JAPAN HOUSE SP: Presença de público surpreende no primeiro fim de semana e visitantes contam o que esperam ver

Se depender do primeiro fim de semana aberta ao público, a Japan House São Paulo seguramente será um sucesso. Cerca de 7500 pessoas passaram pelo número 52 da Avenida Paulista nos dois primeiros dias de funcionamento. No sábado, 6, a Casa recebeu 4288 visitantes e no domingo, com encerramento das atividades às 18 horas, foram registradas 3.221 pessoas. Segundo o cônsul geral do Japão em São Paulo, Takahiro Nakamae, não havia uma expectativa quanto ao número de visitantes, “mas certamente ficamos surpresos”.

 

Presença de público surpreende e visitantes elogiam nova instalação. Foto: Jiro Mochizuki

 

No sábado, a fila começou a se formar cerca de meia hora antes da abertura da casa, às 10 horas. Com sua capacidade máxima– de 400 pessoas nos três andares – os visitantes iam entrando aos poucos, em grupos de dez pessoas. No domingo, a fila de espera chegou a uma hora e meia. Mas nada que tirasse a paciência nem a curiosidades.

 

No primeiro fim de semana, Japan House São Paulo recebeu cerca de 7500 visitantes. Foto: Jiro Mochizuki

 

Dentro da instalação, porém, era possível conferir tudo sem nenhum atropelo. O que não evitou, no entanto, que a lojinha de Furoshiki, vendesse todo seu estoque ainda no sábado.

 

Visitantes conferem os produtos da loja de Furoshiki. Foto: Aldo Shiguti

 

No restaurante, comandado pelo chef Jun Sakamoto, a procura também foi intensa. “No primeiro dia, vendemos apenas tonkatsu teishoku a R$ 30,00, e sushi moriawase Junji a R$ 40,00”, disse Sakamoto ao Jornal Nippak, explicando que o preço promocional serviu para “compensar as nossas falhas de início de operação”. No domingo, com a operação mais ajustada, os mesmos pratos foram vendidos a R$ 50,00.

Quem foi conferir não se arrependeu. Como o aposentado José Ramon, de 60 anos. “Um centro cultural é sempre bem-vindo e a cultura japonesa é fora do normal. Para mim, um espanhol, é um prato cheio”, disse Ramon, acrescentando que “São Paulo fornece essa oportunidade para as pessoas que vem para cá”.

 

O aposentado José Ramon, que pretende voltar outras vezes. Foto: Aldo Shiguti

 

“A cultura japonesa é bem ampla, principalmente para quem não é descendente de japoneses. Você pode ficar admirando por um tempão porque é algo fantástico”, explicou Ramon, afirmando que ficou entusiasmado logo na entrada. “Não tinha noção que o bambu pudesse se projetar tanto. Temos uma vaga noção de seu uso, como fazer pipas, mas a gente esquece que ele pode ter 1001 utiidades”, destacou o aposentado, antecipando que pretende voltar outras vezes.

“O Japão tem essa dupla face, de usar o tradicional junto com o moderno numa harmonia global que nós, ocidentais, não conseguimos. E os japoneses sabem utilizar isso para construir algo melhor”, afirmou Ramon, acrescentando que a instalação aproximou as velhas e a novas gerações.

“Para as novas gerações, a casa usa a linguagem visual e para a minha geração, que teve a felicidade de aprender alguma em escolas públicas, vamos poder relembrar o que aprendemos”, finalizou.

 

Os arquitetos Ivan e Melina com a filha, Nina. Foto: Aldo Shiguti

 

Banheiro – Primeira unidade do projeto global do governo japonês, a Japan House São Paulo pretende atualizar a percepção dos brasileiros sobre o Japão contemporâneo. As ações para celebrar sua inauguração tiveram início há cerca de um mês, com a intervenção artística do japonês Makoto Azuma pelos principais pontos de São Paulo e terminaram na semana passada, com as apresentações de dois ícones da música japonesa: Jun Miyake e Ryuichi Sakamoto, com um concerto gratuito para cerca de 15 mil pessoas no Ibirapuera.

 

Visitantes observam exposição na Japan House São Paulo

Visitantes observam exposição na Japan House São Paulo. Foto: Jiro Mochizuki

 

Com projeto do consagrado arquiteto japonês Kengo Kuma, a Japan House São Paulo agradou também ao casal de arquitetos brasileiros Ivan Ventura e Melina Aoki, que foram no sábado com a filhinha Nina, de apenas um ano de idade. Ivan ficou admirado com um cômodo da instalação que poucas pessoas dariam importância, mas que certamente, assim como ele, ficaram surpresos. Trata-se do banheiro. “É um lugar que geralmente a gente deixaria por último, mas fui ver e achei bem legal”, afirmou Ivan, que também ficou impressionado com o designer dos produtos japoneses. “Até onde conhecia, não tinha toda essa delicadeza na linha de eletrônicos”, explicou, destacando, no entanto, que “se era para mostrar um novo olhar sobre o Japão contemporâneo, gostaria de ver bastante tecnologia”.

“Queira ou não, o bambu é um elemento muito forte dentro da cultura japonesa, mas não sei se é essa a pegada que gostaria de ver aqui. Gostaria de ver mesmo algo novo, como a tecnologia usada no vaso sanitário”, comentou Ivan, para quem o Japão é sinônimo de tecnologia. Sua esposa, a também arquiteta Melina Aoki, concorda. “Tanto a base do edifício como a fachada dão esse ar de modernidade. O arquiteto usou muitos elementos que não estamos acostumados”, explicou.

 

Solange Prado com a filha, Helena. Foto: Aldo Shiguti

 

Significativo – Solange Prado e sua filha, Helena, também aproveitaram o sábado para conhecer a nova casa da Avenida Paulista. Além da beleza, Helena disse que a Japan House São Paulo é “muito estimulante”. Já sua mãe, Solange, achou o espaço “muito significativo da cultura japonesa”. “Temos a oportunidade de ver tanto as técnicas tradiconais como as técnicas mais modernas, não vou dizer das arte, mas da vida japonesa porque isso é mais do que só arte”, disse Solange, que gostou de ver os utensílios e os tecidos.

Admiradoras da cultura japonesa  – Solange aprendeu fazer encadernação japonesa e a filha sabe falar um pouco de japonês – mãe e filha pretendem voltar outras vezes. Solange, para fazer um dos cursos que a casa vai oferecer e Helena, para frequentar a biblioteca.

 

O engenheiro Claudio e sua esposa, Roseli. Foto: Aldo Shiguti

 

Bandeira – De Salvador, o engenheiro Claudio Osnei e sua esposa, a professora e artista Roseli Amado, aproveitaram o fim de semana de férias na capital paulista para conhecer a instalação. E ficaram empolgados com o que viram. “Uma pensa que em Salvador não exista um lugar como esse”, disse Roseli, que já estava planejando voltar à noite para conhecer melhor a casa. Para ela, “o espaço oferece uma oportunidade para conhecer um pouco mais sobre os artistas japoneses”. Já seu marido chamou a atenção para o cuidado dos japoneses com tempo. “Estávamos vendo um vídeo de um artista preparando o material em função da obra e é impressionante a paciência”, afirmou o engenheiro, que sentiu falta da  “bandeira japonesa”. “Acho muito bonita, procurei aqui mas não achei”.

 

O professor de inglês, Ricardo Diego. Foto: Aldo Shiguti

 

Música – Já o professor de inglês Ricardo Diego, de 24 anos, sentiu falta da música. “Acho que a música é um elemento bem divulgador de cultura e acho que faltou isso aqui, a música como forma de divulgar a cultura. Sem contar que a música também está bem relacionada com a arte contemporânea do Japão”, disse Diego, admitindo que acabou conhecendo muitas coisas sobre o Japão que ainda não conhecia.

Apesar disso, conta que esperava “coisas mais tecnológicas”. “Em questão de arte, achei bem contemporânea, como a utilização do bambu. Mas esperava mais em relação aos elementos de tecnologia”, destacou, afirmando que “essa forma de divulgação da Japan House vai aumentar ainda mais a curiosidade dos brasileiros pelo país”. “O que é diferente atrai”, afirmou Diego.

 

Fila para o café: primeiro fim de semana foi movimentado. Foto: Jiro Mochizuki

 

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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    Japan House São Paulo

    Onde: Avenida Paulista, 52

    Horário de Funcionamento: de Terça a Sábado, das 10 às 22 horas.

    Domingos e Feriados, das 10 às 18 horas

    Entrada franca

    Informações pelo telefone: 11/3090-8900

     

     

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