JAPAN HOUSE SP: Com Japan House SP, Japão inaugura plataforma para desenvolver novos modelos de intercâmbios

Melhor que tentar explicar a Japan House São Paulo em palavras, o ideal é visitar a instalação para poder entendê-la. E mesmo a assimilação pode levar algum tempo. Às vésperas de abrir suas portas para o púbico, a Japan House São Paulo convidou jornalistas para uma coletiva com a presença do diretor de Comunicação de Relações Estratégicos do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão, Naoto Nakahara; do cônsul geral do Japão em São Paulo, Takahiro Nakamae; da presidente da Japan House São Paulo, Ângela Hirata; do designer e responsável pelas unidades da Japan House no mundo, Kenya Hara; o curador Marcello Dantas e a diretora de Mídia e Comunicação, Nely Caixeta.

 

Inauguração da Japan House São Paulo contou com a presença de Michel Temer e Taro Aso. Foto: Jiro Mochizuki

 

“A Japan House São Paulo que buscamos é uma plataforma que olha para o futuro. Não se trata apenas de um lugar, um edifício, mas um espaço para reunir pessoas com diferentes ideias com o objetivo de ter um trabalho conjunto de criação. E por meio desta plataforma, criar novas rodas de amizade e partir para uma viagem em busca de novas possibilidades”, explicou Naoto Nakahara.

Vai ter exposição, como a que abre a casa, “Bambu – Histórias de um Japão”, onde o visitante é convidado a descobrir dez momentos da história do bambu no Japão. Mas nem por isso é uma galeria ou um centro cultural, como observa o cônsul Takahiro Nakamae.

“Espera-se que a Japan House seja uma plataforma para o desenvolvimento de novos intercâmbios nos campos do negócio, no meio acadêmico, cultural, na ciência e na tecnologia”, disse Nakamae que, desde que a ideia do projeto foi lançada, em fevereiro do ano passado, vem se desdobrando para apresentar o conceito à comunidade nipo-brasileira.

Apesar de considerar suas investidas “frutíferas”, o cônsul conta que teve que enfrentar “alguns desafios”, justamente por se tratar de um projeto “totalmente novo”. “Não temos parâmetros para seguir. A Japan House São Paulo é a primeira unidade a ser inaugurada e por isso servirá de padrão para as demais”, disse.

Segundo ele, “a intenção não é nunca será a de desprezar a história contada até aqui pela comunidade nipo-brasileira”. “No início, muitos estavam preocupados se a Japan House iria fazer concorrência com o que já existe, mas a ideia é de co-existência”, conta Nakamae que, indagado se conseguiu fazer com que a comunidade entendesse o espírito da Japan House, simplesmente respondeu: “sim e não”.

 

Raul Takaki, Aurelio Nomura, Aloysio Nunes e Caio Carvalho Caito. Foto: Facebook/AurelioNomura

 

Avião – “Nossa principal dificuldade foi a de não poder mostrar o projeto de forma detalhada. Mas creio que conseguimos a compreensão  da ideia que queremos para a Japan House e, neste contexto, qual é a colocação da Japan House no esquema das relações Brasil-Japão, na qual a comunidade japonesa é um elemento fundamental”, explicou o cônsul, que comparou o processo de entendimento da Japan House a um avião. “Tomamos impulso e agora o avião está voando na horizontal, mas nunca será uma viagem tranquila. Haverá turbulências de vez em quando”, disse Nakamae, acrescentando que “sendo o centro econômico e cultural de toda a América do Sul e base da maior comunidade japonesa fora do Japão, São Paulo é uma cidade que possui grande potencial para ser sede da nova estratégia de divulgação do governo japonês”.

“A Japan House quer apresentar o autêntico Japão contemporâneo, sem estereótipos, e em colaboração com as entidades nipo-brasileiras. Desejamos que a Japan House São Paulo seja o ponto de partida para novos intercâmbios, incluindo os jovens nipo-brasileiros , enquanto apresentação do Japão que enriquece o mundo”, esclareceu o cônsul. “Esperamos que a Japan House se torne parte da vida dos paulistanos e dos brasileiros e com isso contribuir para uma maior aproximação entre o Japão e o Brasil”, finalizou.

 

Sutileza – Para a presidente da Japan House São Paulo, Ângela Hirata, “ao mesmo tempo em que abrimos esta casa, inauguramos também um novo modelo de intercâmbio cultural do século 21”. “Um modelo que nasce colaborativo e multicultural desde sua essência. A Japan House é resultado de trabalho de curadores, artistas e de talentos  japoneses e brasileiros que trabalham de mãos dadas”, ressaltou Ângela, afirmando que a Japan House “permitirá que os brasileiros de hoje descubram e se encontrem com o Japão contemporâneo”. “

Servirá também como uma plataforma para que os japoneses se expressem e troquem ideias de suas fronteiras habituais”, disse, lembrando que “o conceito ficou a cargo do renomado designer Kenya Hara e o espaço foi desenhado pelo brilhante Kengo Kuma, que trouxe para São Paulo a sutileza da arquitetura do Japão”.

“Somos um braço estendido para colaborar com grande número de instituições brasileiras de forma a promover todo tipo de troca que possa resultar no enriquecimento das duas nações. Vamos ter mostras de artes fantásticas e com a anuência de Kenya Hara, sempre ligado com algo que se chama business e muita sustentanbilidade”, explicou Ângela, que concluiu: “Esta casa vai ser eterna”.

 

Espaço multimídia com cerca de 2 mil livros. Foto: Jiro Mochizuki

 

Multidisciplinar – Para o curador da Casa, Marcello Dantas, “uma das coisas mais interessantes deste projeto é a sua natureza multidisciplinar”. “É um projeto que, sim, tem um equipamento, mas é um projeto que se expande além das fronteiras desta casa. É uma plataforma de comunicação que pode se manifestar de várias maneiras. E logo no início deixamos isto claro, que chegamos aqui para encontar veios de comunicação, de cooperação entre o Brasil e o Japão, entre a cultura contemporânea do Brasil e a cultura contemporânea do Japão”, destacou Dantas.

Para o curador, a Japan House São Paulo, “é, talvez, a primeira instiuição desta natureza a ser pensada por algum país no século 21”. “Uma plataforma que inclui ao mesmo tempo o designer, a arte contemporânea, a engenharia, a ciência, a tecnolocia, a capacidade dos negócios e de gerar trabalho. Tudo isso faz parte de uma ação integrada que ultrapassa as fronteiras de um centro cultural”, comentou.

 

Coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira. Foto: Jiro Mochizuki

 

Saci-pererê – Para ele, seu trabalho como curador da Japan House São Paulo será o de “trazer o saci pererê deles”. “Me coloquei no sentido oposto. Se tivesse fazendo uma Casa do Brasil no Japão eu precisaria, naturalmente, mostrar quem é o saci pererê, o que é macunaíma, o que é antropofagia, o que é o Brasil. Meu trabalho na Japan House é tentar trazer o saci deles. Trazer esse Japão do imaginário para dentro do coração dos brasileiros. Se a gente conseguir fazer isso, será um marco fascinante nessa relação entre o Brasil e o Japão”, explicou, acrescentando que o bambu não foi escolhido como tema para abrir a casa por acaso.

 

Exposição sobre bambu marca abertura da Casa do Japão. Foto: Jiro Mochizuki

 

Bambu – Para ele, o bambu é o “ingrediente secreto da cultura japonesa, um protagonista silencioso”. “Os próprios japoneses não se dão conta do quanto o bambu está presente na cultura japonesa. Ele está por toda parte, na cerimônia do chá, nas artes marciais, na arquitetura, no designer, na comida e na arte contemporânea e na tradicional. De alguma forma o bambu tem uma presença dentro da cultura japonesa”, explicou, lembrando que o bambu sempre o fascinou. “Como um recurso natural renovável extremamente sustentável pode ser tão importante dentro da cultura japonesa?. E o Brasil, coincidentemente, é um país em que todos conhecem o bambu. Ele não é um ser estrangeiro. O brasileiro tem uma certa familiaridade com ele, só que a única coisa que gente sabe fazer realmente com o bambu é uma vara de pescar. E o Japão tem perto de 5 mil usos catalogados para o bambu”, disse Dantas, destacando que a exposição traz um pouco do caráter multidisciplinar que a instituição pretende ter. “Ou seja, a Japan House é um lugar que você vai sempre se surpreender. “Estamos olhando um pouco também para o imaginário. Vamos ter uma  sequência fortíssima de workshops que olha desde o bambu como gastronomia até o bambu como forma de arquitetura, o bambu dentro da espiritualidade e o bambu como joia, como uma oportunidade de negócio, uma oportunidade de investimento. Olhando para as várias formas de como o bambu pode se manifestar, queremos ter isso como base de inspiração”, destacou o curador, acrescentando que outro exemplo para tentar explicar o conceito da Japan House pode ser verificada no restaurante comandando pelo chef Jun Sakamoto.

Segundo Dantas, no dia da abertura, o cardápio não terá sushi nem sashimi, por exemplo, só para ficar em dois dos principais pratos mais conhecidos pelos brasileiros. O menu será a culinária budista shojin ryori.

 

O chef Jun Sakamoto: “A prioridade será a base bem feita”. Foto: Jiro Mochizuki

 

Em entrevista ao Jornal Nippak, Jun Sakamoto disse que “nosso objetivo aqui é fazer uma ponte com o que xiste de atual na gastronomia japonesa”. “No começo não dá para ser sofisticado. A prioridade será a base bem feita, com os ingredientes mais apurados possíveis. O início será mais básico, mais sutil”, diz Sakamoto, afirmando que a ideia é trabalhar em cima de conceitos.

“Ao longo do tempo vou trazendo chefs de cozinha e com a vinda deles vamos apresentando o que há de mais mnoderno”, revela Sakamoto, explicando que o preço estará “dentro dos mpadrões da Avenida Paulista”. “Nós temos que nos adaptar a entorno. Não adiante vir com um conceito maravilhoso, preços estratosféricos e não ter cliente dentro. Então, será um tíquete bem razoável porque queremos atingir muita gente”, garante.

 

Walter Ihoshi com o presidente Temer. Foto: Jiro Mochizuki

Repercussão – Presentes na cerimônia de inauguração, o deputado federal Walter Ihoshi (PSD-SP) e o vereador Aurélio Nomura (PSDB) comemoraram. “Ter a Japan House é poder entrar no Japão sem sair de São Paulo, é poder ter uma janela do Japão contemporâneo e conhecer um pouco mais da gastronomia, da cultura, das artes e da tecnologia do Japão moderno e fazer esta ponte ente os dois países”, disse Ihoshi.

Para o líder do prefeito Doria na Câmara Municipal, “a Casa vai possibilitar um estreitamento nas relações não só culturais mas também econômicos”. “A localização, na Av Paulista, é estratégica. Aqui é o coração financeiro do país. Acredito que a Japan House vem a contribuir para este estreitamento”, disse Aurélio Nomura.

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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    Japan House São Paulo

    Abertura para o público: 6 de maio (sábado)

    Horário de funcionamento: De terça a sábado, das 10 às 22h; domingos e feriados: das 10 às 18h

    Entrada franca

    Telefone: 11/3090-8900

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