JAPÃO/COMUNIDADE BRASILEIRA/ESPORTE: Andy Kobayashi representa o Brasil nas pistas japonesas de supermoto

Ele nasceu no Brasil, mas com apenas dois anos de idade emigrou com a família para o Japão. Anderson Kobayashi Chromeck, 21 anos, representa no Japão a garra característica dos pilotos de competição brasileiros. Apesar de ter estudado em escola japonesa e falar pouco o português, Andy leva o nome do Brasil nas competições japonesas de Supermoto (Super Motard).
Este ano, ele disputará etapas do campeonato japonês e, apesar das limitações financeiras, pretende chamar a atenção de possíveis patrocinadores japoneses com grandes exibições.

Andy dá o melhor de si nas pistas, apesar da falta de patrocinador (Fotos: Arquivo pessoal)

A categoria mescla piso de asfalto, derivado da motovelocidade e, piso de terra, derivado do motocross. A moto precisa de uma regulagem extremamente afinada para poder ser competitiva em tais condições desafiantes, o que exige muito empenho e concentração. Andy tem como exemplo o brasileiro Ayrton Senna, tricampeão mundial de Fórmula 1. “A dedicação do Ayrton ao trabalho e a forma extremamente profissional que ele conduziu a carreira me inspira de diversas formas, me identifico muito com ele”, destaca Andy.
Como todo esporte a motor, a Supermoto possui custos elevados. Para um piloto se manter competitivo precisa investir dinheiro constantemente. Andy tira a maior parte do orçamento do próprio bolso para poder competir. Ele faz dupla jornada em mais de um emprego para sustentar o sonho de se tornar profissional.

O piloto com o pai Alfredo, seu maior incentivador (foto: Arquivo Pessoal)

O pai Alfredo Chromeck, 49, também ajuda muito a carreira do filho, faz muitas horas extras na fábrica onde trabalha e, dá todo e qualquer suporte que o filho venha a necessitar. “Como pai eu busco incentivar e fazer todo o possível para ele poder se desenvolver na carreira, deslanchar de vez, pois ele ama o que faz. Eu e minha esposa vemos que não é apenas um modismo, ele é dedicado, trabalha e treina duro para obter bons resultados. Isso compensa qualquer esforço”, explica.

Temporada difícil

O piloto, que já venceu etapas nas divisões semiprofissionais da Supermoto em 2010, teve uma temporada difícil em 2011, no qual alguns acidentes o fizeram ter de gastar parte do orçamento destinado à compra de peças novas. “Fica difícil competir com um equipamento limitado, você precisa se esforçar mais do que os outros competidores. Com pneus velhos, fica mais difícil fazer uma curva com precisão, a chance de sofrer um acidente acaba sendo maior desta maneira”, relata o piloto.

Andy trabalha duro para tentar conquistar o sonho de viver só do esporte (foto: Arquivo Pessoal)

O pai Alfredo também destaca esta maior dificuldade pela qual o filho, que vez ou outra recebe algum incentivo de amigos e até patrões, passa para conseguir juntar o orçamento necessário para competir. “Em várias corridas ele era o mais rápido da pista, mas os pilotos de fábrica, patrocinados por montadoras de motocicletas, acabam levando a melhor sobre ele. Mesmo assim o Andy consegue andar no meio deles e, vez ou outra consegue vencer uma prova”, enfatiza Alfredo.
O pai de Andy ainda comenta que a busca por patrocínio ficou ainda mais difícil após a crise mundial de 2008 e 2009, pois segundo ele, parte dos empresários brasileiros no Japão acabou fechando seus negócios e, os que ainda conseguem se manter, passam por dificuldades financeiras, inviabilizando investimentos em marketing.
Apesar de todos os contras, Andy conta com o apoio irrestrito da família e permanece treinando, tanto na moto quanto fora dela, para no momento certo poder dar o melhor de si nas pistas. O brasileiro não bebe refrigerante e não consome álcool, faz uma alimentação balanceada e nos dias de corrida se alimenta apenas de barras de cereais. A preparação inclui também a parte física.
Apesar de ter uma rotina de trabalho puxada, o piloto encontra tempo para uma corrida diária de meia hora a pé, para fortalecimento dos músculos.

 

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