do exército norte-coreano (foto: divulgação)

Hoje moram 14 famílias norte-coreanas espalhadas por vários estados brasileiros. O Jornal Nippak entrou em contato com duas famílias que deram entrevistas, na condição de não citar nomes. Eles têm medo de se expor, pois são desertores do exército norte-coreano. Também temem pelos parentes sofrerem quaisquer tipos de represálias na Coréia do Norte. Atualmente a maioria dos imigrantes norte-coreanos que residem no Brasil são líderes religiosos. Saíram da Coréia do Norte sem destino certo, chegaram até a China, passaram pela Índia ficaram por dois anos lá e só lhe restaram como opção a América do Sul. Eles ficaram sabendo que o Brasil, Argentina eram os únicos países que eles poderiam ser recebidos. “O Brasil é um país maravilhoso, fui recebido de braços abertos”, diz um deles. “Na Coréia do Norte vi muita gente morrer executado, são cenas que são difíceis de esquecer”, confessa. Eles são unânimes em dizer que, “passamos frio e fome para chegar até aqui, mas hoje temos uma vida digna. Esperam em um futuro próximo voltar à Coréia do Norte com um governo justo e que as pessoas possam ter liberdade”, finalizam otimistas.

 

 

 

O Japão clama fortemente à Coréia do Norte para que atente à forte advertência e reprovação manifestadas repetidamente pela comunidade internacional (foto: divulgação)

Leia um dos trechos da Resolução 2.094 – O Japão aprecia muito a aprovação, por unanimidade, pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, da Resolução 2.094 de 7 de março,em Nova York. A resolução 2.094 reconhece o teste nuclear em questão como uma violação de relevantes resoluções do Conselho de Segurança e condena o ato, o que demanda firmes e extensivas medidas, incluindo a acréscimo e reforço das sanções. Em coordenação com outros países, o Japão vai tomar as medidas adequadas para que a Resolução seja implementada de forma eficaz.

O Japão clama fortemente à Coréia do Norte para que atente à forte advertência e reprovação manifestadas repetidamente pela comunidade internacional, e para que cumpra fiel e integralmente as resoluções pertinentes do Conselho de Segurança, e não realize quaisquer outros atos provocativos, incluindo novos testes nucleares e lançamentos de mísseis. O Japão está decidido a continuar a empenhar esforços, em estreita coordenação com a comunidade internacional, para uma resolução abrangente de questões de maior preocupação em relação à Coréia do Norte, incluindo os seqüestros e as questões nucleares e dos mísseis.

 

 

Luci Judice Yizima

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