JAPÃO/COMUNIDADE BRASILEIRA: Leandro Xavier ensina brasileiros a mergulhar

Com a chegada do verão os brasileiros aproveitam as praias, rios e lagos do arquipélago japonês. O professor de matemática Leandro Xavier, 29 anos, é um destes brasileiros que não perde a chance de um bom mergulho. Vivendo em Suzuka, província de Mie, ele vai ainda mais longe, Leandro se tornou mergulhador profissional no Japão e literalmente vive aventuras em um “mundo” completamente desconhecido da maioria.

 

Leandro xavier (Fotos: Arquivo pessoal/Cedidas)

 

Leandro nasceu na pequena Oswaldo Cruz, interior de São Paulo, e há quase uma década sonhava em poder mergulhar. Na própria cidade existe uma academia de mergulho, que ensina a prática em piscinas. Leandro não dispunha de recursos para pagar o curso na época. A vinda para o Japão em 2008 lhe abriu as portas que tanto almejava para tornar o sonho realidade. “Logo que cheguei ao Japão comecei a procurar onde tinha escolas de mergulho, clubes para se filiar, o preço dos equipamentos, enfim, corri atrás”, conta Leandro.

Como no início ainda não falava japonês, Leandro foi beneficiado por já existirem cursos de mergulho ministrados por brasileiros, do qual Leandro fez rápido progresso, alcançando graduações altas em pouco tempo. “Precisa gostar muito e ter muita dedicação. Nem sempre o treinamento é de todo prazeroso, existe toda uma lista de checagem de equipamento e procedimentos que precisam ser respeitados no mergulho”, revela. Atualmente o brasileiro alcançou a graduação de mestre em mergulho recreacional.

Leandro destaca que o prazer proporcionado por um bom mergulho é algo difícil de descrever. “Apenas mergulhando dá para você ter uma diminuta ideia do que são os imensos e maravilhosos oceanos.
Prazer, tranquilidade, calmaria, tudo isto é proporcionado pelo mergulho. A quantidade de vida que você observa em dez minutos de mergulho é dez vezes maior se comparado ao que você observaria em dez horas de caminhada”, descreve o mergulhador.

 

Leandro adora mergulhar, hoje ensina brasileiros no Japão, mas sonha poder trabalhar com isso no Brasil (Fotos: Arquivo pessoal/Cedidas)

 

O mar também esconde algumas surpresas que podem ser perigosas. Segundo Leandro, as condições climáticas podem estragar o passeio, por exemplo. Em 2010 o brasileiro mergulhava com um grupo de amigos no litoral de Okinawa, um furacão desviou abruptamente da rota que seguia, indo em direção ao local onde eles mergulhavam.

O dia de sol rapidamente desapareceu e as águas ficaram extremamente instáveis. “O furacão nos surpreendeu quando voltávamos para a terra firme. Ainda estávamos dentro d’água quando percebemos que tudo tinha escurecido, seguido de clarões, que na verdade eram os relâmpagos. Mantivemos a calma e buscamos esperar o pior passar. Durante dois minutos o mar ficou muito agitado, com raios caindo em áreas próximas”, revela Leandro.

Uma das maiores preocupações do mergulhador é com a doença descompressiva, do qual pode acometer a pessoa caso esta retorne muito rapidamente para a superfície, sem fazer paradas de descanso para o corpo ir se acostumando com a mudança de pressão. “Quando se está abaixo de 18 metros de profundidade o organismo absorve mais nitrogênio. Se retornar muito rapidamente o nitrogênio pode se acumular em forma de bolhas na corrente sanguínea. As bolhas bloqueiam o fluxo sanguíneo, causando danos ao tecido da pele”, explica Leandro.

Outro problema que pode ter graves consequências é a hiperexpansão pulmonar. Segundo Leandro, quanto maior a profundidade, mais os pulmões são comprimidos. Na volta à superfície o órgão irá se dilatar, as lesões podem até levar à morte. Para evitar tais problemas, o tempo da parada para descompressão varia conforme a profundidade mergulhada. Acima de 18 metros deve-se fazer uma parada de 3 minutos quando estiver a 5 metros da superfície.

 

Leandro adora mergulhar, hoje ensina brasileiros no Japão ( Fotos: Arquivo pessoal/Cedidas)

 

Quando o mergulho alcançar até 40 metros, deve-se fazer uma parada de 8 minutos.

A preparação e cuidados com os equipamentos são metódicos. Na prática do mergulho nada pode estar funcionando de forma irregular, tudo precisa estar 100% para que nenhum imprevisto venha a ocorrer. “Tudo tem que ser revisto de forma minuciosa, nada pode escapar da nossa inspeção, tanto antes quanto depois do mergulho”, afirma Leandro. Após o mergulho, todo equipamento precisa ser lavado. Apesar de ser fabricado para a água salgada, esta precisa ser totalmente retirada e o equipamento tem que ficar totalmente seco. Leva-se praticamente o mesmo tempo cuidando do equipamento ou até mais do que propriamente mergulhando.

Leandro irá retornar ao Brasil este ano, onde pretende seguir mergulhando e até trabalhar profissionalmente na área. “Adquiri muito conhecimento durante o tempo que passei no Japão, e claro, irei dar sequência ao que aprendi aqui, buscando me especializar cada vez mais e desbravar o belo e extenso litoral brasileiro”, projeta.

 

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