JAPÃO/COMUNIDADE BRASILEIRA: Brasileira presta serviços voluntários há 3 décadas

 

A mais recente condecoração da brasileira Julia Sezaki, 65, foi em junho, quando a Delegacia Central de Hamamatsu e a Associação de Prevenção ao Crime da Região Central de Hamamatsu ofereceram um diploma em reconhecimento a seus trabalhos voluntários como líder no apoio e prevenção aos jovens. A cerimônia foi realizada no Hotel Concorde de Hamamatsu, província de Shizuoka, com a presença de diversas autoridades do setor de segurança do município.

Oficialmente, Julia é a terceira brasileira registrada na prefeitura de Hamamatsu, mas como pouco se ouviu falar das duas antecessoras, ela é considerada popularmente a primeira brasileira a chegar na cidade e, certamente, a primeira a prestar serviços voluntários aos conterrâneos.

 

Julia Sezaki recebendo o diploma de reconhecimento pelos serviços prestados ao apoio dos jovens (foto: divulgação)

 

“No meu passaporte o carimbo marca o dia em que desembarquei no Japão, 28 de fevereiro de 1979. Naquela época nem imaginava que haveria o Movimento Dekassegui”, conta. “Foi na Suzuki Motors do Brasil, bairro da Lapa em São Paulo, onde conheci meu futuro marido, Masami. Ele veio transferido do Japão e assim iniciou-se nosso namoro. Depois Masami foi chamado de volta e passamos a trocar cartas durante um ano, até que em fevereiro de 1979, desembarquei em Hamamatsu levando na mala meu vestido de noiva. Três dias depois, casamos, porém, três meses depois, Masami foi transferido para a Colômbia e lá residimos durante oito anos”.

A vida de Julia em Hamamatsu começou a partir de 1987, quando regressaram da Colômbia. Um dia, Julia caminhava pelo centro da cidade quando encontrou um grupo conversando. “Cheguei perto e notei que falavam em português. Eram os primeiros dekasseguis de Hamamatsu. Fiquei muito contente por encontrar conterrâneos depois de muitos anos e decidi convidar a turma para o conhecido churrasquinho no quintal de casa”.

Ela achou que não fossem vir, mas quando chegaram, eram cerca de 30 pessoas. “Fiquei apavorada porque naquela época não tinha loja de produtos brasileiros. O jeito foi fazer churrasco com aquelas tirinhas de carne do supermercado. Depois esses brasileiros ficaram muito dependentes de mim e passei a ser a tsuuyaku (intérpetre) deles em tudo”.

Com a população de brasileiros aumentando, em 1991 Julia foi convidada para assumir a coordenadoria latino-americana da HICE (Fundação para Comunicação e Intercâmbio Internacional de Hamamatsu) cargo que exerceu durante dez anos e em 1994, já atendia por ano mais de mil brasileiros e peruanos. A prefeitura também precisou dos seus trabalhos e muitas pessoas pediam para acompanhá-las em hospitais, fábricas, escolas, empreiteiras. Julia foi a primeira professora de português na cidade e também ensinou culinária, sendo premiada em um concurso promovido pela Chubu Gas. Nas horas vagas, faz pinturas a óleo sobre telas e participa de exposições também premiadas. Na 15ª Expo Art de Hamamatsu, em 2009, Julia recebeu menção honrosa pelo seu quadro Futatsu no Mizuumi (Dois Lagos).

 

Julia Sezaki com o diploma de reconhecimento pelos serviços prestados ao apoio dos jovens (foto: divulgação)

 

Nascida em Itapecirica da Serra (SP), no dia 18 de junho de 1947, Julia Sezaki comemora o aniversário na mesma data em que o navio Kasato Maru aportou em Santos trazendo a primeira leva de imigrantes japoneses, naquele distante 18 de junho de 1908. É como se a sua missão fosse estar sempre ao lado dos imigrantes, desta vez, ao contrário, do outro lado do mundo.

Ao fazer um balanço do Movimento Dekassegui, o que mais entristece Julia é a parte psicológica afetada. Muita gente ia na HICE só para conversar com ela. “Passei a ser uma espécie de psicóloga sentimental, pois vinha brasileiro reclamar que o chefe japonês da fábrica não dava as peças na mão dele e preferia jogar. Sempre conscientizei os brasileiros de que vieram para trabalhar, juntar dinheiro e não causar encrenca. Nunca aconselhei a revidar porque aqui não é nosso país. Era para ter paciência como eu sempre tive”.

As pessoas conversavam e iam embora sorridentes. Para Julia essa era sua maior satisfação. Mas conversar somente entre brasileiros não progride. Julia aconselha aqueles que pretendem ficar no Japão, a aprender o idioma para ampliar seu espaço na sociedade japonesa. “É preciso fazer amizades com japoneses, pois mais tarde os filhos vão para as escolas e os pais precisarão frequentar o círculo japonês”.

Atualmente, Julia tem colaborado com o Shonen Support Center, um departamento coligado às delegacias de polícia, para orientar e apoiar os jovens a não seguir uma vida na deliquência. Periodicamente, Julia acompanha uma equipe em rondas noturnas em karaokês, game center, lojas de departamentos, proximidades das estações de trens e outros locais possíveis de aglomeração de jovens, para orientá-los a seguirem uma vida sadia, longe das drogas, fumo e álcool.

 

 

 

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