JAPÃO: Cerca de 230 mil jovens vivem isolados em seus quartos; especialistas tentam decifrar “hikikomori”

OSAKA (IPC Digital) – Para a maiorias das pessoas, passar muito tempo dentro de casa pode causar tédio e sentimento de claustrofobia, mas para cerca de 230 mil japoneses, trancar-se em um quarto e evitar o contato com outras pessoas é a única forma de resolver os seus problemas. O fenômeno comportamental “hikikomori” é uma forma grave de exclusão social que atinge principalmente os mais jovens, com idade entre 15 e 39 anos, e ainda é um mistério para os médicos e especialistas que estudam esse tipo de comportamento.

 

Comportamento ainda é um tabu na sociedade japonesa (Foto: ipcdigital.com)

Comportamento ainda é um tabu na sociedade japonesa (Foto: ipcdigital.com)

 

A exclusão social dos jovens japoneses ganhou reconhecimento na década de 90 e, desde então, especialistas tentam entender as causas que levam uma pessoa a passar os anos mais produtivos da sua vida trancada em um quarto lendo livros, assistindo TV e, mais recentemente, vivendo uma vida paralela na internet através dos jogos online e redes sociais.

Evitar contato com outras pessoas, inclusive com familiares próximos, não é o único comportamento compartilhado entre as pessoas que sofrem de hikikomori. A maioria sofre da ansiedade causada pela incerteza do futuro, estresse pós-traumático e transtorno bipolar. Alguns, no entanto, não preenche os critérios de nenhuma doença reconhecida, o que dificulta o tratamento por métodos tradicionais.

Um pequeno incidente na escola ou no trabalho pode engatilhar a exclusão social extrema, de acordo com os especialistas. Muitos sofreram maus-tratos na escola, outros não conseguiram o emprego que tanto sonharam.

Em entrevista à MTV News americana, o psicólogo Yuichi Hattori, disse as pessoas com hikikomori têm dificuldade em expressar seus pensamentos e sentimentos. Segundo ele, não é incomum ouvir um paciente dizer que não se sente como um ser humano.

Estudos recentes mostram que há uma tendência de alguns em sair de casa durante a noite, quando não são vistos por ninguém, enquanto outros passam todo o tempo sozinhos, trancados em seus quartos, onde recebem as refeições na porta e só saem para ir ao banheiro ou no caso de alguma emergência.

Esse fenômeno comportamental ainda é um tabu dentro da sociedade japonesa. Até mesmo a definição precisa do hikikomori está sendo debatida: O psiquiatra japonês Tamaki Saito, que cunhou o termo em 1998, definiu o hikikomori como o comportamento de jovens que se retiram completamente da vida social e que não sofrem de nenhum transtorno psiquiátrico. Em outras palavras, segundo o doutor Saito, o hikikomori não é uma doença, é um comportamento extremo.

Takahiro Kato, professor da da Universidade de Kyushu, disse à MTV que os jogos de internet são fatores que podem contribuir para o desenvolvimento do hikikomori nos jovens. Segundo ele, a internet trouxe uma menor necessidade de fazer contato físico com outras pessoas, criando um sentimento de segurança e satisfação em alguns jovens mais reclusos. Kato também aponta que a cultura japonesa de “envergonhar aqueles que não estão em conformidade com as expectativas”, bem como o “a pressão do sistema pedagógico”, podem levar muitos jovens a se comportar de maneira anti-social.

Há uma crescente preocupação entre as autoridades sobre quem vai cuidar dos isolados quando os seus pais morrerem. De fato, o governo abriu centros de apoio em todo o país para ajudar e tratar essas pessoas.

Poucos procuram por ajuda, mas há casos de sucesso na recuperação: Suguru Matsusaka (28), morador de Osaka, passou três anos isolado em seu quarto porque sentia vergonha por não conseguir encontrar um emprego após se formar na faculdade. Durante esse período, ele só aceitava o contato com a mãe, que levava os pratos cheios e recolhia os vazios. Felizmente, Matsusaka procurou por ajuda e contou com apoio de assistentes sociais na procura por um emprego. Hoje, trabalha como paisagista, mas confessou que ainda luta contra a “necessidade do isolamento”.

(ipcdigital.com)

 

 

 

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