ITSUKI HIROSHI NO BRASIL: ‘Vamos começar a trabalhar para trazê-lo novamente em 2018’, revela Mario Ikeda

O cantor japonês Itsuki Hiroshi certamente não esquecerá tão cedo sua estadia de cinco dias em São Paulo. Em sua terceira visita ao Brasil, Itsuki Hiroshi mostrou porque até hoje é considerado o principal nome da música tradicional japonesa. Aos 67 anos de idade e 51 de carreira, o artista se emocionou – e contagiou – a plateia que esgotou os ingressos das duas sessões realizadas no último dia 21 no Grande Auditório do Ahembi, em São Paulo. Interpretou clássicos que marcaram sua trajetória, como “Kanpai”, “”Sanga” e “Yokohama Tassogare”, além de “Amigo”, sucesso de outro “Rei”, o “Rei Roberto Carlos” – em parceria com Erasmo Carlos. Outro rei, o “Rei Pelé” do futebol, homenageou o cantor com uma camiseta do Santos autografada que Itsuki Hiroshi fez questão de vestir.

 

O cantor se emocionou e contagiou a plateia nos dois shows que fez no Anhembi (Foto: Jiro Mochizuki)

O cantor se emocionou e contagiou a plateia nos dois shows que fez no Anhembi (Foto: Jiro Mochizuki)

 

Em cinco horas de show e quatro troca de roupas, o cantor não decepcionou seus fãs brasileiros, ávidos por reencontrar seu ídolo. Cantou 64 músicas (32 em cada sessão) num intervalo de três horas entre uma apresentação e outra. Um dos momentos mais marcantes ficou para o final da primeira sessão, quando Itsuki Hiroshi não conteve as lágrimas e começou a chorar, fazendo a plateia se emocionar.

 

(Foto: Jiro Mochizuki)

Emocionado, Itsuki Hiroshi revê amigos, refaz planos e espera retornar ‘em breve’ (Foto: Jiro Mochizuki)

 

Além dos dois shows no Anhembi, Itsuki Hiroshi aproveitou sua estadia para se reunir com lideranças da comunidade e visitar associações nikkeis, como o Kaikan de Colônia Pinhal, onde tocou taiko com o Hisho Daiko, e a Assistência Social Dom José Gaspar “Ikoi-no-Sono”. Participou, ainda, no Bunkyo, de um Jantar Beneficente em prol do Ikoi-no-Sono e da Associação Pró-Excepcionais Kodomo-no-Sono. Na segunda-feira (23), foi homenageado pelo deputado estadual Jooji Hato (PMDB) na Assembleia Legislativa de São Paulo e depositou uma coroa de flores no Monumento em Homenagem aos Pioneiros Japoneses, no Parque do Ibirapuera (zona Sul de São Paulo).

O artista, aliás, também foi homenageado em São Miguel Arcanjo e no Bunkyo, pela deputada federal Keiko Ota (PSB-SP) e pelo vereador de São Bernardo do Campo, Hiroyuki Minami.

 

Simpático, Itsuki Hiroshi fez questão de cumprimentar o público (Foto: Jiro Mochizuki)

Simpático, Itsuki Hiroshi fez questão de cumprimentar o público (Foto: Jiro Mochizuki)

 

Cidadão Paulistano – Sua vinda só foi possível graças ao empenho e esforço do diretor-presidente da M. Ikeda Produções e Eventos, o delegado aposentado da Policia Federal, Mário Ikeda, amigo pessoal do cantor desde sua primeira visita ao Brasi, em 1980, quando Itsuki Hiroshi fez três shows no Ginásio do Ibirapuera para cerca de 45 mil pessoas.

Antes do show, no entanto, Itsuki Hiroshi foi homenageado pela Câmara Municipal de São Paulo com a outorga do título de Cidadão Paulistano, numa iniciativa do vereador George Hato (PMDB).

A cerimônia, realizada pouco antes da primeira sessão, contou com as presenças do cônsul geral do Japão em São Paulo, Takahiro Nakamae; dos deputados federais Keiko Ota (PSB-SP) e Walter Ihoshi (PSD-SP); do deputado estadual Jooji Hato (PMDB), e dos vereadores Aurélio Nomura (PSDB), Masataka Ota (PROS), Ushitaro Kamia (PSDB) e Hiroyuki Minami (de São Bernardo do Campo, além do proponente da homenagem. Também compuseram o cerimonial o diretor do Conselho de Administração do Bradesco, Milton Matsumoto; a presidente do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social – Harumi Goya; e o presidente da Aliança Cultural Brasil-Japão, Yokio Oshiro.

O público teve um “aperitivo” do que estava por vir quando o próprio Itsuki Hiroshi interpretou o hino nacional japonês – já o hino nacional brasileiro ficou a cargo do cantor Simoninha, filho do cantor Wilson Simonal.

 

Itsuki Hiroshi foi homenageado com o título de Cidadão Paulistano (Foto: Aldo Shiguti)

Itsuki Hiroshi foi homenageado com o título de Cidadão Paulistano (Foto: Aldo Shiguti)

 

Tesouro do Japão – Em seu discurso, George Hato lembrou que Itsuki Hiroshi esteve no país pela última vez em 1996, quando fez uma participação como jurado, também no Anhembi, no programa “Nodojiman” transmitido ao vivo para o Japão pela emissora NHK. “Hoje, estamos matando a saudade desse grande amigo do Brasil”, disse o parlamentar, acrescentando que, ao longo de sua carreira, o cantor também conquistou muitos admiradores entre os não descendentes de japoneses. “Como minha mãe, dona Marlene, uma fã fervorosa e que fez questão de estar presente hoje na plateia”, disse George.

 

Itsuki Hiroshi entre Mario Ikeda e o deputado Jooji Hato na Alesp (Foto: Jiro Mochizuki)

Itsuki Hiroshi entre Mario Ikeda e o deputado Jooji Hato na Alesp (Foto: Jiro Mochizuki)

 

Ao Jornal Nippak, George Hato explicou que estava muito feliz em ver a plateia animada e cantando os sucessos de Itsuki Hiroshi no Anhembi. “Trata-se de um ídolo, uma referência na música japonesa, um astro”, elogiou ele. “Foi uma honra poder entregar o título de Cidadão Paulistano. Vou carregar essa lembrança para sempre”, disse o vereador, revelando que além dos pais, sua irmã, Andressa – que entregou um buquê de flores ao cantor – também ficou bastante emocionada.

Quem também ficou feliz com a vinda do cantor foi o cônsul Takahiro Nakamae, que agradeceu o cantor por dar um brilho ainda mais especial às comemorações dos 120 Anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação Brasil-Japão e do Centenário do Consulado Geral do Japão em São Paulo.

“Ao longo desses 107 anos de imigração, a comunidade japonesa escreveu uma história muito bonita no Brasil. Mas para chegar onde estamos hoje, os pioneiros enfrentaram muitos anos de sofrimento. Acredito que as canções de Itsuki Hiroshi davam forças para que os imigrantes pudessem resistir às dificuldades ao lembrar de sua terra natal. Por isso, creio que toda a comunidade está muito feliz com sua vinda”, disse o cônsul, que revelou ao Jornal Nippak que, “como todo mundo, também gosto das músicas de Itsuki Hiroshi”. “Ele interpreta maravilhosamente bem até as canções que não são suas. É  um cantor polivalente, um tesouro nacional do Japão”, definiu.

 

Mário Ikeda foi o responsável pela vinda do cantor ao Brasil (Foto: Aldo Shiguti)

Mário Ikeda foi o responsável pela vinda do cantor ao Brasil (Foto: Aldo Shiguti)

 

Sonho – Idealizador do “Itsuki Hiroshi in Brazil”, Mario Ikeda parecia não acreditar que seu sonho finalmente estava se concretizando. “Tudo começou com um sonho, mas sempre acreditei que um dia iria trazê-lo de volta. Uma carta enviada e uma recebida concretizou este projeto ambicioso”, disse Ikeda, afirmando que “organizar um evento deste porte sozinho não é fácil”.

“Muito trabalho e dedicação marcaram este projeto, com o engajamento de diversas lideranças da comunidade nipo-brasileira. Sinto um orgulho imensurável”, destacou ele, lembrando que seus  avós vieram a bordo do navio Kasato Maru. “Deles aprendi uma lição, que o dinheiro não é tudo. O mais importante é o que vem do coração”, afirmou Mário Ikeda. “Temos que ser útil aos nossos semelhantes e deixar uma história de vida para os que nos sucederem”, explicou o ex-delegado, acrescentando que Itsuki Hiroshi topou o desafio de vir ao Brasil “não pelo dinheiro, mas pela amizade que nasceu entre nós”.

“Tenho certeza que meus pais e avós estão alegres em algum lugar deste local, vivendo este momento feliz”, contou, revelando que recebeu ligações de pessoas das mais diferentes localidades como Paraná,  Bahia, Mato Grosso e até do Japão à procura de ingressos. “Foi assustador porque não fiz propaganda, ou seja, a notícia correu de boca em boca. Todos queriam se aproximar e pegar na mão do ídolo”, observou Mario Ikeda, destacando que, depois da terceira visita já considerava o cantor um “cidadão brasileiro”. “Por isso, não digo boas vindas, mas bom retorno”.

 

O cantor durante visita à Colônia Pinhal, em São Miguel Arcanjo (Foto: Jiro Mochizuki)

O cantor durante visita à Colônia Pinhal, em São Miguel Arcanjo (Foto: Jiro Mochizuki)

 

Inesquecível – Itsuki Hiroshi lembrou quando esteve no país pela primeira vez. “Em mais de 50 anos de carreira, fiz vários shows, mas nenhum tao inesquecível como aquele que fiz no Brasil há 34 anos. Ainda mantenho acesa a chama daquele show”, recordou o cantor, afirmando que teve oportunidade de voltar como convidado há 17 anos, mas lamentou que na ocasião não pode cantar.

“Hoje, graças ao compromisso assumido com o Mario Ikeda isso se tornou realidade”, explicou Itsuki Hiroshi, afirmando que “valeu a pena ter vindo”. “Me emocionei muito ao ver a alegria de tantas pessoas, especialmente os idosos”, disse ele, confidenciando que veio em companhia da mulher, Sachiko Matsuyama, e da filha , Kanako Matsuyama,“pois acreditava que seria sua última visita ao país”.

No entanto, bastou o contato com o público brasileiro para que mudasse de ideia. “Espero que a próxima vez não demore outros trinta anos”, brincou, afirmando que se sentiu “revigorado”. “Retornei pela gratidão e o carinho do público, que me fez o que sou hoje. Esse elo de amizade me fortalece para que eu possa voltar pela quarta vez”, revelou o cantor, que vê com satisfação o fato de poder proporcionar a artistas da nova geração a descoberta do estilo enka.

 

Fãs esgotaram os ingressos das duas apresentações no Anhembi (Foto: Aldo Shiguti)

Fãs esgotaram os ingressos das duas apresentações no Anhembi (Foto: Aldo Shiguti)

 

Em 2018 – Se depender de Mário Ikeda, o retorno pode acontecer já em 2018, quando será comemorado os 110 Anos da Imigração Japonesa no Brasil. “Já vamos começar a trabalhar nesse projeto para trazê-lo de volta”, afirmou, explicando que, na segunda-feira, ao se despedir do cantor no aeroporto, sentiu o artista com um semblante “bem mais descontraído por ter proporcionado alegria para tantas pessoas”.

“Ele levou uma imagem muito positiva e a certeza que  conquistou novos fãs. Por isso, acreditamos que, se mobilizarmos a comunidade, poderemos lotar uma espaço bem maior, como o próprio Ginásio do Ibirapuera, que para ele foi um dos momentos mais marcantes de sua carreira”, antecipou Mario Ikeda, acrescentando que se desculpou por eventuais falhas que psam ter ocorrido.

Para nós foi um aprendizado. Na próxima vamos tentar corriguir as falhas”, disse Mario Ikeda, que atribuiu uma nota 8 para a organização. “Não dou 10 pois sempre temos que melhorar”, garantiu ele, que lamentou não ter colocado duas de suas ideias em prática. “A primeira era colocar as letras dos hinos nacionais do Japão e do Brasil num telão para serem exibidas no momento em que estavam sendo interpretados, mas por uma falha acabou não dando certo. E a segunda foi a impossibilidade de contar com o Roberto Carlos, o Pelé e o Zico na plateia”, confidenciou.

“Mas, de qualquer forma, para nós superou todas as expectativas”, destacou Mário Ikeda.

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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