SILVIA IN TOKYO: A batalha pela igualdade de salários

A diferença salarial entre funcionários efetivos e não efetivos chega a passar de ¥ 100 mil (R$ 2.483).

 

Foto: Shougaisha Teshoku Kyuujin.com

Foto: Shougaisha Teshoku Kyuujin.com

O reajuste salarial da primavera este ano foi marcado por algumas surpresas. Os aumentos, que até então favoreciam os funcionários efetivos, foram dados também para os não-efetivos por muitas empresas.

A Toyota Motors anunciou o aumento de salário de ¥ 6 mil (R$ 149) por mês para os funcionários não efetivos. A KDDI reajustou o salário em ¥ 4.800 (R$ 119).

O sindicato UA Zensen, integrado por muitos trabalhadores não efetivos da área de alimentação, serviços e transportes, aumentou o valor da hora em ¥ 18,4 (R$ 0,04), cerca do dobro do reajuste do ano passado.

O principal motivo do aumento salarial está na falta de trabalhadores, principalmente no setor de atacado e comércio.

Mas a diferença salarial com os funcionários efetivos ainda é grande. Baseado na pesquisa do UA Zensen a média de aumento salarial dos efetivos foi de ¥ 6.920 (R$ 172) com um percentual de 2,33% enquanto entre os não efetivos o percentual foi de 2%.

 

Diferença salarial varia conforme a idade dos trabalhadores. Fonte: Ministério do Trabalho

Diferença salarial varia conforme a idade dos trabalhadores. Fonte: Ministério do Trabalho

 

Diferença salarial de ¥ 110 mil

A batalha para a “igualdade de direitos” e “equiparação salarial” ainda está longe de ser resolvida.

O Japão tem atualmente 18,77 milhões de trabalhadores não efetivados, o que representa 37,5% da força de trabalho (dados do Ministério do Trabalho de 2014). Desse total 13,44 milhões são contratados sob o sistema part-time (por poucas horas).

A média do salário de um funcionário efetivo em 2014 foi de ¥ 317.700 (R$ 7.889) enquanto a de um não efetivo foi de ¥ 200.300 (R$ 4.974). A diferença é superior a ¥ 100 mil (R$ 2.483).

A maioria das grandes empresas afirma que os trabalhadores não efetivados tem as mesmas regalias que os demais: aposentadoria aos 65 anos, assistência para amparo de crianças e idosos, benefícios sociais, entre outros. Mas em termos de salário o assunto é outro.

As empresas alegam que o salário mais alto de um funcionário efetivo se explica porque mesmo está sujeito a mudar de residência de acordo com as necessidades, além de trabalhos em outros locais do país ou no exterior. No caso dos não efetivos essa exigência não existe.

A opinião dos sindicatos dos trabalhadores não efetivos como o Seikyo Roren, não concorda muito com a alegação. “Salário igual significa que alguém que trabalha a mesma quantidade e tem o mesmo resultado deveria receber igual”. Em alguns países da Europa é assim que funciona.

 

(Silvia Kikuchi)

 

 

Fonte:SILVIA-IN-TOQUIO

 

 

 

SILVIA KIKUCHI

SILVIA KIKUCHI

é jornalista há 16 anos da International Press, Ipc digital e telejornalista da IPCTV, agora lança seu próprio blog: http://silviakikuchi.jp/
SILVIA KIKUCHI

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