JAPÃO/COMUNIDADE BRASILEIRA: Cristiano Kaminishi: de operário a lutador profissional

 

A “Cheguei sozinho ao Japão no dia 14 de julho de 1996, dia do meu aniversário de 17 anos. Meu presente no outro dia foi trabalhar 12 horas em uma fábrica”, lembra o lutador profissional de artes marciais Cristiano Kaminishi.

Hoje com 33 anos, o brasileiro nascido em Goiânia (GO), e criado em Curitiba (PR), é referência de sucesso na comunidade brasileira no Japão.

 

Cristiano Kaminishi: o operário lutador (Foto: Arquivo pessoal)

 

A vida de operário em Nagano durou apenas um ano e meio. Logo depois, Kaminishi mudou-se para mais perto de Tóquio para treinar jiu-jítsu na academia Gracie Japan, sua porta de entrada para as artes marciais. Trabalhou numa importadora brasileira, e se virou fazendo bicos como segurança, modelo, vendedor de quimonos, treinador, até ganhar a confiança dos patrocinadores e poder dedicar-se exclusivamente à luta.

 

Kaminishi (foto: Arquivo Pessoal)

Fãs brasileiros e japoneses – Kaminishi chega a ser parado nas ruas para dar autógrafos e ser fotografado –, e dezenas de títulos marcam a trajetória do ex-decasségui. Ele foi 7 vezes campeão japonês de jiu-jítsu, campeão pan-americano, campeão asiático, campeão da Copa do Brasil, campeão havaiano de jiu-jítsu , 6 vezes campeão da Copa Dumau, entre outros que ele nem se lembra “de cabeça”. “Em 2004 comecei a lutar MMA profissional, e em 2009 fui campeão do torneio peso pesado do Heat MMA”, completa.

E não é só na luta que Kaminishi é vencedor e coleciona fãs. Com 1, 89 metro de altura e 98 quilos em músculos bem definidos, ele também arranca suspiros da mulherada. Aos 21 anos, foi eleito Garoto 2000 num concurso realizado em Oizumi, na província de Gunma, e levou como prêmio passagens aéreas para Saipan, uma ilha paradisíaca do Oceano Pacífico.

 

 

 

Apesar da ascendência japonesa, do sobrenome e traços orientais, Kaminishi conta que cresceu sem ligação com o Japão. Os pais se separaram quando ele tinha apenas 1 ano de idade, e o garoto foi criado pela mãe, que não tem sangue japonês. “Não tive costume, tradição ou filosofia japonesas em minha vida até eu chegar ao Japão. Nem sei as histórias dos meus avós paternos. Só sei que eles são da província de Kagoshima”, diz. A adaptação ao país foi tranquila e o sonho de adolescente de ajudar a mãe tornou-se realidade. “Já são 13 anos vivendo somente do que escolhi. Não tenho chefe, nem horário pra cumprir, eu determino o que vou fazer durante o ano”, comemora.

 

 

“O Japão foi a peça fundamental pra que tudo isso na minha carreira pudesse acontecer”

 

Sem perder o vínculo com a terra natal, Kaminishi viaja sempre ao Brasil. “Todo ano volto e fico alguns meses por lá. Sinto saudades do Japão quando estou no Brasil e vice-versa”, justifica. As academias dos Estados Unidos e da Ásia também estão na rota do campeão. Em 2009, ele foi para Xangai pela primeira vez e, desde o ano passado, tem feito seminários de MMA em Hong Kong, Macau e na Tailândia. Neste ano, voltou a Xangai para mais uma experiência internacional. “Desta vez como eu estou com uma lesão no ombro e não posso lutar até eu fazer uma cirurgia e me recuperar 100%, recebi um convite para ministrar aulas na Academia Alavanca em Xangai”.

 

 

Foram cinco meses lá. “Após a temporada na China vou passar um mês no Japão. Preciso de férias e do verão nipônico”, brinca. Além de descansar, o lutador também vai ajudar na organização do maior campeonato de jiu-jítsu do Japão, o Rickson Gracie Cup, que será realizado no início de agosto.

Em seguida, Kaminishi embarca para o Brasil, para fazer a cirurgia no ombro e retornar com força total aos tatames.

 

 

 

 

 

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