Japan Rail Pass: Decisão do Grupo JR de suspender venda de passes gera descontentamento no Brasil

Portadores de nacionalidade japonesa residentes no exterior não poderão mais adquirir o Japan Rail Pass (Passe da Ferrovia Japonesa, doravante JR Pass) a partir de abril do próximo ano. No mês passado, o grupo JR anunciou revisão do direito de utilização do JR Pass por usuários e venda do mesmo a caráter experimental no Japão. Conforme o anúncio, a venda do passe aos portadores de nacionalidade japonesa residentes no exterior será encerrada em 31 de março de 2017, e a validade do passe será extinta em 30 de junho. A medida gerou protestos entre os japoneses residentes no Brasil usuários do passe.

 

Japan Rail Pass (Passe da Ferrovia Japonesa), que os japoneses residentes no exterior não poderão mais usufruir a partir do próximo ano. Foto: CORTESIA FLICKR

Japan Rail Pass (Passe da Ferrovia Japonesa), que os japoneses residentes no exterior não poderão
mais usufruir a partir do próximo ano. Foto: CORTESIA FLICKR

 

O grupo JR disse apenas que “o JR Pass foi criado para uso de turistas estrangeiros que queiram viajar de trem por todo Japão”, e que “a venda aos japoneses residentes no exterior a ser encerrada em 31 de março do próximo ano era admitida como caso especial ”.

Em consequência, a venda aos portadores de passaporte japonês “com visto permanente de residência no exterior” ou “casados com estrangeiros residentes no exterior” será suspensa em março do próximo ano. A partir de 1º de abril, terão direito a adquirir o JR Pass apenas os visitantes portadores de passaportes estrangeiros com permissão para curta permanência naquele país.

O grupo JR divulgou um comunicado às agências de turismo do Brasil para explicar tais revisões, sem, porém, mencionar os motivos do cancelamento dos direitos de apenas os portadores de nacionalidade japonesa residentes no exterior.

Assim, o Nikkey Shimbun enviou ao Grupo JR, nos dias 14 e 18 de novembro, pedidos de explicação sobre as circunstâncias que motivaram esta revisão utilizando, para isso, o formulário próprio para consultas constante no site oficial do JR Leste.

Até o fechamento desta edição do Jornal Nippak (7 de dezembro), o Nikkey Shimbum não havia recebido resposta.

 

Repercussão – De acordo com o diário em língua japonesa, o caso foi levado ao conhecimento dos residentes em São Paulo e “muitos manifestaram descontentamento com a medida”.

Um deles, senhor Hirobumi Noguchi – de 75 anos, natural da Província de Aichi –, se mostrou indignado. “Que lástima”, desabafou, acrescentando que “presumivelmente, muitos japoneses residentes no exterior devem ter abusado talvez do direito de viajar de trem à vontade, causando prejuízos”.

“Entretanto, cancelar esse direito nosso, de japoneses residentes no exterior, que batalhamos fora do nosso país, fazendo até às vezes de diplomatas civis, já é demais. Estamos sendo simplesmente descartados”, reclamou Noguchi.

Já Shizuyo Yagi – de 79 anos, natural da Província de Hyogo – que viaja todos os anos ao Japão utilizou o JR Pass pela última vez em outubro, quando esteve lá para comemorar o aniversário de sua mãe e visitar os parentes, como faz todos os anos.

“Este ano foi o aniversário de 100 anos da minha mãe. Seria bom se pudesse utilizá-lo quem sabe por mais 4 ou 5 anos”, explicou Shizuyo.

Outras pessoas, porém, reagiram com indignação. Como Junko Makiyama – da Província de Nagasaki –, Satoe Mizuhara – de Shizuoka – e Hiroe Ohno – de Quioto –, membros da Associação Kenko Taiso do Brasil.

Informadas pela reportagem do Nikkey Shimbun, elas convocaram uma reunião de emergência para discutir a participação no “6º Festival de Kenko Taiso Internacional”, previsto 2020.

“Este ano, nós viajamos com o JR Pass de norte a sul do Japão e todos querem participar do próximo festival também”, disseram, já preocupadas com os programas futuros.

A tendência é que as manifestações de descontentamento contra o anúncio do Grupo JR, que deve dificultar a viagem ao Japão de interessados em assistir às Olimpíadas e Paralimpíadas de 2020, cresça a cada vez mais entre os usuários.

 

Discriminação – Em matéria publicada recentemente, o Nikkey Shimbun cobra  do grupo JR “pelo menos uma explicação plausível do que está ocorrendo”. De acordo com o jornal “consta no anúncio que ‘a venda aos japoneses residentes no exterior era admitida como caso especial’, mas isso não explica por que apenas eles tiveram seus direitos cancelados na revisão”.

E o jornal vai além: “Para início de conversa, onde está a necessidade de se distinguir ‘estrangeiros’ e ‘japoneses residentes no exterior’, se ambos estão deixando moeda estrangeira no país? Não seria discriminatória esta resolução, que traz como resultado privilegiar apenas os estrangeiros retirando os direitos dos japoneses residentes no exterior? Já estão dizendo por aí que ‘organizações como a Associação dos Japoneses Residentes no Exterior deveria protestar com mais veemência”.

(Matéria traduzida do Nikkey Shimbun)

 

Redação

Redação

nippak@nippak.com.br
Redação

Últimos posts por Redação (exibir todos)

Related Post

ESPECIAL: Festival do Japão oferece uma viagem gas... Responsável pelo surgimento do Festival do Japão, que este ano chega a sua 18ª edição nesta sexta, sábado e domingo (dias 24, 25 e 26), no São Paulo E...
LUZ MAIS BARATA: Junji busca mais de 3 milhões de ... Até a segunda quinzena de agosto, os organizadores da cruzada nacional pela redução das contas de luz pretendem concluir a coleta de assinaturas no ab...
BAZAR BENEFICENTE FEMININA “ESPERANÇA”... Comestíveis: Sushi - Tirashisushi - Udon - Furusato no Aji - Pastel - Kuzumoti Doces e Salgados Artesanato: Aventais - Panos de prato Restaurant...
Para o Coronel Nomura, a palavra ‘sustentabilidade... “Sustentabilidade e Meio Ambiente tem deixado de ser mero discurso, para ser um pouquinho de ação”, diz Coronel Milton Sussumu Nomura Como a maioria ...

Faça seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *